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Do que se trata o Perdão?
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
Ao se falar em perdão, é comum nos remetermos
quase de imediato a uma leitura religiosa, ou
seja, o perdão sendo visto como unilateral,
entendido como algo que doamos a alguém, um ato de
desprendimento, generosidade e bondade com o
outro, mas é mais do que isso...
Quando estamos magoados e feridos, os sentimentos
mais presentes são a tristeza, a decepção e a
raiva. Neste momento é difícil se pensar em
perdão. Primeiramente há o momento de viver a
própria dor, senti-la para depois resolve-la.
Muitos tentam pular essa fase inevitável e como
conseqüência apenas prorrogam seu próprio
sofrimento.
A raiva é o mais primário dos sentimentos, pois é
gerada pela frustração e pelo sentimento de
impotência. Dela nasce o desejo de vingança como
uma tentativa de diminuir a própria dor, mas a
vingança é um sentimento traiçoeiro, pois se alia
a seu “adversário” no momento em que sua vida
passa a ser apenas um instrumento com o objetivo
de atingir ou prejudicar aquele que lhe feriu.
Facilmente a vingança torna-se seu senhor e você
seu escravo. Trata-se de um ciclo vicioso e
aparentemente sem fim.
Também não podemos esquecer que algumas pessoas
são muito mais susceptíveis a mágoas e melindres
que outras, possuem limiares diferentes, variando
de acordo com sua personalidade, capacidade de
percepção, capacidade de tolerar frustrações,
entendimento de mundo, sensibilidade, ou seja, de
acordo com sua saúde emocional. Uma mesma vivência
é sentida , percebida e compreendida de forma
diferente até mesmo entre irmãos, que supostamente
foram criados sob as mesmas variáveis, o que dirá
entre pessoas que possuem “crivos” diferentes.
Desde o nascimento, somos seres carentes de
relacionamentos, o ser humano precisa se
relacionar para se desenvolver emocionalmente. A
família é o berço do desenvolvimento emocional,
costumo dizer que é nosso útero social, pois é
através dela que recebemos essa carga de crenças,
entendimentos e leituras sobre o mundo. Nossas
relações passam pelo crivo dessas crenças, pela
forma de entender o mundo que nos cerca e de nos
perceber enquanto pessoas, nossos direitos e
responsabilidades.
Estamos sempre construindo e reconstruindo nossas
idéias, num ciclo dinâmico, que pode ser saudável
ou não. É claro que essas crenças trazem todos os
preconceitos e dificuldades relacionais de nossos
ancestrais, afinal ninguém pode dar aquilo que não
tem.
Cabe a nós em nossa jornada acessar nossas fontes
de saúde que são nossa criatividade e
espontaneidade. Elas nos ajudarão a tentar o novo,
a perdoar,a reconstruir, a olhar de outra forma a
mesma questão, e a nos fortalecer, nos
impulsionando para novos movimentos e
experiências.
Relacionar-se é fácil quando encontramos pessoas
que pensam e percebem o mundo como nós, ou seja se
utilizam do mesmo fóco para avaliar os
acontecimentos, mas a grande questão é quando nos
deparamos com pessoas que possuem outros
parâmetros e valores, neste caso, para que a
relação seja possível, é necessária uma carga a
mais de respeito ao outro a suas idéias e a seu
ponto de vista e obviamente de respeito pessoal.
Num processo psicoterapêutico nossa leitura é
feita a partir de um entendimento relacional, como
sabemos, toda ação gera uma reação. Quando tomamos
consciência de nossa parcela de responsabilidade
naquilo que nos acomete, temos a possibilidade de
nos tornarmos senhores de nossas vidas, mais
autênticos e não mais escravos, cegos e perdidos
diante dos acontecimentos. Não nos tornamos
vítimas nem tão pouco vilões, apenas humanos
conscientes dos reflexos de nossas atitudes. A
raiva não é negada ou sublimada ela é canalizada
para movimentos positivos que podem trazer
crescimento e desenvolvimento pessoal, ela é
transformada em energia positiva provedora de
mudança e transformação.
ENTÃO O QUE É PERDOAR? Perdoar é realmente
um ato de amor mas, não apenas amor ao outro, mas
também ,amor a si próprio. É assumir a
responsabilidade sobre os próprios atos e desejos,
é perceber-se na dimensão do humano e como tal
entender a sua significância. Perdoar é amadurecer
emocionalmente é aprender que somos falíveis e
imperfeitos, tal qual o outro com quem nos
relacionamos e essa é a genialidade do ser humano.
Não existem os certos e os errados, existe o olhar
a partir de um ponto de vista e cada um tem o seu,
portanto não existe A verdade, existem verdades á
partir de realidades diferentes. O parâmetro é o
respeito, o sentimento de cidadania, a ética e o
amor. |