|
Saúde emocional e psicodrama
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
Conviver não é fácil. Relacionar-se é uma arte.
O ser humano é um ser social. Estamos em relação
todo o tempo; somos filhos, pais, irmãos,
funcionários, chefes, amigos, esposas, maridos,
namorados, amantes... enfim, desempenhamos vários
papéis em nossa vida, e nem sempre estamos
preparados para eles.
As relações que propomos, a forma como o fazemos,
as pessoas com quem nos envolvemos; contam um
pouco de nós, de nossas escolhas durante a vida.
São as nossas buscas que promovem nossas escolhas,
que as direcionam, portanto entendê-las é criar
possibilidades de viver melhor e com mais
qualidade de vida.
PSICOTERAPIA é um espaço que nos reservamos para
compreender as próprias alegrias e as
próprias dores, os próprios limites e descobrir as
próprias potencialidades conscientizando-se de
nossas responsabilidades sobre tudo isso.
Trata-se de uma "brecha" que criamos na nossa vida
corrida e atribulada, para cuidar de nossas
emoções, para crescer e transformar a própria
vida. O terapeuta tem como compromisso iluminar
esta busca, facilitando a visão dos caminhos
possíveis.
O PSICODRAMA é uma teoria baseada no entendimento
de que saúde e doença se dá nas relações que
propomos. Surgiu na década de 20, numa época em
que a sociedade valorizava o inconsciente, vivendo
a divulgação das idéias de Freud.
Jacob Levy Moreno, criador do PSICODRAMA,
acreditava no amor e no compartilhar mútuo como
base para a vida e para as relações em grupo.
Moreno nasceu na Romênia em 1886, era judeu, fez
medicina em Viena e especializou-se em
psiquiatria.
Todo o corpo teórico que desenvolveu baseava-se no
pressuposto que nascemos totalmente criativos e
espontâneos e à medida que vamos nos
desenvolvendo, a cultura, e com ela as regras
estabelecidas socialmente, vão tolhendo esse nosso
tesouro natural e nos moldando.
Toda sua Teoria do desenvolvimento é voltada para
a liberação de nossa capacidade espontânea e
criativa imprescindível para nossa saúde
emocional.
Somos o resultado de nossa história, contudo,
recebemos influencia e influenciamos todo o tempo.
Cada pessoa saudável, feliz, em plena capacidade
de exercer sua autonomia, fazer escolhas, ser
genuína, transforma-se num agente espontâneo capaz
de difundir essa chama da saúde interna nas muitas
pessoas com as quais se relaciona.
Moreno acreditava que devíamos fazer o bem, amar e
compartilhar nossas experiências. Acreditava na
centelha divina que existe em cada um de nós.
No início de sua carreira, ele não costumava
assinar suas obras, trabalhava no anonimato. Era
um homem carismático e generoso, ficou conhecido
como “Doutor do Povo” por atender gratuitamente.
Ainda jovem Moreno fundou uma espécie de movimento
espiritual que se chamou de “Religião do
Encontro”, um Teatro e uma revista próprios, e no
ápice de sua carreira possuía um hospital
psiquiátrico - onde atendia gratuitamente - uma
escola e uma editora. Mantinha essas instituições
através de doações feitas na maior parte por
pessoas que ele havia atendido, parentes e amigos.
Fundou na década de 20 o Teatro da Espontaneidade;
acreditava que os atores deviam representar a si
mesmos e não a personagens, defendia a total
imaginação e criatividade. Este teatro evoluiu
para o Teatro Terapêutico, no momento em que
Moreno percebeu que os atores que representavam
seus próprios conflitos lidavam melhor com seus
problemas pessoais, conseguiam aprender novas
formas de lidar com velhos problemas.
Moreno queria trazer alegria, leveza e
criatividade aos métodos psicoterapeuticos e
certamente conseguiu. Sua idéias difundiram-se no
mundo todo e tornaram-se a base das terapias de
grupo.
Hoje temos só no Brasil cerca de 5.000
Psicodramatistas, segundo a Federação Brasileira
de Psicodrama FEBRAP, desempenhando seus papeis
nas organizações, nas escolas, nas clinicas e nas
instituições, com um objetivo claro: a busca da
saúde emocional e relacional tão necessária para a
convivência humana. |