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No Amor, escolhemos ou somos
escolhidos?
Sirley Bittú
Quando alguém me procura para iniciar uma
psicoterapia por se sentir sozinho, ou descontente
com algum aspecto de sua vida, costumo sugerir
inicialmente uma “checagem” de sua vida emocional
e afetiva. As perguntas “Por que estou sozinho?”
“Porque não consigo encontrar alguém para mim?”
Podem ser substituídas por: “O que fiz com minha
vida”? “Que pessoas eu encontrei e quais eu não me
permiti encontrar”? “O que estou buscando”? “Quem
estou realmente buscando”? Ou mesmo: “Quero ter
alguém neste momento em minha vida?”.
As escolhas que fazemos estão sempre ligadas a
nossos desejos, sejam eles conscientes ou não. Se
você hoje tem alguém ao seu lado que não lhe
satisfaz, ou que te traz algum sofrimento,
certamente esta pessoa atende alguma outra
necessidade que pouco você percebe, mas que no
momento é a mais importante e a mais forte.
Se você não tem ninguém ao seu lado pode ser
porque de alguma forma preferiu isso; ou por medo
ou por egoísmo ou por achar que ninguém é bom o
suficiente, ou por algum outro motivo que nem você
tem consciência ainda.
Ninguém está fadado a ficar sozinho, pois a
solidão afetiva é uma escolha pessoal como a maior
parte dos caminhos que tomamos em nossa vida.
É verdade! A solidão não é obra do acaso ou de
falta de sorte. Você escolhe estar sozinho ou
acompanhado baseado - é claro - no seu
entendimento do que é melhor para você e no que
vai lhe fazer sofrer ou não. Muitas pessoas entram
em depressão por sentirem-se sozinhas, não
escolhidas, abandonadas, pouco interessantes e na
maioria das vezes elas se tornam assim mesmo,
confirmando suas próprias previsões. Interagir,
relacionar-se é viver; vida é emoção, é saúde, é
alegria e amor.
Não existe um lugar certo para encontrar alguém
especial, o que existe é a percepção do quanto
você é especial e importante em sua própria
vida. Estar disponível para viver a própria vida,
permitir-se saboreá-la, seja de que forma for, é
uma atitude que interfere e modifica a qualidade
dos relacionamentos que você empreende.
Você pode ter alguém a seu lado que você nunca
realmente olhou como homem ou como mulher,
simplesmente por estar muito preocupada(o) com um
ideal de companheiro(a), ou mesmo de namorado(a).
A pessoa perfeita não existe, porque o ser humano
é genialmente imperfeito, o que faz com que as
relações sejam ainda mais interessantes e
excitantes. Para entender isso, basta olhar a
natureza, onde a diferença e complementaridade
propicia a interação das espécies e sua
sobrevivência.
Nas relações dos contos de fadas a princesa
precisa ser bela, ingênua e pura em seus
sentimentos para, “no final da estória”, ser
recompensada com um lindo, ingênuo e puro
príncipe. No mundo real queremos ser felizes já!
Além do mais, estas relações não se sustentariam,
afinal, qual príncipe suportaria uma princesa
mal-humorada, em TPM, com dor de cabeça, mimada e
eternamente insatisfeita? E o inverso então? O
príncipe viraria sapo rapidinho!
As relações que fazemos de forma saudável têm o
caráter da troca e relacionam-se a um entendimento
mais amplo desse forte sentimento humano que é o
amor. Amar significa relacionar-se ao pacote
completo, encantar-se com as qualidades sem negar
os defeitos, ou seja, amar apesar dos
defeitos.
Na relação estamos aprendendo e ensinando algo
também. Dando e recebendo. Para isso é preciso
primeiro saber que você tem algo a oferecer ao
mundo. Sempre terá e não é necessário ser o ápice
da beleza e perfeição corporal, ou um Einstein,
tampouco a própria gueixa subserviente e passiva
aos caprichos e desejos de alguém, para merecer
ser amada(o).
Respeito próprio, amor próprio,
auto-estima, autoconfiança,
aceitação, determinação. São as bases para uma
possibilidade de relacionamento. Veja que todos
esses conceitos remetem primeiro a você próprio e
depois ao outro.
A forma de buscar relações muda, mas a necessidade
humana continua a mesma. O ser humano necessita se
relacionar, precisa desse élan vital que a troca
de experiências propicia para sobreviver, se
desenvolver e se sentir feliz. Encontramo-nos
então com um novo desafio: como conseguir
estabelecer uma relação mais íntima mais cúmplice,
baseada na confiança verdadeira e genuína?
Primeiramente comece com você mesmo, estreite as
relações consigo mesmo, se conheça mais, se
respeite e acima de tudo se aceite, olhe para seus
medos, trabalhe-os, procure resolvê-los, valorize
o que tem de bom e cuide do que te atrapalha, só
assim conseguirá ser livre o suficiente para se
relacionar com alguém. |