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Síndrome
do Pânico: a Carcereira do Homem Moderno
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
A
Síndrome do pânico tornou-se conhecida por seus
vários sintomas: palpitações, tonturas,
dificuldades para respirar, dores no peito,
sensação de formigamento ou fraqueza nas mãos, e
quase invariavelmente um medo secundário de
morrer, perder o controle ou ficar louco.
Geralmente esses sintomas não estão restritos a
uma situação específica, o que os torna portanto
imprevisíveis. Esta doença de fundo emocional,
traz em sua base um medo intenso, desmedido e
incontrolável que vai tomando proporções
assustadoras.
Quando se sofre de Pânico, cada crise aumenta a
ansiedade e o medo da próxima, tornando a doença
um ciclo. Como resultado a pessoa passa a evitar
tudo o que possa aproximá-la da situação que lhe
causa temor de forma cada vez mais ampla e
genérica a ponto de qualquer estímulo poder
tornar-se uma ameaça.
O ser humano percebe, sente e compreende o mundo e
os estímulos que recebe de forma muito particular,
em diferente intensidade, variando de acordo com
as características físicas e emocionais de cada
um. Durante toda a história da humanidade o medo
esteve presente, protegendo, quando aprendemos a
traduzi-lo em cautela e sensatez e fazendo sofrer
ao nos tornar escravos de nossas ilusões e de
nossa impotência, limitando-nos e roubando nossa
espontaneidade e nossa criatividade. Muitas vezes
esse medo é nutrido por um entendimento equivocado
sobre os valores pessoais, fruto, entre outras
coisas, da falta de conhecimento de nossas
potencialidades, preconceitos e baixa auto-estima.
Desde nossa infância precisamos aprender a
enfrentar nossos medos para termos a possibilidade
de viver feliz e em paz.
O medo patológico é um sentimento que se fortalece
no desconhecimento, é o resultado da falta de fé
em si e no mundo. A fé não é algo que possamos
treinar, a fé implica em entrega, não de forma
ingênua pois transformaria-se em alienação, mas de
forma consciente e íntegra, multiplicando-se em
disponibilidade para perceber-se como um ser ao
mesmo tempo insignificante e genuinamente
especial, singular entre todas as criaturas. Ter
fé implica em saber exatamente quem é, com seus
próprios limites e contradições. Em nossa mente a
fé nasce do espaço intermediário entre a fantasia
e a realidade. É vital para o desenvolvimento
humano e sua transcendência, pois implica na noção
de si e do outro, em respeito, dignidade,
generosidade, amor, enfim, implica na noção do
todo, fornecendo-nos parâmetros existenciais.
O amor que recebemos de nossos pais, parentes e
amigos ou mesmo das pessoas com quem nos
relacionamos durante nossa vida, alimenta as
reservas de esperança e fé, que possuímos. Quando
o ser humano não recebe amor, respeito, compaixão,
solidariedade ele torna-se amargo, violento, rude,
incrédulo no outro e consequentemente, em si
mesmo.
A pessoa que sofre de crises de pânico não é
necessariamente a que não recebeu amor, mas é
aquela que não tem certeza do amor que recebeu ou
não o tem internalizado, tornando-se uma pessoa
insegura e frágil emocionalmente, sentindo-se
“pobre” em recursos internos para sua autoproteção.
Volta-se mais às possibilidades de morte do que às
de vida. Não trata-se de uma escolha, a ansiedade
e o desespero invadem sua vida cegando-a.
Essa Síndrome tornou-se a carcereira do homem
moderno por gradativamente retirar seu direito à
liberdade de se relacionar seja com as pessoas,
seja com a vida. Como todas as dificuldades ou
qualquer tipo de doença, quanto mais rapidamente
se inicia um tratamento melhores são os
prognósticos. Segundo as pesquisas mais recentes
da OMS, os tratamentos indicados como tendo os
melhores resultados, são os que associam a
medicação à psicoterapia.
Aprender a pedir ajuda é um ato de coragem e de
fé, independente de qual seja o tipo de
dificuldade. Algumas pessoas desacreditam que
possam ser ajudadas, tomando uma atitude de
suposta auto-suficiência, evitando dividir suas
dores e angústias, o que muitas vezes provoca um
agravamento dos sintomas, tornando os tratamentos
mais sofridos e doloridos.
Acreditar em si e respeitar-se alimenta e
fortalece nossa auto-estima; negar nossas
dificuldades ou tentar escondê-las apenas nos
enfraquece. Entender que existem dificuldades e
limites é ao mesmo tempo, desmistificá-los e
aceitar nossa condição humana, num processo
dinâmico de desenvolvimento e amadurecimento. |