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Individualidade e Egoísmo... é a mesma coisa?
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
É
especialmente comum a confusão entre
individualidade e egoísmo. Porque essas coisas se
misturam tanto? Como desenvolvemos nossa
individualidade e nossa capacidade de nos
relacionarmos intimamente? Onde aprendemos qual
sentimento é feio ou bonito?
Somos educados para os outros, para o social
...”diga obrigado quando receber algo de alguém-
principalmente de estranhos” . Não é esquisito
isso?? A intimidade implica em desrespeito, então?
Em desvalor? Quantas vezes ouvimos: “V. é de
casa mesmo... não tem problema... ele(a) espera”
... ou aquela velha e conhecida frase: ...
“primeiro as visitas”!
Dificilmente nos dizem: ... “aprenda a se
respeitar!”... “Seja grato ao que recebe, mas não
se torne por isso, um eterno devedor” ... ou o
inverso ...”doe apenas o que tem senão estará
correndo o risco de se tornar um eterno credor”...
“Saboreie suas vitórias valorizando também sua
capacidade e seu potencial que o ajudou em suas
conquistas” ...e não apenas “ofereça” os créditos
aos outros, ou ao acaso... ou a eterna “sorte”
.
Ouvi certa vez, uma definição interessante: “sorte
é o encontro do talento com a oportunidade!”, é
dessa interação: eu (talento) – mundo
(oportunidade) que estou falando.
Sou psicoterapeuta a mais de 10 anos e posso
contar nos dedos de uma mão, o numero de pessoas
que conheci que foram educadas a se respeitar em
primeiro lugar. E a culpa? E a dúvida... será que
“isso” não é egoísmo ou falta de educação?
Nascemos emocionalmente misturados com o meio,
enquanto bebês nossas sensações, desejos, e
percepções ainda não são sentidas como nossas,
fazemos parte de um todo confuso e complexo.
Fantasia e realidade ainda estão indiferenciados.
Nesse momento somos ”naturalmente egoístas”, não
existe o outro, tudo é eu.
A nossa percepção, nossa forma de entender, sentir
e encarar a realidade nasce daquilo que aprendemos
e descobrimos durante esse processo de formação da
identidade, através de nossas relações. Nossas
crenças, nossos valores, nossa fé nas mais
diferentes coisas emergem da substancia da ilusão
compartilhada em parte pela humanidade e em parte
pelo crivo de nossa família e das pessoas que
ajudaram a construir nossa matriz de identidade.
Todas as vivências e experiências pelas quais
passamos, são filtradas pelos nossos parâmetros,
que influenciam o nosso olhar. Portanto não existe
uma única realidade, existem inúmeras formas de
entender e compreender a mesma situação. Como diz
o jargão popular: “depende do ponto de vista”.
A individualidade poderia ser vista como essa
forma particular de sentir, perceber e decodificar
o mundo que nos cerca. Para podermos exercitá-la e
desenvolve-la é necessário respeito. Estou
definindo como respeito a capacidade de permitir
ao outro “ser”, expressar suas particularidades,
suas características genuínas, seu potencial
criativo e espontâneo; trata-se da aceitação do
outro como ele é.
Para isso precisamos de coragem e humildade, para
perceber que existem várias verdades e em
diferentes ordens hierárquicas, ou seja, o que é
importante para você pode ser importante para mim,
não necessariamente na mesma ordem, ou pode
simplesmente não ser; por se tratar de valores ou
visões diferentes. As pessoas não são feitas à
”nossa imagem e semelhança”, são diferentes, pois
são resultado de sua própria história, e de suas
singularidades. Quem te disse que o seu certo é o
certo?
O egoísta só se relaciona consigo mesmo, não
percebe o outro, porque seu olhar esta confuso,
perdido na própria imagem.
O auto-respeito é diferente do egoísmo.
Desenvolvemos nossa capacidade de nos relacionar
de forma saudável, no difícil aprendizado de
assumir gradativamente a responsabilidade por
nossa própria vida, por nossas escolhas e por
nossas características boas ou não. Paralelamente
descobrimos a importância do outro em nosso
desenvolvimento e sua influência em nosso
crescimento emocional.
A pessoa que respeita a própria individualidade
percebe que existe independente do outro, ela é
mas ao mesmo tempo torna-se interdependente do
meio, numa relação de troca, numa dança delicada e
prazerosa. |