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Você tem medo da paixão?
Sirley
R.S. Bittú
E-mail:
sirley.regina@terra.com.br
A
paixão é comparada ao fogo: intensa, forte,
quente, envolvente e extremamente sedutora. Não
manda aviso que está chegando nem pede licença
para entrar em sua vida.
Algumas pessoas temem a paixão pelo movimento de
entrega que ela implica. Paixão é envolvimento, o
apaixonado mistura-se ao outro e às próprias
expectativas em relação ao outro.
Usamos o termo “cegos de paixão”, porque realmente
esta “dança” parece algo cega, não “enxergamos” o
outro como se houvesse entre nós uma cortina de
fumaça composta por nossas ilusões, fantasias e
desejos. Na paixão enxergamos apenas o que
queremos ver, nossas necessidades, nossa
completude.
E o que isso significa? É ruim a paixão? Saúde ou
loucura?
Toda cegueira traz consigo a escuridão e a
insegurança. O sentimento de segurança não se
desenvolve a partir de nossos olhos, mas dentro de
nós. O que nos protege contra o medo é nossa
certeza de poder superá-lo. A paixão é uma forma
de envolvimento emocional; o que possibilita o
permitir-se apaixonar é a sensação de
individualidade; quando sabemos quem somos e o que
desejamos, a paixão chega como um movimento que
acrescenta e nos transforma, mas, quando estamos
perdidos dentro de nós, frágeis e imaturos, a
paixão torna-se perigosa e viciante, nascem as
relações doentias onde o outro passa a ser a parte
que necessitamos insanamente.
A maturidade emocional traz segurança e parâmetro
para nos lançarmos na paixão. Isto não significa
“medir” o quanto se entregar, ou envolver-se de
forma moderada tentando evitar um possível
sofrimento, pelo contrário, significa ter
internamente a certeza que existe um “eu” que está
se apaixonando, capaz de se defender e que não
“desintegrará” com uma frustração, sofrerá sim,
caso se decepcione ou não for correspondido, mas
certamente sairá renovado e fortalecido dessa
experiência.
A paixão é um movimento intenso onde reina a
emoção e onde a razão de nada ou pouco interfere.
Como todos os “movimentos” humanos, pode ser
positiva, à medida que possibilita crescimento e
transformação, ou negativa à medida que torna o
indivíduo alienado e dependente emocionalmente.
O ser humano necessita amar e ser amado para se
desenvolver. Existem várias formas de amar,
acredito que o amor é um sentimento que
conquistamos, implica em carinho, ternura,
gratidão, companheirismo, desejo, amizade,
aceitação, e muitas outras coisas, mas,
principalmente implica em conhecer o outro.
É comum as pessoas se apaixonarem por alguém que
conhecem muito pouco, simplesmente, porque a
paixão vem de outra esfera, a esfera da ilusão,
tão necessária para nossa vida. Com o decorrer da
relação, e ao passo que as pessoas vão se
conhecendo melhor, suas qualidades e desejos, suas
particularidades, ela vai naturalmente tomando
novas formas podendo se transformar em amor,
amizade, ternura ou - nas piores hipóteses - em
relações doentias, onde reinam outros sentimentos
como raiva, posse, inveja, mágoa e ressentimento.
Muitas vezes nos relacionamos buscando no outro o
que não temos, ou o que pensamos que não temos.
Nas relações patológicas o outro passa a
desempenhar o papel ou a função na qual temos
dificuldade. Por exemplo, se não sabemos nos
defender, colocamos o outro como nosso defensor ao
assumirmos a posição de vítimas, enquanto
poderíamos usá-lo como modelo, aprendendo com ele
a nos “autoproteger”, a sermos mais seguros e
assertivos em nossos desejos e responsáveis por
nossas atitudes.
O caminho que cada relação vai tomar, dependerá da
saúde emocional de cada um dos envolvidos. Devemos
cuidar de nossa saúde emocional da mesma forma que
cuidamos de nossa saúde física, pois ela interfere
em todas as relações que fazemos, sejam pessoais
ou profissionais e em nossa busca de viver de
forma prazerosa e feliz.
Em síntese: Paixão é vida, é arriscar, é ousar, é
envolver-se, é sentir e não apenas pensar.
Aprendemos com a experiência a avaliar a relação
custo/benefício de nossos atos, mas também
aprendemos que a vida não pode ser conduzida pelo
medo, pois é preciosa demais para ser
desperdiçada.
Então... você ainda tem medo da paixão? |