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Uma
inserção oportuna
De
tantos mistérios da vida de Cristo, o Rosário, tal
como se consolidou na prática mais comum
confirmada pela autoridade eclesial, aponta só
alguns. Tal seleção foi ditada pela estruturação
originária desta oração, que adotou o número 150
como o dos Salmos.
Considero, no entanto, que, para reforçar o
espessor cristológico do Rosário, seja oportuna
uma inserção que, embora deixada à livre
valorização de cada pessoa e das comunidades, lhes
permita abraçar também os mistérios da vida
pública de Cristo entre o Batismo e a Paixão. Com
efeito, é no âmbito destes mistérios que
contemplamos aspectos importantes da pessoa de
Cristo, comorevelador definitivo de Deus. É Ele
que, declarado Filho dileto do Pai no Batismo do
Jordão, anuncia a vinda do Reino, testemunha-a com
as obras e proclama as suas exigências. É nos anos
da vida pública que o mistério de Cristo se mostra
de forma especial como mistério de luz: « Enquanto
estou no mundo, sou a Luz do mundo » (Jo 9, 5).
Para que o Rosário possa considerar-se mais
plenamente “compêndio do Evangelho”, é conveniente
que, depois de recordar a encarnação e a vida
oculta de Cristo (mistérios da alegria), e antes
de se deter nos sofrimentos da paixão (mistérios
da dor), e no triunfo da ressurreição (mistérios
da glória), a meditação se concentre também sobre
alguns momentos particularmente significativos da
vida pública (mistérios da luz). Esta inserção de
novos mistérios, sem prejudicar nenhum aspecto
essencial do esquema tradicional desta oração,
visa fazê-la viver com renovado interesse na
espiritualidade cristã, como verdadeira introdução
na profundidade do Coração de Cristo, abismo de
alegria e de luz, de dor e de glória.
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