|
Mistérios da glória - Gloriosos
“A
contemplação do rosto de Cristo não pode deter-se
na imagem do crucificado. Ele é o
Ressuscitado!”.(29)O Rosário sempre expressou esta
certeza da fé, convidando o crente a ultrapassar
as trevas da Paixão, para fixar o olhar na glória
de Cristo com a Ressurreição e a Ascensão.
Contemplando o Ressuscitado, o cristão descobre
novamente as razões da própria fé (cf. 1 Cor 15,
14), e revive não só a alegria daqueles a quem
Cristo Se manifestou – os Apóstolos, a Madalena,
os discípulos de Emaús –, mas também a alegria de
Maria, que deverá ter tido uma experiência não
menos intensa da nova existência do Filho
glorificado. A esta glória, onde com a Ascensão
Cristo Se senta à direita do Pai, Ela mesma será
elevada com a Assunção, chegando, por
especialíssimo privilégio, a antecipar o destino
reservado a todos os justos com a ressurreição da
carne. Enfim, coroada de glória – como aparece no
último mistério glorioso – Ela resplandece como
Rainha dos Anjos e dos Santos, antecipação e ponto
culminante da condição escatológica da Igreja.
No centro deste itinerário de glória do Filho e da
Mãe, o Rosário põe, no terceiro mistério glorioso,
o Pentecostes, que mostra o rosto da Igreja como
família reunida com Maria, fortalecida pela
poderosa efusão do Espírito, pronta para a missão
evangelizadora. No âmbito da realidade da Igreja,
a contemplação deste, como dos outros mistérios
gloriosos, deve levar os crentes a tomarem uma
consciência cada vez mais viva da sua nova
existência em Cristo, uma existência de que o
Pentecostes constitui o grande “ícone”. Desta
forma, os mistérios gloriosos alimentam nos
crentes a esperança da meta escatológica, para
onde caminham como membros do Povo de Deus
peregrino na história. Isto não pode deixar de
impelí-los a um corajoso testemunho daquela «
grande alegria » que dá sentido a toda a sua vida.
|