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Dos “mistérios” ao “Mistério”: o caminho de
Maria
Estes ciclos meditativos propostos no Santo
Rosário não são certamente exaustivos, mas apelam
ao essencial, introduzindo o espírito no gosto de
um conhecimento de Cristo que brota continuamente
da fonte límpida do texto evangélico. Cada
passagem da vida de Cristo, como é narrada pelos
Evangelistas, reflecte aquele Mistério que supera
todo o conhecimento (cf. Ef 3, 19). É o Mistério
do Verbo feito carne, no Qual « habita
corporalmente toda a plenitude da divindade » (Col
2, 9).
Por isso, o Catecismo da Igreja Católica insiste
tanto nos mistérios de Cristo, lembrando que «
tudo na vida de Jesus é sinal do seu Mistério
».(30)O “duc in altum” da Igreja no terceiro
Milénio é medido pela capacidade dos cristãos de «
conhecerem o mistério de Deus, isto é Cristo, no
Qual estão escondidos todos os tesouros da
sabedoria e da ciência » (Col 2, 2-3). A cada
baptizado é dirigido este voto ardente da Carta
aos Efésios: « Que Cristo habite pela fé nos
vossos corações, de sorte que, arraigados e
fundados na caridade, possais [...] compreender o
amor de Cristo, que excede toda a ciência, para
que sejais cheios de toda a plenitude de Deus »
(3, 17-19).
O Rosário coloca-se ao serviço deste ideal,
oferecendo o “segredo” para se abrir mais
facilmente a um conhecimento profundo e empenhado
de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria. É o
caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de
fé, de silêncio e de escuta. É, ao mesmo tempo, o
caminho de uma devoção mariana animada pela
certeza da relação indivisível que liga Cristo à
sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são
também, de certo modo, os mistérios da Mãe, mesmo
quando não está directamente envolvida, pelo facto
de Ela viver d'Ele e para Ele. Na Avé Maria,
apropriando-nos das palavras do Arcanjo Gabriel e
de Santa Isabel, sentimo-nos levados a procurar
sempre de novo em Maria, nos seus braços e no seu
coração, o « fruto bendito do seu ventre » (cf. Lc
1, 42).
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