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Mistério de Cristo, “mistério” do homem
No
citado testemunho de 1978 sobre o Rosário como
minha oração predilecta, exprimi um conceito sobre
o qual desejo retornar. Dizia então que « a
simples oração do Rosário marca o ritmo da vida
humana ».(31)
À luz das reflexões desenvolvidas até agora sobre
os mistérios de Cristo, não é difícil aprofundar
esta implicação antropológica do Rosário; uma
implicação mais radical do que possa parecer à
primeira vista. Quem contempla a
Cristo,percorrendo as etapas da sua vida, não pode
deixar de aprender d'Ele a verdade sobre o homem.
É a grande afirmação do Concílio Vaticano II que,
desde a Carta encíclica Redemptor hominis, tantas
vezes fiz objecto do meu magistério: “Na
realidade, o mistério do homem só no mistério do
Verbo encarnado se esclarece
verdadeiramente”.(32)O Rosário ajuda a abrir-se a
esta luz. Seguindo o caminho de Cristo, no qual o
caminho do homem é « recapitulado
»,(33)manifestado e redimido, o crente põe-se
diante da imagem do homem verdadeiro. Contemplando
o seu nascimento aprende a sacralidade da vida,
olhando para a casa de Nazaré aprende a verdade
originária da família segundo o desígnio de Deus,
escutando o Mestre nos mistérios da vida pública
recebe a luz para entrar no Reino de Deus, e
seguindo-O no caminho para o Calvário aprende o
sentido da dor salvífica. Contemplando, enfim, a
Cristo e sua Mãe na glória, vê a meta para a qual
cada um de nós é chamado, se se deixa curar e
transfigurar pelo Espírito Santo. Pode-se dizer,
portanto, que cada mistério do Rosário, bem
meditado, ilumina o mistério do homem.
Ao mesmo tempo, torna-se natural levar a este
encontro com a humanidade santa do Redentor os
numerosos problemas, agruras, fadigas e projectos
que definem a nossa vida. « Descarrega sobre o
Senhor os teus cuidados, e Ele tesustentará » (Sal
55, 23). Meditar com o Rosário significa entregar
os nossos cuidados aos corações misericordiosos de
Cristo e da sua Mãe. À distância de vinte e cinco
anos, ao reconsiderar as provações que não
faltaram nem mesmo no exercício do ministério
petrino, desejo insistir, como para convidar
calorosamente a todos, a fim de que experimentem
pessoalmente isto mesmo: verdadeiramente o Rosário
« marca o ritmo da vida humana » para harmonizá-la
com o ritmo da vida divina, na gozosa comunhão da
Santíssima Trindade, destino e aspiração da nossa
existência.
(Resumo da carta Apostólica do Papa João Paulo II
sobre o Santo Rosário - www.cancaonova.com)
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