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Receita para alcançar a paz de espírito
Osvaldo Shimoda
Sentiu tristeza?
- Agradeça a tua vida. Se você deseja realmente
ser feliz, agradeça a todas as coisas boas que
possui neste momento. Se você é saudável,
agradeça, pois, agradecendo, coisas boas surgirão
cada vez mais. Observe que tendemos a reparar só
nas coisas que a gente não têm e esquecemos de
agradecer o que temos. Lembre-se: Quanto mais você
se queixar, reclamar e até mesmo amaldiçoar o que
não tem, mais a sua vida se torna um “mar de
insatisfação” e você acaba se tornando uma pessoa
amarga. Portanto, não amaldiçoe a sua vida.
Sentiu irritação?
- Meia hora de silêncio. Deixe a irritação vir. De
olhos fechados, preste atenção no seu corpo.
Sinta, não analise, não controle. Se tiver vontade
de chorar, gritar, faça! Fique com você, com suas
sensações físicas, observe, fique apenas
observando as suas reações corporais.
Deixe que seus sentimentos e reações de seu corpo
se manifestem. Preste atenção em seu corpo. Se
vier sensação de enjôo, deixe vir e só observe,
não queira controlar, solte o seu corpo. Quando
você só observa e deixa os seus sentimentos e
sensações físicas se manifestarem, normalmente
essas sensações desagradáveis se transformam em
sensações agradáveis.
Se você se entregar a este exercício, não querendo
controlar a sua mente e o seu corpo, a sua energia
vital irá fluir de forma mais livre.
Critica destrutiva aos outros?
- Dê uma olhada para você. O que mais você cobra
dos outros, é o que menos faz consigo mesmo. As
pessoas são o nosso espelho. Elas refletem os
defeitos - que a gente não quer perceber - que
existem em nós. Você cobra, por exemplo, que o seu
marido não lhe dá carinho, atenção. Vai aqui uma
pergunta: Será que você está se dando carinho?
Você se dá colo? Ou você é seca, muito dura
consigo mesma? Se você for realmente honesta com
você, vai refletir a esse respeito.
Faça um exame do que você é, de como vem se
tratando. Reflita sobre como você se relaciona com
os outros. Se você é daquelas pessoas que querem
controlar os outros, a vida (porque é insegura),
acaba ficando rígida, se desvitalizando e,
conseqüentemente, perde o ânimo pela vida. Vida é
movimento, dinamismo, mudanças.
Como toda pessoa insegura, você odeia surpresa e
os imprevistos. E, com isso, passa a não viver a
vida. Acaba se tornando uma pessoa formal, não se
descontrai, não deixa que a vida a leve. Você quer
levar a vida, controlá-la, quer que as coisas
aconteçam do seu jeito. Enfim, quer “domá-la”.
Lembre-se: a vida não se curva, não se submete a
ninguém. Talvez você não tenha percebido que é
você quem tem que se curvar a ela e reverenciá-la.
Mas para isso, você precisa exercitar a humildade.
Caso Clínico:
Dificuldade de expressar pensamentos e sentimentos
Paciente veio ao meu consultório por se sentir
travada, ansiosa, insegura e nervosa ao expressar
o que pensa e sente. Não conseguia verbalizar
direito suas idéias, seus conhecimentos ao
conversar com as pessoas, principalmente quando
participava de dinâmicas de grupo para conseguir
um emprego. Apesar de se sentir capaz,
inteligente, encontrava dificuldades ao se
comunicar em grupo. O medo de ser testada,
avaliada era muito grande.
Ao regredir me relatou:
“Sou um menino, tenho 10 anos, minha pele é clara,
cabelo curto e escuro, visto um macacão e calço
botas. Vejo um monte de gente, é como se fosse um
mercado, uma feira. Eu me sinto meio perdido nesse
lugar. As pessoas correm empurrando carroças com
verduras. A impressão que eu tenho é que eu sou
abobalhado”.
- Você tem família, pai e mãe? Pergunto-lhe.
“Eu vivo com a minha mãe e o meu irmão mais velho.
Não tenho pai, minha mãe e meu irmão trabalham
neste mercado. Ela é bem alta e o seu cabelo é bem
comprido.
Eu não me sinto bem porque sou diferente das
outras pessoas. As crianças ficam apontando para
mim, dando risadas. Elas não me chamam para
brincar e nem chegam perto de mim. Eu me sinto
diferente, rejeitado. Embora eu seja abobalhado,
tenho consciência de minha deficiência”.
- Volte antes de sua idade atual para que você se
recorde como se originou sua deficiência mental,
pergunto.
“Já nasci abobalhado. Minha mãe tinha percebido
que eu não era normal. Aos 2 anos de idade, quase
não falava. Ela percebia que tinha algo de
estranho. Fui crescendo e sempre brincava sozinho.
As crianças tinham medo de chegar perto de mim.
Elas achavam que eu poderia ser violento com elas.
Passei a sofrer discriminação quando minha mãe
começou a trabalhar nesse mercado. Os adultos e as
crianças riam do meu jeito abobalhado de falar e
gesticular. Eu raciocinava, pensava normalmente,
mas não conseguia articular direito a minha fala.
Minha voz não saia. É como um motorista apto para
dirigir, mas seu carro não funciona. Sabia que eu
era esquisito, mas não conseguia agir como uma
pessoa normal”.
- Peço à paciente para que ela avance na cena para
alguns anos à frente.
“Estou agora com 24 anos, continuo morando com a
minha mãe. O meu irmão sumiu, cansou dessa vida de
pobreza e foi embora. Ele se sentia revoltado por
ter um irmão abobalhado que não ajudava em nada.
Fiquei muito triste por que gostava muito dele,
até mais do que a minha mãe. Ele conversava
comigo. Eu pensava: só faço coisas erradas, não
tenho coordenação.
Eu tinha plena consciência de tudo, entendia o que
as pessoas falavam, mas não conseguia me
expressar. As pessoas achavam que eu não entendia
nada. Chorava quase todos os dias por que as
crianças me rejeitavam, caçoavam de mim e os
adultos não me respeitavam.
A reação das pessoas era de deboche, descaso e,
muitas vezes, de total indiferença”.
- Avance mais nessa cena para ver o que acontece
com você nessa vida passada, peço-lhe.
“Agora me vejo sozinho, minha mãe morreu. Fiquei
desesperado, quando a vi morta. Saí gritando e
ninguém entendia o que eu falava.
Eu gesticulava muito, mas não conseguia dizer que
ela estava morta. Seu corpo ficou estendido no
chão por muito tempo em casa. Até que a
encontraram.
Fiquei sozinho, vivia de esmolas. As pessoas me
davam pão. Não queria mais viver em minha casa. Eu
acabei indo morar num casebre. Era uma boa
caminhada do mercado até onde eu morava. Eu me
tornei um mendigo. Eu me vejo agora totalmente
barbudo, sujo e maltrapilho.
Eu me sentia confuso. Não entendia como uma pessoa
com retardo mental conseguia raciocinar, entender
o que as pessoas diziam. Todas as noites eu
sonhava que tinha torturado muitas pessoas e elas
morriam insanas numa prisão numa vida passada. Eu
as espancava, as torturava e a cada dia elas
ficavam mais desequilibradas. Elas ficavam
acorrentadas nesta prisão”.
- Pergunte ao seu Eu Superior por que você veio
abobalhado nessa vida passada...
“Eu tinha que vir nessas condições para sentir na
pele o sofrimento, o mal que causei àquelas
pessoas. Eu tinha que compreender, sentindo na
pele, não podendo expressar a minha inteligência.
Pela minha deficiência mental, eu não movimentava
também as minhas mãos (elas eram atrofiadas e
tortas). Eu não poderia usá-las como eu fazia
naquela existência para chicotear e machucar as
pessoas. Essas lembranças que me torturavam, só
vinham em sonho. Eu tinha que conviver sozinho com
essa limitação. É muito triste! (paciente chora
copiosamente)”.
- Peço-lhe para que ela vá para o momento de sua
morte nessa vida.
“Senti que tinha que ter passado por tudo isso,
apesar da solidão e de ser incompreendido. Senti
também como se tivesse me libertado de um fardo”.
- Pergunto à paciente se ela agora consegue fazer
uma conexão do seu problema da vida atual com a
recordação dessa existência passada...
“Agora fica claro o porquê desse medo de me expor,
de expressar o que penso e sinto. Eu tenho medo de
falhar, de não conseguir expressar adequadamente
as minhas idéias, opiniões, os meus conhecimentos.
Nessa vida passada, apesar de ser uma pessoa
lúcida, não conseguia expressar os meus
pensamentos e sentimentos por conta de minha
deficiência.
Eu trago à vida atual as mesmas dificuldades.
Tenho medo de não conseguir me expressar e que as
pessoas não compreendam o que vou falar e riam,
zombem de mim como na existência passada. A cabeça
funciona, mas o veículo da voz, da articulação
verbal não funciona direito. Eu penso de uma forma
e na hora de verbalizar eu não expresso fielmente
aquilo que gostaria de falar.
Sinto a mesma sensação de frustração daquela vida
passada quando queria expressar os meus
pensamentos e não conseguia”.
Na sessão seguinte, a paciente me disse que saiu
daquela sessão muito pensativa. Ficou muito
surpresa ao descobrir que fora uma pessoa
abobalhada. Disse-me que estava se sentindo bem
melhor, como se tivesse se livrado de um peso em
suas costas. Sentia que tinha se libertado de
alguma coisa, embora não soubesse me explicar do
quê.
Após ter passado por mais 6 sessões de regressão,
a paciente compartilhou comigo sua alegria dizendo
que estava se expressando de forma mais livre, se
sentindo mais à vontade com as pessoas,
principalmente em grupo.
No final do tratamento, uma vez que o seu bloqueio
emocional havia sido removido, recomendei à
paciente que se expusesse com mais freqüência em
grupo para desenvolver suas habilidades em se
comunicar. |