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Sentiu tristeza?
- Agradeça a tua vida. Se você deseja realmente ser
feliz, agradeça a todas as coisas boas que possui
neste momento. Se você é saudável, agradeça, pois,
agradecendo, coisas boas surgirão cada vez mais.
Observe que tendemos a reparar só nas coisas que a
gente não têm e esquecemos de agradecer o que temos.
Lembre-se: Quanto mais você se queixar, reclamar e
até mesmo amaldiçoar o que não tem, mais a sua vida
se torna um "mar de insatisfação" e você acaba se
tornando uma pessoa amarga. Portanto, não amaldiçoe
a sua vida.
Sentiu irritação?
- Meia hora de silêncio. Deixe a irritação vir. De
olhos fechados, preste atenção no seu corpo. Sinta,
não analise, não controle. Se tiver vontade de
chorar, gritar, faça! Fique com você, com suas
sensações físicas, observe, fique apenas observando
as suas reações corporais.
Deixe que seus sentimentos e reações de seu corpo se
manifestem. Preste atenção em seu corpo. Se vier
sensação de enjôo, deixe vir e só observe, não
queira controlar, solte o seu corpo. Quando você só
observa e deixa os seus sentimentos e sensações
físicas se manifestarem, normalmente essas sensações
desagradáveis se transformam em sensações
agradáveis.
Se você se entregar a este exercício, não querendo
controlar a sua mente e o seu corpo, a sua energia
vital irá fluir de forma mais livre.
Critica destrutiva aos outros?
- Dê uma olhada para você. O que mais você cobra dos
outros, é o que menos faz consigo mesmo. As pessoas
são o nosso espelho. Elas refletem os defeitos - que
a gente não quer perceber - que existem em nós. Você
cobra, por exemplo, que o seu marido não lhe dá
carinho, atenção. Vai aqui uma pergunta: Será que
você está se dando carinho? Você se dá colo? Ou você
é seca, muito dura consigo mesma? Se você for
realmente honesta com você, vai refletir a esse
respeito.
Faça um exame do que você é, de como vem se
tratando. Reflita sobre como você se relaciona com
os outros. Se você é daquelas pessoas que querem
controlar os outros, a vida (porque é insegura),
acaba ficando rígida, se desvitalizando e,
conseqüentemente, perde o ânimo pela vida. Vida é
movimento, dinamismo, mudanças.
Como toda pessoa insegura, você odeia surpresa e os
imprevistos. E, com isso, passa a não viver a vida.
Acaba se tornando uma pessoa formal, não se
descontrai, não deixa que a vida a leve. Você quer
levar a vida, controlá-la, quer que as coisas
aconteçam do seu jeito. Enfim, quer "domá-la".
Lembre-se: a vida não se curva, não se submete a
ninguém. Talvez você não tenha percebido que é você
quem tem que se curvar a ela e reverenciá-la.
Mas para isso, você precisa exercitar a humildade.
Caso Clínico:
Dificuldade de expressar pensamentos e sentimentos
Paciente veio ao meu consultório por se sentir
travada, ansiosa, insegura e nervosa ao expressar o
que pensa e sente. Não conseguia verbalizar direito
suas idéias, seus conhecimentos ao conversar com as
pessoas, principalmente quando participava de
dinâmicas de grupo para conseguir um emprego. Apesar
de se sentir capaz, inteligente, encontrava
dificuldades ao se comunicar em grupo. O medo de ser
testada, avaliada era muito grande.
Ao regredir me relatou:
"Sou um menino, tenho 10 anos, minha pele é clara,
cabelo curto e escuro, visto um macacão e calço
botas. Vejo um monte de gente, é como se fosse um
mercado, uma feira. Eu me sinto meio perdido nesse
lugar. As pessoas correm empurrando carroças com
verduras. A impressão que eu tenho é que eu sou
abobalhado".
- Você tem família, pai e mãe? Pergunto-lhe.
"Eu vivo com a minha mãe e o meu irmão mais velho.
Não tenho pai, minha mãe e meu irmão trabalham neste
mercado. Ela é bem alta e o seu cabelo é bem
comprido.
Eu não me sinto bem porque sou diferente das outras
pessoas. As crianças ficam apontando para mim, dando
risadas. Elas não me chamam para brincar e nem
chegam perto de mim. Eu me sinto diferente,
rejeitado. Embora eu seja abobalhado, tenho
consciência de minha deficiência".
- Volte antes de sua idade atual para que você se
recorde como se originou sua deficiência mental,
pergunto.
"Já nasci abobalhado. Minha mãe tinha percebido que
eu não era normal. Aos 2 anos de idade, quase não
falava. Ela percebia que tinha algo de estranho. Fui
crescendo e sempre brincava sozinho. As crianças
tinham medo de chegar perto de mim. Elas achavam que
eu poderia ser violento com elas. Passei a sofrer
discriminação quando minha mãe começou a trabalhar
nesse mercado. Os adultos e as crianças riam do meu
jeito abobalhado de falar e gesticular. Eu
raciocinava, pensava normalmente, mas não conseguia
articular direito a minha fala. Minha voz não saia.
É como um motorista apto para dirigir, mas seu carro
não funciona. Sabia que eu era esquisito, mas não
conseguia agir como uma pessoa normal".
- Peço à paciente para que ela avance na cena para
alguns anos à frente.
"Estou agora com 24 anos, continuo morando com a
minha mãe. O meu irmão sumiu, cansou dessa vida de
pobreza e foi embora. Ele se sentia revoltado por
ter um irmão abobalhado que não ajudava em nada.
Fiquei muito triste por que gostava muito dele, até
mais do que a minha mãe. Ele conversava comigo. Eu
pensava: só faço coisas erradas, não tenho
coordenação.
Eu tinha plena consciência de tudo, entendia o que
as pessoas falavam, mas não conseguia me expressar.
As pessoas achavam que eu não entendia nada. Chorava
quase todos os dias por que as crianças me
rejeitavam, caçoavam de mim e os adultos não me
respeitavam.
A reação das pessoas era de deboche, descaso e,
muitas vezes, de total indiferença".
- Avance mais nessa cena para ver o que acontece com
você nessa vida passada, peço-lhe.
"Agora me vejo sozinho, minha mãe morreu. Fiquei
desesperado, quando a vi morta. Saí gritando e
ninguém entendia o que eu falava.
Eu gesticulava muito, mas não conseguia dizer que
ela estava morta. Seu corpo ficou estendido no chão
por muito tempo em casa. Até que a encontraram.
Fiquei sozinho, vivia de esmolas. As pessoas me
davam pão. Não queria mais viver em minha casa. Eu
acabei indo morar num casebre. Era uma boa caminhada
do mercado até onde eu morava. Eu me tornei um
mendigo. Eu me vejo agora totalmente barbudo, sujo e
maltrapilho.
Eu me sentia confuso. Não entendia como uma pessoa
com retardo mental conseguia raciocinar, entender o
que as pessoas diziam. Todas as noites eu sonhava
que tinha torturado muitas pessoas e elas morriam
insanas numa prisão numa vida passada. Eu as
espancava, as torturava e a cada dia elas ficavam
mais desequilibradas. Elas ficavam acorrentadas
nesta prisão".
- Pergunte ao seu Eu Superior por que você veio
abobalhado nessa vida passada...
"Eu tinha que vir nessas condições para sentir na
pele o sofrimento, o mal que causei àquelas pessoas.
Eu tinha que compreender, sentindo na pele, não
podendo expressar a minha inteligência.
Pela minha deficiência mental, eu não movimentava
também as minhas mãos (elas eram atrofiadas e
tortas). Eu não poderia usá-las como eu fazia
naquela existência para chicotear e machucar as
pessoas. Essas lembranças que me torturavam, só
vinham em sonho. Eu tinha que conviver sozinho com
essa limitação. É muito triste! (paciente chora
copiosamente)".
- Peço-lhe para que ela vá para o momento de sua
morte nessa vida.
"Senti que tinha que ter passado por tudo isso,
apesar da solidão e de ser incompreendido. Senti
também como se tivesse me libertado de um fardo".
- Pergunto à paciente se ela agora consegue fazer
uma conexão do seu problema da vida atual com a
recordação dessa existência passada...
"Agora fica claro o porquê desse medo de me expor,
de expressar o que penso e sinto. Eu tenho medo de
falhar, de não conseguir expressar adequadamente as
minhas idéias, opiniões, os meus conhecimentos.
Nessa vida passada, apesar de ser uma pessoa lúcida,
não conseguia expressar os meus pensamentos e
sentimentos por conta de minha deficiência.
Eu trago à vida atual as mesmas dificuldades. Tenho
medo de não conseguir me expressar e que as pessoas
não compreendam o que vou falar e riam, zombem de
mim como na existência passada. A cabeça funciona,
mas o veículo da voz, da articulação verbal não
funciona direito. Eu penso de uma forma e na hora de
verbalizar eu não expresso fielmente aquilo que
gostaria de falar.
Sinto a mesma sensação de frustração daquela vida
passada quando queria expressar os meus pensamentos
e não conseguia".
Na sessão seguinte, a paciente me disse que saiu
daquela sessão muito pensativa. Ficou muito surpresa
ao descobrir que fora uma pessoa abobalhada.
Disse-me que estava se sentindo bem melhor, como se
tivesse se livrado de um peso em suas costas. Sentia
que tinha se libertado de alguma coisa, embora não
soubesse me explicar do quê.
Após ter passado por mais 6 sessões de regressão, a
paciente compartilhou comigo sua alegria dizendo que
estava se expressando de forma mais livre, se
sentindo mais à vontade com as pessoas,
principalmente em grupo.
No final do tratamento, uma vez que o seu bloqueio
emocional havia sido removido, recomendei à paciente
que se expusesse com mais freqüência em grupo para
desenvolver suas habilidades em se comunicar.
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