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A luz que cura
Osvaldo Shimoda
“Eu estou na luz. Eu sou a luz.
A luz está em mim.
A luz sou eu.
O Homem que tenha entendido esta Verdade
Torna-se uno com o Absoluto”.
Bhagavan Sai Sathya Sai Baba
Certa ocasião uma paciente me procurou angustiada
querendo saber o seu verdadeiro propósito de vida.
Ao regredir viu uma linda Luz dourada, redonda.
Intuitivamente pedi para que ela conversasse com
essa Luz e lhe perguntasse qual era o seu real
propósito de vida.
A Luz - para surpresa minha e da paciente -,
instruiu-a, dando-lhe conselhos espirituais,
orientando-a em relação à sua vida pessoal e
profissional, e até mesmo fez previsões corretas
sobre acontecimentos futuros (paciente me
confirmou posteriormente esses eventos) com tal
profundidade e sabedoria, que nós dois ficamos
simplesmente atônitos e encantados. No final da
sessão, a surpresa se tornou ainda maior quando a
paciente perguntou à Luz se ela poderia se
identificar. A Luz respondeu: “Sou você na sua
essência”.
Em verdade, a Luz era a sua própria alma, o Eu
Superior da paciente. Desta forma, ficou claro o
quanto a nossa alma é sábia e tem todas as
respostas às nossas indagações e questionamentos.
Ficou claro também para mim o porquê do grande
cientista Galileu Galilei ter dito: “As respostas
às nossas indagações estão dentro de nós”.
Se somos seres de luz, isto é, seres
energéticos, deduzi que outros pacientes
poderiam fazer a mesma coisa, ou seja, indagar as
suas almas acerca daquilo que os afligia.
Realmente, as perguntas formuladas foram
respondidas pelas suas almas de forma rápida,
direta e com muita sabedoria e profundidade. Não
obstante, para a minha surpresa novamente, ao
fazer os pacientes indagarem à Luz acerca da
origem de seus problemas, um ser extra-físico
(espiritual) se materializou, saindo da própria
Luz, se identificando como sendo o seu guia
espiritual. Desta forma, conclui que nem sempre
essa Luz é a nossa alma, e sim, na maioria das
vezes, o(a) mentor(a) espiritual do paciente.
Portanto, em estado alterado de consciência, isto
é, em estado de transe hipnótico, tudo pode
acontecer. “Coincidentemente”, ao ler
posteriormente o livro “A Cura através da Terapia
de Vidas Passadas” (Editora Sextante) do renomado
psiquiatra americano Dr. Brian Weiss, pude
constatar que o mesmo também observou num de seus
pacientes esse diálogo com a Luz.
O Dr. Raymond Moody Jr., renomado Psicólogo da
Universidade de Nevada, em Las Vegas, EUA, autor
dos livros “A Vida depois da Vida” e “A Luz que
vem do Além” (Editora Butterfly) é considerado o
maior especialista mundial nas experiências de
quase morte, que é também chamada na linguagem
médica de morte súbita interrompida, provocada por
doenças cardiovasculares, traumas causados por
acidentes, embolia pulmonar, etc. O coração pára
de funcionar por certo tempo porém, através das
ações dos médicos, volta a funcionar. Nesse
intervalo de tempo em que o coração ficou parado,
muitos pacientes tiveram experiências inusitadas
como: saídas fora do corpo (desdobramentos),
presenças de seres de luz no mundo espiritual e
voltaram dessas experiências profundamente
modificados a seu próprio respeito, quanto às
outras pessoas e sobre a vida em si.
O Dr. Raymond Moody concedeu uma entrevista à
revista “Sexto sentido” e disse o seguinte:
“Quando alguém morre, às vezes as próprias pessoas
presentes entram em dramáticos estados alterados
de consciência virtualmente idênticos às
experiências de quase-morte. Por exemplo, pessoas
que estavam reunidas à cabeceira de um ente
querido, doente terminal, já nos disseram que,
quando do falecimento do doente, elas também
deixaram os próprios corpos. Levantaram-se e
acompanharam o amado durante parte do caminho para
a Luz. Elas puderam vislumbrar os espíritos de
parentes e amigos do recém-falecido vindo
saudá-lo. Às vezes vêem uma luz sobrenatural de
amor envolvendo a elas e ao individuo que está
morrendo”.
Caso Clínico:
Mágoa da mãe.
A paciente me procurou por conta de suas mágoas em
relação às atitudes de sua mãe. Sua mãe sempre foi
agressiva, a ponto de avançar sobre seu pai com
uma faca. Sempre interferiu muito na vida das
filhas, nunca aceitando os seus namorados. A
paciente chegou a ser espancada pela mãe quando
criança, a ponto de ainda achar que a qualquer
momento sua mãe poderia agredi-la e bater em sua
cara. Por conta de sua agressividade, e de querer
controlar sua vida, a paciente resolveu sair da
casa de seus pais para morar sozinha e conseguir
respirar aliviada. Desta forma, guardava muitas
mágoas de sua mãe. Ao entrar em estado alterado de
consciência - em transe alfa -, pedi à paciente
para observar uma linda luz. A paciente me
relatou: “Estou vendo uma luz enorme, é branca e
bem brilhante”.
- Pergunte a ela o que é necessário você saber a
respeito de sua mãe - pedi à paciente.
“Estou numa arena de luta, meus pés estão
descalços, minhas mãos são grandes e grossas. Sou
homem, minha pele é bronzeada. Estou sem camisa,
meus cabelos e o meu nariz são grossos. Devo ter
uns 25 anos, seguro uma arma, na extremidade tem
uma seta. Estou dentro da arena e vou lutar. Vejo
muitas pessoas gritando para ver o espetáculo e
existe um líder, parece ser o Rei que está sentado
numa poltrona”.
- Avance mais para frente nessa cena – peço-lhe.
“Estou lutando com um outro guerreiro, e acabo
matando-o. Ganhei a luta. Faço reverências ao Rei
e já posso sair da arena”.
- Como você se sente? – pergunto-lhe.
“Essas lutas são um meio de sobrevivência. A época
é depois de Cristo, depois de sua crucificação
(pausa). Agora estou me vendo numa taberna,
bebendo, comendo. Eu vim como homem nessa
existência passada porque como mulher - numa
existência mais remota - fui muito mandada. Eu
pedi para vir como homem, como um guerreiro, para
ser dono da minha vida. Mas é difícil, o meu
espírito está perdido, estou seguindo a vibração
do tempo, da época. Não consigo me elevar
espiritualmente, a energia é muito baixa, bebo
vinho, como carne, me tornei um pouco brutalizado.
Ouço falar de Cristo, mas tenho uma vaga impressão
dele”.
- Avance mais para frente nessa cena - peço-lhe.
“Agora estou num mausoléu e ouço um homem falar de
Jesus que passou na Terra. Ele prega o amor da
vida de Jesus e diz que ele morreu por nós. Estou
nos fundos ouvindo-o falar. Eu sinto que tenho que
abraçar o Cristianismo, mas o meu chefe não me
deixa porque sou um guerreiro. Eu me sinto muito
bem no meio dos cristãos. Agora eles estão orando,
são pessoas boas”.
- Avance mais para frente nessa cena - peço-lhe.
“Eu sinto que o meu chefe é a minha mãe da vida
atual. Eu converso com ele falando que quero
abraçar a causa cristã. Mas ele não me deixa, é
autoritário. Para ele, abraçar a causa cristã é
coisa de gente “idiota”, “desmiolada”. Ele é capaz
de me matar se eu me converter ao cristianismo,
porque sou escravo dele. Mas por fim eu consegui
me libertar. Eu não vou mais voltar para lá.
Consegui fugir, agora estou com eles, não sou mais
escravo, sou um cristão. Sinto que o meu chefe
ficou com muita raiva de mim” (pausa).
- Avance mais pra frente nessa cena - peço à
paciente (pausa).
“Agora estou na arena de novo, mas não sou mais um
guerreiro, estou no meio de vários cristãos. Vamos
ser parte de um espetáculo de novo, mas desta vez
estou sem arma. Visto uma roupa de panos, mas como
tenho experiência como guerreiro, vou poder
ajudá-los. Estou descalço, o chão está bem quente,
o sol bem forte. Eles jogam carne próximo de nós.
Estamos no meio da arena, tem crianças, mulheres,
velhos. Não estou com medo, tenho experiência e
vou poder ajudá-los (pausa). Oh, meu Deus!!! Os
leões estão dentro da arena, tento lutar com eles,
um deles me pegou pelo pescoço (paciente grita
chorando). Acho que morri (pausa).
- Veja o que acontece com você após sua morte
física - peço-lhe.
“Eu queria ter ajudado aquelas pessoas, mas não
consegui porque estava sem arma. Vejo agora uma
luz branca, estou indo em direção a ela (pausa).
Agora eu me levantei de uma cama. Meu mentor
espiritual está na minha frente. Parece que o meu
corpo (espiritual) já está restabelecido. Ele me
fala que deu tudo certo. Disse que nessa
existência passada eu precisava abraçar a causa
cristã. Eu morri como cristão e daqui para frente
vou estar com Cristo para sempre e ter a proteção
dele. Por muito pouco não consigo o meu propósito,
por causa da minha mãe, que era o meu chefe nessa
existência passada”.
- Pergunte ao seu mentor o que ele tem a dizer em
relação a sua mãe - peço-lhe.
“Ele diz que estou um pouquinho na frente dela em
relação à minha evolução. E que devo ajudá-la na
vida atual em orações, pensamentos positivos e com
bastante carinho porque ela também vai evoluir. É
preciso ter bastante paciência com ela, pois ela
também é filha de Deus. Diz que eu me choco com
ela porque nós duas temos espírito de guerreiro,
mas que Cristo também vai tocar no coração dela. O
meu mentor diz que todos somos luz e que vamos
caminhar para a Luz Maior, subir para essa Luz na
hora do desencarne, mas que precisamos tirar na
vida terrena os hábitos inferiores do ego”.
- Pergunte para ele a que se deve o desequilíbrio
de sua mãe - pedi à paciente.
“Ele diz que a minha mãe está se desenvolvendo e
que ela precisa cuidar dos hábitos inferiores tais
como julgar as pessoas e querer impor as suas
vontades, por exemplo. Eles estão trabalhando para
alinhar os seus chacras. Ele diz também que com a
fé em Cristo irei conseguir ser um instrumento do
Mestre (paciente começa a chorar intensamente).
Diz que já estou sendo um instrumento dele, que
estou sendo guiada”.
- Pergunte então a ele qual o seu verdadeiro
propósito de vida?
“Eu vim harmonizar a minha família, é como se eu
fosse um estabilizador. Eu vim também para
ascender nessa vida atual. Ascender é me libertar,
porque o processo cármico com a minha mãe zerou,
estou livre. Se eu quiser ajudá-la, vou poder
fazer isso de livre e espontânea vontade. Ele diz
também que vão ajudar a minha mãe a se libertar de
seu passado”.
Após passar por mais quatro sessões de regressão,
pedi à paciente perguntar ao seu mentor se havia a
necessidade de continuar com a terapia regressiva.
A paciente me disse:
“Ele está lhe agradecendo por tudo ter dado certo
nesse tratamento e que a Luz esteja convosco por
toda a eternidade”.
Após o tratamento, a paciente me contou que sua
mãe pela primeira vez foi visitá-la em seu
trabalho, sua agressividade tinha diminuído
bastante, e que ela estava procurando viver sua
vida ao invés de viver a vida das filhas. Feliz,
ela me disse que estava se sentindo livre e que
não tinha mais mágoas de sua mãe. |