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Marcas de Nascença
Osvaldo Shimoda
As marcas ou sinais que muitas pessoas
trazem no corpo podem ter sido causadas
por acidentes ou ferimentos no momento
de suas mortes em uma vida passada.
Certa ocasião, um paciente, após ter
regredido e revivenciado sua morte ao
levar um tiro no peito numa existência
passada, mostrou-me em seu peito uma
marca cutânea com aspecto de cicatriz
produzida por um projétil. Ele me contou
que havia nascido com essa cicatriz e
sempre se sentia intrigado por ter
nascido com essa marca. Outra paciente
me disse que quando ficava abalada
emocionalmente, em situações de stress,
costumavam aparecer cicatrizes em seu
rosto - bem evidentes - e depois
desapareciam. Tais cicatrizes tinham o
aspecto de um risco feito por uma faca.
Ao regredir, recordou que seu marido
ciumento a feriu gravemente no rosto com
uma faca numa existência passada.
Portanto, fica evidenciado nesses dois
casos acima mencionados, que as
experiências traumáticas que esses
pacientes passaram em suas vidas
passadas, ficaram "impressas" em seus
psicossomas (perispíritos) vindo a
reencarnar com essas marcas. Da mesma
forma, se uma pessoa morre subitamente,
assassinada ou em desastre, ela pode
reencarnar com determinadas marcas e
cicatrizes em seu corpo e se recordar
com clareza sobre ter vindo com essas
marcas de nascença.
Recordações vinculadas a marcas de
nascimento ("birth marks") vêm sendo
pesquisadas dentro de uma metodologia
científica para se analisar a hipótese
da reencarnação. Dos pesquisadores de
reconhecida idoneidade cientifica que se
dedicam à investigação de recordações
espontâneas de vidas passadas, através
dessas marcas de nascença, dois nomes
devem ser lembrados (ambos falecidos):
O Dr. Ian Stevenson, que foi Diretor do
Departamento de Psiquiatria e Neurologia
da Escola de Medicina da Universidade de
Virgínia, nos EUA, e o Dr. Hernani
Guimarães Andrade que foi Presidente do
Instituto Brasileiro de Pesquisas
Psicobiofísicas, em Bauru, São Paulo.
Stevenson investigou mais de três mil
casos possíveis de reencarnação,
baseando-se em depoimentos de crianças
com recordações de vidas passadas
vinculadas a marcas de nascimento, que
perduraram até perto da puberdade.
Escreveu o livro "Vinte Casos Sugestivos
de Reencarnação" (1971- Editora Difusora
Cultural).
Stevenson e sua equipe entrevistaram
essas crianças e os resultados obtidos
foram tão impressionantes que grande
parte da comunidade cientifica - cética
a respeito da tese da reencarnação -
ficou abalada em suas convicções.
Hernani Guimarães Andrade foi
considerado um dos maiores cientistas do
mundo em assunto de reencarnação;
respeitadíssimo pela comunidade
cientifica internacional, também
entrevistou inúmeras crianças com
recordações vinculadas a marcas de
nascimento. Escreveu o livro
"Reencarnação no Brasil: Oito Casos que
Sugerem Renascimento". (1988, Ed. O
Clarim).
Caso Clínico: Crise de Pânico
Mulher de 40 anos, casada.
Veio ao meu consultório por conta de sua
síndrome do pânico. Ao entrar em crise,
sentia taquicardia, ansiedade, falta de
ar, tristeza profunda e medo de morrer.
Desta forma, ao sair de casa ficava
tensa, ansiosa e muito insegura de
passar por uma crise e não ter ninguém
para ajudá-la. Andava sempre com um
remédio ansiolítico em sua bolsa.
Desde criança tinha bronquite alérgica,
falta de ar e esse quadro clínico se
fundiu com as crises de pânico que
passou a sofrer na fase adulta.
Além dos tratamentos médicos e
psicológicos, chegou a procurar um
centro espírita para resolver o seu
problema e os resultados não lhe foram
satisfatórios.
Ao ler os meus artigos no "Somos Todos
um", renovou suas esperanças de se curar
ao me procurar para se submeter à TVP
(Terapia de Vida Passada).
Ao regredir me relatou:
"Vejo uma estrada de asfalto, árvores
todas brancas de neve" (pausa).
- Avance mais para frente nessa cena -
peço-lhe.
"Estou andando numa bicicleta, parece
que tem um bebê na garupa. É o meu
filho, está muito frio. Estou usando um
casaco, é uma estrada comprida e sem
movimento (pausa).
Agora vejo uma casa, deixei a bicicleta
no canto desta casa e estou segurando o
meu filho no colo. Estou indo a
encontrar uma família. Vejo uma senhora
de cabelos grisalhos que me recepcionou.
Ela é forte, robusta, parece ser a dona
da casa. Coloco o meu filho no chão, e
ele corre para brincar com outras
crianças. Eu converso muito com essa
senhora. O pai da criança não está
presente; ele não é presente na minha
vida" (pausa).
- Avance mais para frente nessa cena -
peço-lhe.
"Estou vendo uma casa, ela está em
chamas. Não sei se é a mesma casa...".
- Aproxime-se então dessa cena para ver
se é a mesma - peço-lhe.
"Acho que é. O fogo está agora num
estágio bem avançado. Aquela senhora
está dentro da casa. Agora estou
correndo, indo na direção dela. Não tem
ninguém para me ajudar. Sinto que eu
preciso fazer alguma coisa (pausa).
Estou agora entrando na casa, é muito
fogo, muita madeira pegando fogo. Eu
olho e não consigo encontrá-la. A escada
quebrou e ela está no andar superior.
Estou muito desesperada (paciente começa
a respirar fundo).
Ouço-a gritar, pedindo ajuda; não sei o
que fazer. Falo para ela que vou
ajudá-la, mas, meu Deus, não tem mais a
escada, o fogo a consumiu! Está
desmoronando tudo, não sei o que faço!
Tenho a impressão de que não tem mais
nada a fazer. Ela ficou lá, vai morrer
queimada, tem muito fogo! Eu não consigo
sair desta casa, há muito fogo"!
(pausa).
- Avance mais para frente nesta cena -
peço-lhe.
"Há muita fumaça, está muito quente o
local. Não vou conseguir sair... Sei que
vou morrer, eu me sinto sufocada".
- Repita está frase: "Eu me sinto
sufocada!" - peço-lhe (paciente repete a
frase e começa a chorar intensamente).
"As madeiras em chamas estão caindo em
cima de mim, não consigo me mexer
(paciente chora e tosse muito). Estou
com muita falta de ar, sei que vou
morrer aqui. A fumaça está muito forte,
estou desmaiando, sinto muita falta de
ar".
- Prossiga nessa cena e veja o que
acontece com você - peço-lhe.
"Eu morri debaixo desse entulho de
madeira". (pausa).
- Quais foram seus últimos pensamentos e
sentimentos no momento de sua morte? -
Peço-lhe.
"Senti muita falta de ar, impotência,
desespero e ansiedade. Veio também o
pensamento de que não consegui tirá-la
de lá (pausa).
Ela era a minha avó nessa vida passada e
na vida atual é a minha mãe. Eu sentia
muita admiração, carinho por ela"
(pausa).
- Veja o que acontece com você após sua
morte física - peço-lhe.
"Eu me vejo de cima, estou voando em
cima da sala onde eu morri. Sinto-me
atordoada, não acredito ainda que estou
morta lá embaixo. Mas tenho consciência
que estou em espírito. Eu procuro a
minha avó, vejo o corpo dela lá embaixo.
Eu me aproximo dela e não acredito que
ela esteja morta. Eu me sinto atordoada,
sei que o meu corpo está lá embaixo, mas
não consigo vê-lo porque tem um monte de
entulho de madeiras em cima dele. A casa
está toda destruída (pausa).
Vejo agora uma luz me tirando da casa.
Eu peço a esta luz para tirar também a
minha avó.
Agora estamos subindo, vejo a casa bem
pequena, de cima. Estamos voando, a luz
me leva pelos braços. A minha avó não
veio, ela ficou".
- Veja para onde a luz te leva -
peço-lhe.
"Ela me leva para perto de um lago. Eu
me sinto mais calma, estou sozinha nesse
lago. Não consigo me ver, mas sinto o
meu corpo. Tenho a impressão que eu
estou sentada na beira, balançando as
minhas pernas dentro da água. É um dia
bem ensolarado".
- Avance mais para frente nessa cena -
peço-lhe.
"Eu olho para o lago e estou vendo as
nuvens refletidas na água e tem também o
brilho do sol bem forte (pausa).
Na verdade, esse brilho é a luz que me
tirou daquela casa. Eu converso com ela.
Ela me faz ver novamente a cena daquela
casa em chamas. Ela me mostra o quanto
fiquei desesperada para me livrar
daquelas madeiras que caíram por cima de
mim. A luz me diz que a causa dessas
crises de pânico que sinto na vida atual
é conseqüência de eu ter morrido
sufocada e angustiada nessa vida
passada. Eu não consegui me livrar
daqueles entulhos de madeiras que caíram
em cima de mim. Senti muita falta de ar,
enorme desespero por não conseguir sair
daquela situação.
Morri asfixiada. Foi uma sensação de
descontrole, desespero total; eu me
senti impotente. Não dependia mais de
mim o fato de viver. Essa luz diz que eu
tenho que entender que isso é uma
lembrança ruim, mas que tudo passou e
que não irá mais acontecer comigo. Ela
diz ainda que eu irei entender aos
poucos que não vou mais sentir essas
crises, para eu não me preocupar.
A Luz diz também que o trabalho de
regressão foi bem conduzido
(referindo-se a mim).
Após passar por mais quatro sessões de
regressão, a paciente me disse contente
que não sentiu mais taquicardia, falta
de ar, ansiedade e que aquela tristeza
profunda havia desaparecido por
completo. Seu semblante estava bem
sereno, contrastando com o que ostentava
quando veio me consultar inicialmente.
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