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Você é teimoso ou
perseverante?
Osvaldo Shimoda
Qual é a diferença entre teimosia e a
persistência?
Quando é que estamos sendo
perseverantes, determinados, firmes
em nossos propósitos sem esmorecer ou
sendo teimosos, como uma "mula
velha", que empaca, não desiste, apesar
das evidências dos fatos provarem que
estamos no caminho errado?
Você lembra do Felipão (técnico da
seleção brasileira de futebol) que
apesar das pressões da mídia e dos
torcedores em convocar para o seu time o
craque Romário, em nenhum momento cedeu
a essas pressões...
Não colocou o jogador e ainda por cima
acabou ganhando a Copa Mundial de
futebol e se tornou Pentacampeão. No
entanto, antes dessa conquista foi
xingado, rotulado de "burro", "teimoso".
Após a conquista, foi ovacionado,
aplaudido, venerado pelos mesmos
detratores. Agora, se ele tivesse
perdido o campeonato, a história seria
outra... Em verdade, o rótulo de
"teimoso" foi logo esquecido pelo
resultado positivo que alcançou.
Assim também ocorreu com os grandes
inventores, músicos, romancistas,
pintores. Muitos só foram reconhecidos e
consagrados após sua morte. Thomas
Edison, o grande inventor, tinha o
desejo ardente de iluminar o mundo.
Muitos o rotularam de "louco",
"lunático". Para ele inventar a lâmpada
tentou inúmeras vezes, e, apesar do
insucesso contínuo, não desistiu. Foi
teimoso ou perseverante?
Então, o que é ser teimoso e
perseverante? Qual a diferença? Segundo
o dicionário Aurélio, perseverante
é aquela pessoa que "procura
conservar-se firme e constante,
permanecer sem se mudar ou variar de
intento. E teimoso é aquele que
"teima exagerado; é obstinado;
insistente; birrento; boneco que um peso
na parte inferior obriga a estar sempre
de pé (O 'João teimoso').
Por esta definição fica claro que, em
muitos casos, existe uma linha tênue,
muito fina para sabermos distinguir a
teimosia da perseverança. Em outras
palavras, quando é que deixamos de ser
perseverantes e começamos a ser
teimosos? No meu entender, a diferença
está no resultado. Ser teimoso é
persistir nos mesmos erros, em algo que
não funciona, que não o(a) deixa feliz.
É resistir à verdade e cultivar a
ilusão. É continuar a fazer algo que
o(a) infelicita e que produz dor e
sofrimento.
Quando um paciente me pergunta o porquê
de sua infelicidade, eu costumo lhe
responder: "Existe aí uma teimosia de
sua parte que se recusa em mudar, em se
desapegar de uma ilusão". É por isso que
o grande mestre Jesus costumava dizer:
"A verdade vos libertará". O
contrário, a ilusão (mentira,
ignorância, teimosia), nos aprisiona,
gera dor e sofrimento. É comum uma
pessoa teimosa não admitir que é teimosa
e que está, portanto, iludida. Ela não
se julga teimosa, mas alega
categoricamente que é "persistente",
"determinada".
Muitos continuam teimando em suas
idéias, convicções, crenças e atitudes,
mesmo depois de mortos. É comum em meu
consultório aparecerem espíritos
desencarnados durante a regressão do
paciente. Este, por ser médium de
vidência, visualiza esses espíritos
atormentados, perdidos, que não percebem
que estão mortos fisicamente.
Certa ocasião, uma paciente me disse
durante sua regressão, estar vendo uma
entidade espiritual do meu lado. A
paciente a descreveu como sendo uma
mulher aparentando ter uns 30 anos,
vestida com um roupão preto e que estava
de pé nos observando.
- Pergunte a ela o que está fazendo em
meu consultório - pedi à paciente.
Ao perguntar à visitante, ela disse que
estava de passagem e achou muito
interessante a minha "palestra".
- Pedi novamente à paciente
perguntar-lhe se estava consciente de
que estava morta fisicamente.
Indignada, a entidade espiritual
respondeu: "Como morta... se estou
conversando com vocês"?
- Perguntei-lhe então se ela via seu
corpo físico...
Respondeu que, embora não o visse,
sentia o seu corpo.
- Pergunte-lhe ainda se ela sente seus
pés apoiados no chão.
Irritada, respondeu que não, e que não
andava, mas deslizava, flutuava.
Em seguida, disse-nos gritando (segundo
a paciente) que ia embora porque eu
estava "confundindo" sua cabeça. E foi
embora...
Desta forma, fica evidenciada neste
caso, a teimosia, a obstinação da
entidade espiritual em querer preservar
sua crença de que não estava morta
fisicamente.
Freud, o pai da psicanálise, chamava de
negação esse mecanismo de defesa
psíquico do ser humano em não querer
aceitar sua nova realidade de vida.
Portanto, é óbvio que uma pessoa que
defende o intelectualismo materialista,
que acredita que não existe uma vida
após a morte, tende a continuar
defendendo a sua crença obstinadamente,
mesmo desencarnada.
Neste sentido, podemos afirmar que uma
pessoa está sendo teimosa quando
resiste, recusa em saber a verdade dos
fatos, preferindo cultivar a ilusão. É
evidente que, por conta de sua
inflexibilidade, irá colher o fruto da
dor e do sofrimento.
Caso Clínico: Vontade de Morrer.
Mulher de 50 anos, viúva.
Desde criança, sempre teve vontade de
morrer, embora não soubesse o porquê. Na
sua adolescência, um incidente agravou
mais ainda a sua insatisfação em querer
viver. Seu cunhado (marido de sua irmã
mais velha) tentou estuprá-la. Ao contar
o ocorrido para sua mãe e irmã, ambas a
acusaram que ela se "insinuou" de forma
provocativa ao cunhado.
Após o incidente, por não ter o apoio
familiar (ao contrário, foi rotulada,
taxada de "sem vergonha"), acabou
tentando o suicídio (tomou 40
comprimidos) e foi parar no hospital.
Felizmente, sobreviveu sem nenhuma
seqüela física. Mas não tinha ânimo,
vontade de viver. Ao regredir me
relatou: "Estou deitada no caixão, estão
jogando terra para me enterrar, mas eu
ainda estou viva! (grita).
Sinto falta de ar, eu quero sair daqui!
(começa a gritar e a chorar
desesperadamente). Sinto desespero, eu
não consigo respirar, eu quero sair
daqui! Eu quero sair daqui! (pausa).
Agora estou enxergando uma luz branca e
azulada. Sinto o ar mais suave, consigo
respirar melhor. Mas continuo sentindo
que estou deitada. Vem uma sensação de
paz e tranqüilidade"
(pausa).
- Volte antes dessa cena para ver o que
foi que aconteceu com você - peço-lhe.
"Vejo um campo, um pasto bem verde, não
vejo casas, só verde".
- Você consegue se ver nessa cena -
pergunto-lhe.
"Sim. Uso um vestido antigo, é simples,
mas é bonito. Sou clara, minhas mãos são
finas, dedos longos, meus cabelos são
ruivos. Sou bonita, devo ter uns 19
anos".
- Que lugar é esse onde você está -
pergunto-lhe.
"Agora estou vendo uma aldeia, as casas
são simples, os telhados são baixos,
cobertos com palhas secas. Os moradores
estão dentro dessas casas".
- Avance mais para frente nessa cena -
peço-lhe (pausa).
"Aaaiii! (paciente grita), uma mulher
está me espancando e me xingando! Ela me
xinga falando palavrão. Ela é magra,
feia, deve ter uns 50 anos. Parece ser
uma camponesa".
- Quem é essa mulher - pergunto-lhe.
"Ela é a minha mãe (minha irmã na vida
atual). Apesar de ela ser a minha mãe,
não gosta de mim. Sinto que ela tem
inveja da minha beleza. Por isso, por
qualquer motivo, ela me espanca".
(pausa).
- Avance mais para frente nesta cena -
peço-lhe.
"Aaaiii! (paciente grita novamente). Que
homem horroroso, nojento"! (começa a
chorar).
- O que está acontecendo? -
pergunto-lhe.
"Este homem me obriga a fazer sexo com
ele. Ele mexe no meu corpo e eu não
gosto. Ele é grosseiro, nojento! Eu
prefiro morrer a fazer sexo com ele"!
- Quem é esse homem - pergunto-lhe.
"Ele é meu padrasto, é um homem que a
minha mãe arrumou. Eu não tenho pai, ele
morreu quando eu era criança. Esse homem
asqueroso mora com a gente. Ele vive me
molestando (pausa). Ele está me pegando
no paiol, me faz coisas horrorosas, ele
me abusa sexualmente, mas eu vou
matá-lo! (paciente fala com ódio). Eu me
sinto suja, imunda! (grita chorando). Eu
faço coisas que não quero. Minha mãe
sabe que ele me abusa, mas não faz nada.
Mas eu vou matá-lo, desgraçado!
Miserável, miserável"!
(grita e chora intensamente).
- Avance mais para frente nessa cena -
peço-lhe (pausa).
"Eu peguei o machado e meti na cabeça
dele. Minha mãe viu a cena no paiol e me
deu uma paulada na cabeça e fiquei
tonta". (pausa).
- Prossiga nessa cena - peço-lhe.
"Eu fui enterrada viva. Os homens da
aldeia me enterraram viva. Minha mãe
falou a eles que eu estava morta. Eu
acordei dentro do caixão. Foi por isso
que senti falta de ar, angústia no
início da regressão".
- Vá agora para o momento de sua morte e
perceba quais foram os seus últimos
pensamentos e sentimentos - peço-lhe.
"Após passar pela angústia e desespero
pela falta de ar no caixão, eu morri
(pausa).
Vem agora a sensação de liberdade. Ele
não vai mais me molestar".
- Veja o que acontece com você após sua
morte física - peço-lhe.
"Eu fui levada para um lugar onde tem
paz. Estou agora vestindo uma túnica com
tecido grosso. Não enxergo os meus pés,
pois o vestido é cumprido, mas sinto que
estou descalça".
- Quem te levou para esse lugar -
pergunto-lhe.
"Vejo um homem que me conhece há muito
tempo. Ele é alto, meia idade, olhos
amendoados, tem uma fisionomia serena.
Ele veste uma camisa rústica e uma calça
de sarja simples. Nós saímos voando,
flutuando. Ele me conduz pelas mãos como
se desse um impulso para voar. Eu o sigo
ao seu lado (pausa). Agora ele me coloca
num lugar tranqüilo, com muitas árvores,
mas não vejo pessoas. Ele fala que eu
preciso descansar.
- Você o conhece? - pergunto à paciente.
"Ele é o meu mentor espiritual".
- Pergunte para ele qual a causa de sua
insatisfação, de não querer viver na
vida atual - peço à paciente.
"Ele diz que a minha insatisfação na
vida atual é decorrente dessa culpa,
dessa sensação de me sentir suja, que eu
ainda carrego no meu perispírito (corpo
espiritual), por conta desse abuso
sexual que sofri nessa vida passada. Ele
me explica que esse abuso se repetiu na
minha adolescência na vida atual. Como
resgate carmico, minha mãe veio como
minha irmã na vida atual e o meu
padrasto da vida passada hoje veio como
meu cunhado. O resgate carmico de todos
consiste em nos perdoarmos mutuamente.
Ele diz que a lei divina nos convida a
resgatar os valores internos de bondade
e caridade. Diz ainda para eu viver um
dia de cada vez, sem me preocupar
demasiadamente com o futuro (paciente
confessa que é muito preocupada). É como
descer cada degrau, um degrau por vez e
que tudo virá ao seu tempo. Portanto,
diz para eu não me preocupar. Poderão
vir tempestades, mas o sol sempre
nascerá. Fala para eu confiar na vida e
que ele estará sempre do meu lado".
Após passar por mais quatro sessões de
regressão, a paciente me disse que não
tinha mais vontade de morrer, pois
compreendeu que aquela culpa por ter
sofrido o abuso sexual pertencia ao
passado. Sentia que havia soltado alguma
coisa de suas costas, se libertado de um
peso muito grande. Estava se sentido
livre, mais disposta em viver.
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