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Em busca de
um relacionamento
satisfatório...
Osvaldo
Shimoda
Este artigo é fruto da minha
experiência com pacientes que
vêm ao meu consultório com
problemas de relacionamento
amorosos frustrantes e,
portanto, insatisfatórios.
Desta forma, as queixas e
indagações mais comuns são
essas:
"Por que os meus relacionamentos
amorosos não dão certo"?
"Sei que esse relacionamento me
faz sentir infeliz e que devia
terminar tudo, mas o problema é
que eu não consigo".
"Por que saí de um
relacionamento negativo,
destrutivo, para entrar em outro
semelhante? Percebo que não é a
1ª vez que entro nesse tipo de
relacionamento".
"Por que só atraio homens que me
desvalorizam, que são
agressivos, egocêntricos,
possessivos e mesquinhos de
afeto"?
"Embora eu saiba que esse
relacionamento não vai me levar
a lugar nenhum, o que me faz
ficar preso a ele"?
"Por que não consigo me entregar
num relacionamento amoroso? Não
consigo me apaixonar por
ninguém".
Muitos tentam explicar a causa
de seus relacionamentos amorosos
desafortunados ao binômio
sorte e azar atribuindo
desta forma sua origem a um
fator casualístico e não
causalístico. Ignoram,
portanto, a lei da causalidade,
isto é, de que tudo na vida
segue o princípio de causa e
efeito.
Por outro lado, no meu entender,
um relacionamento amoroso é
satisfatório quando há uma
reciprocidade de afeto,
interesses, compromisso e
alegria na existência do outro.
Em outras palavras, aqueles que
têm um bom relacionamento
amoroso se sentem alegres e
reconfortados de terem um
parceiro(a) em quem podem
confiar bem como compartilhar a
sua vida.
Desta forma, é preciso sair da
superficialidade e irmos mais a
fundo para entendermos o que
infelicita as pessoas nos seus
relacionamentos amorosos. Eu
costumo esclarecer os meus
pacientes que os relacionamentos
humanos existem para propiciar
mudanças internas, ou seja,
mudar os padrões de pensamento,
os sentimentos e as atitudes
inadequados e que o sofrimento é
fruto do quanto teimamos em não
aprender as nossas respectivas
lições, ou seja, em não
querermos "enxergar" aquilo que
precisamos transformar
internamente.
Visto por esse ângulo, podemos
dizer que as pessoas que sofrem
do ponto de vista amoroso, não
percebem que estão alienadas de
si mesmas - distantes de si -
não "querendo" entrar em contato
consigo mesmas.
Caso Clínico:
Dificuldade de criar vínculos
afetivos
Mulher de 35 anos, solteira.
A paciente veio ao meu
consultório por não conseguir se
vincular afetivamente a nenhum
homem. Atraia sempre homens que
também tinham dificuldade de se
entregar e criar vínculos
amorosos. E se aparecia alguém
disposto a se envolver, acabava
o namoro por destratá-lo e
agredí-lo. Portanto, era incapaz
de amar.
Ao regredir me relatou:
"Estou angustiada (paciente
coloca as mãos na garganta e
começa a tossir). Vejo um homem
apertando o meu pescoço, ele
briga comigo".
- Você consegue vê-lo -
pergunto-lhe.
"Ele é moreno, usa uma
costeleta, é meio calvo, veste
uma blusa com manga fofa,
branca. Eu sou loira, tenho
cabelos cumpridos, meu vestido é
branco, comprido, devo ter uns
20 anos. Eu brigo com ele porque
está me traindo com outra mulher
(pausa). Ele quer me deixar para
ir morar com ela. Eu sinto ódio
dele porque me despreza, me
rejeita. Ele se apaixonou por
ela. Alguém veio me contar e me
disse que o viu com essa mulher
(pausa).
Vejo agora uma taberna suja,
onde as pessoas se divertem e
bebem. Ele está com uma mulher.
Bebe muito, gosta de uma farra
(pausa).
Estou no meu quarto esperando
ele chegar, mas estou com medo
porque ele sempre me espanca.
Ele não queria casar comigo
porque gostava daquela mulher.
Eu forcei uma situação para ele
casar comigo. Ele a namorava e
eu o seduzi. No dia do meu
casamento, eu estava radiante de
felicidade, mas percebi que ele
estava infeliz porque continua
gostando dela. Eu tenho vontade
de matá-la!
Eu sou uma pessoa poderosa,
tenho dinheiro, os homens têm
que cair aos meus pés, mas
quando isso acontece, eu os
desprezo.
Mandei matar aquela mulher!
Depois disso, ele começou a
beber. Mas ele suspeitava que eu
fosse a mandante do crime. Eu me
arrependi depois; percebi que
não gostava dele. Na verdade, eu
o quis por um capricho.
Tomei consciência de que tinha
prejudicado a vida de duas
pessoas. Passei a ficar
atormentada. Acabei ficando
sozinha porque ele foi embora.
Antes de sua partida, contei-lhe
ter sido a mandante do
assassinato. Quando ele chegava
bêbado, me batia; então uma vez
contei a cruel verdade. Ele
resolveu ir embora e acabou se
tornando um bêbado de rua. Sinto
muita culpa por ter destruído o
amor deles".
- Vá para o momento de sua morte
nessa vida passada - peço-lhe.
"Morri muito angustiada, com
muito remorso. Eu queria que ele
me perdoasse, queria uma
oportunidade para reparar os
meus erros. Achava que não
merecia ser feliz. No momento de
minha morte, passou uma cena
como fosse um filme, com
lembranças da minha infância. Na
verdade, fomos criados juntos.
Por isso, gostava dele como um
amigo e não como um homem.
Quando aquela mulher entrou na
vida dele, eu não queria
perdê-lo. Eu era muito
possessiva".
- Você consegue agora
estabelecer uma relação dessa
existência passada com a sua
dificuldade na vida atual de se
entregar num relacionamento
amoroso? - pergunto-lhe.
"Sim. Eu destruí um
relacionamento amoroso entre
duas pessoas e trago para a vida
presente esse sentimento de
autopunição, de achar que não
mereço ser feliz. Por isso, eu
agrido, destrato os homens que
se interessam por mim. Eu não me
permito ter um relacionamento
amoroso feliz. Reconheço o meu
marido dessa existência passada
como sendo o meu amigo de
infância da vida atual. Percebo
agora, que da mesma forma que na
vida passada fomos criados
juntos, a história se repete:
fomos também amigos de infância
na vida atual. Posteriormente,
eu o levei para trabalhar na
minha empresa. E foi ali que o
apresentei a uma colega de
trabalho. Ela é aquela mulher
que ele gostava naquela
existência passada. Eles
começaram a namorar. Agora estou
entendendo, acabei juntando os
dois. Em verdade,
inconscientemente a minha alma
sabia que eu tinha um débito
cármico com o casal. Como eu os
tinha separado no passado, a
minha missão era uni-los na vida
atual. E estou percebendo agora
que consegui fazer isso".
No final da sessão, a paciente
me compartilhou a sua felicidade
por tê-los unido. Estava se
sentindo bem, sem sentir mais
culpa pelos erros cometidos em
seu passado. Disse-me que tinha
a impressão que havia tirado um
peso enorme de suas costas.
Depois de passar por mais quatro
sessões de regressão,
confidenciou que alguma coisa
havia mudado em seu
comportamento. Não sentia mais
necessidade de destratar os
homens que se interessavam por
ela.
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