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Dependência
Afetiva...
Osvaldo
Shimoda
Da mesma forma que um viciado em
drogas, álcool ou jogos, este
ser é normalmente incapaz de se
livrar dessa dependência; o
"viciado afetivo" também se
sente incapaz de sair de um
relacionamento afetivo ruim e
destrutivo.
Na entrevista de avaliação
percebo que a queixa de um
dependente afetivo não difere
muito daquela de um dependente
químico (viciado em drogas) em
relação à sua incapacidade de
sair dessas ligações tóxicas.
As frases mais freqüentes que
costumo escutar dos meus
pacientes são: "Quando ele liga
para mim não consigo dizer não.
Depois, como sempre, ele some e
fico com muita raiva por não ter
dito não".
"Fico pensando o tempo todo
nela. Não consigo me concentrar
em outra coisa".
"Toda vez que penso em terminar
esse relacionamento, entro em
pânico".
"Quando ele não me telefona,
tenho crises de choro, angústia,
insônia, falta de apetite (ou
excesso), depressão e
incapacidade de me concentrar".
Existem ainda aquelas pacientes
que me relatam que já perderam
as contas de quantas vezes
romperam o relacionamento e
voltaram a reatar por não
conseguir ficar sem o parceiro.
Uma paciente me confidenciou no
inicio da terapia que chegava a
sustentar o namorado pagando
todas as suas contas e chegou a
entrar em pânico, pedindo aos
prantos, de joelhos, para que
ele não a deixasse.
Desta forma, o desespero dela em
não mais tê-lo era tão grande,
que chegou a perder sua própria
dignidade e seu amor próprio,
passando a mendigar afeto.
Desde a época em que eu era
estudante de psicologia, ficava
me questionando o porquê do ser
humano, apesar de estar em
primeiro lugar entre todos os
seres da Natureza, mostra esta
fragilidade emocional.
Os animais desde cedo se
desvinculam de seus pais e
normalmente, se insistirem em
continuar a querer mamar além do
tempo necessário, levam uma
patada da mãe. Por outro lado,
nós, seres humanos, somos muito
frágeis e, durante muito tempo,
totalmente dependentes de nossos
pais.
Chamamos de simbiose primária
quando há uma relação de
dependência (saudável) entra a
mãe e o nenê, da mesma forma
como ocorre em todos os seres do
reino animal. Por outro lado,
denominamos de simbiose
secundária quando a
dependência (recíproca) continua
e, em muitos casos, vai até o
final da vida. Este tipo de
dependência só existe entre os
humanos, não ocorrendo com as
outras espécies do reino animal.
Desta forma, na simbiose
secundária, muitos homens e
mulheres reproduzem essa relação
parasitária nos seus
relacionamentos amorosos. Assim,
se um homem teve uma mãe
possessiva, autoritária e
controladora, tende a reproduzir
no nível da inconsciência esse
modelo de relacionamento,
buscando mulheres com perfil
semelhante ao da sua mãe.
No caso da mulher, se teve um
pai alcoólatra, dependente da
esposa, em geral a filha tende a
buscar se relacionar com homens
também alcoólatras. É isso que
constato em muitas pacientes em
meu consultório.
Por outro lado, cada pessoa é
única e por este motivo a causa
de seu problema é também
singular. Neste aspecto, só
através do processo regressivo
da TVP (Terapia de Vidas
Passadas), saberemos desvendar,
isto é, abrir a "caixa preta" da
mente e descobrir se a origem da
dependência afetiva vem da vida
atual (infância, nascimento,
útero materno) ou muito mais
atrás, em vidas passadas. Neste
caso, podemos dizer que essa
dependência afetiva é resultado
de um relacionamento cármico
trazido de uma existência
passada.
Caso Clínico: Sentimento de
abandono
Mulher de 27 anos, solteira.
A paciente veio ao meu
consultório por se sentir
incompreendida pelas pessoas,
sentindo-se irritada, ansiosa e
tensa. Costumava remoer
acontecimentos de seu passado
(guardava muitas coisas ruins) e
não conseguia se livrar deles.
Irritava-se profundamente com as
"coisas erradas" das pessoas.
Sua tensão, ansiedade,
preocupação no seu dia-a-dia
geraram tendinite nos joelhos,
braços, pulsos e ombros,
baixando também sua resistência
imunológica e isso a fazia ficar
gripada e resfriada
constantemente, bem como
enfrentava crises alérgicas em
forma de eczemas de pele. Dormia
muito mal, tinha um sono muito
agitado, acordava várias vezes
de madrugada. Chorava com
facilidade, sem saber o motivo.
Tinha muita dificuldade de
expressar o que pensava e
sentia.
Ao regredir me relatou:
"Parece que estou dormindo numa
enfermaria. Estou deitada numa
cama, vejo um lençol branco.
Visto um roupão branco".
- Como você se sente? -
pergunto-lhe
"Eu me sinto cansada. O lugar é
claro, estou sozinha. É como se
estivesse na UTI de um hospital.
Eu tenho muita vontade de dormir
(pausa)".
- Avance mais para frente nessa
cena - peço-lhe.
"Agora estou na beira de uma
lagoa, num campo bem amplo. Vejo
uma mulher loira, alta e magra.
Ela está do meu lado, usa um
roupão branco. Eu sou uma
menina, devo ter uns 10 anos.
Sou magra, meus cabelos são
lisos, cumpridos. Uso um vestido
rodado, estou descalça".
- O que você faz nesse lugar? -
pergunto-lhe.
"Eu me sinto impaciente. Tenho
pressa em fazer as coisas. A
mulher diz para eu aprender a
ter mais paciência e não ser
muito ansiosa. Mas eu me sinto
como se estivesse de castigo,
como tivesse que aprender algo
para sair desse lugar. Ela diz
também que eu preciso confiar na
vida".
- Pergunte para ela o porquê de
sua irritabilidade, de se sentir
incompreendida, de ficar
remoendo coisas do passado -
peço-lhe.
"Ela me esclarece dizendo que me
sinto muito sozinha porque fui
abandonada numa existência
passada. Ela diz ainda que esse
problema nas articulações é
porque eu me agrido e que guardo
coisas ruins do passado. Explica
que eu me frustro, fico
desiludida com as pessoas por
conta desse sentimento de
abandono que trago dessa
existência passada e que a minha
ansiedade é decorrente do medo
de vir a ser abandonada
novamente".
- Pergunte quem é ela -
peço-lhe.
"Ela diz que é a minha mãe. É a
mulher que me deixou (Veio a
falecer) quando eu tinha 7 anos
na existência passada. Ela me
deixou com os meus avós
(paciente chora intensamente).
Eu fiquei magoada com ela porque
me senti abandonada, eu era só
uma criança. Diz ela que eu
achei que ela fez de propósito,
me abandonando ao morrer. Então,
eu passei a não confiar nas
pessoas porque me senti
profundamente decepcionada pela
sua partida. Ela fala que eu
ainda brigo com ela em sonho.
Minha mãe pede desculpas pela
sua partida e me esclarece que
foi necessário, pois tinha
chegado a sua hora. Mas ela diz
que me compreende visto que eu
era uma criança e é difícil
aceitar a morte da mãe (pausa).
Agora está dizendo que eu tenho
que ser mais nobre, procurando
entender a sua partida, que a
vida é eterna e que a nossa alma
é imortal. Prova disso é eu
estar conversando com ela
agora".
- Você gostaria de dizer alguma
coisa para ela? - pergunto-lhe.
"Eu peço para ela ficar mais
próxima de mim e que vou tentar
ouví-la mais. Ela diz que sempre
esteve do meu lado, mas eu nunca
a escutei. Eu digo que a amo
(chora intensamente) e que agora
me sinto mais segura e
reconfortada (pausa). Agora ela
está se despedindo de mim".
- Peço então para que a paciente
se despeça de sua mãe.
No término da sessão, a paciente
estava muito emocionada e
percebeu o quanto estava agindo
de forma infantilizada.
Fizemos mais 8 sessões de
regressão e, no final do
tratamento, estava se sentindo
bem mais tranqüila e centrada.
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