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Muitas pessoas, em especial as mulheres, vêm ao meu
consultório por terem medo de amar. Para elas, amar
equivale a sofrer, ou seja, se amarem, acham que vão
sofrer como no passado. Desta forma, não acreditam
no amor, e, em muitos casos, se tornam secas,
amargas e acabam caindo no auto-abandono.
A vida afetiva dessas mulheres inexiste, porque
carregam uma quantidade enorme de desilusão amorosa
do passado e acabam se fechando emocionalmente.
Sabemos que a ternura tem uma força poderosa sobre
as relações humanas e, com a atrofia ou a falta
dela, homens e mulheres experimentam a dolorosa
sensação de solidão, pois não conseguem estabelecer
uma relação de intimidade com o sexo oposto.
Desilusão é o que muitos carregam dentro de si e,
com isso, vem a crença: "Se eu me entregar, irei
sofrer novamente".
Na maioria dos casos, essa crença não se originou na
vida atual, mas vem se repetindo em várias
existências passadas, inclusive na de hoje.
Neste aspecto, a TVP (Terapia de Vidas Passadas)
como método psicoterápico, possibilita ao paciente
reviver suas vidas passadas, identificar a raiz do
seu insucesso amoroso, isto é, sua crença nuclear
que o leva a ter esse problema, e a reformulá-la.
Portanto, tal crença é passível de mudança e só se
mantém se a pessoa quiser continuar pensando e
agindo da mesma forma. Tal atitude gera
evidentemente carma.
E o que é o carma?
É conseqüência da lei da ação e reação, de causa e
efeito; uma das leis básicas da vida. É a resposta
que a vida dá às atitudes de cada um. Enquanto você
continuar mantendo as mesmas crenças (ações), certos
acontecimentos (reações) continuarão se repetindo em
sua vida. Nunca é demais frisar que carma não é o
castigo de quem errou no passado, mas é o preço da
resistência em mudar, é a reprodução - às vezes
durante séculos - de idéias e crenças que você já
teria condições de modificar, mas que ainda teima e
insiste em preservar.
Neste sentido, ao passar pela terapia regressiva (TVP),
o paciente tem a oportunidade de descobrir a
verdadeira causa de seu problema.
Desta forma, a proposta principal da TVP é a
transformação do Ser, promovendo mudanças nos
valores e nas crenças equivocadas, adquiridas em
suas vidas passadas. Por outro lado, em certos
casos, a TVP apenas abranda as dores e os
sofrimentos resultantes das experiências passadas,
sendo que a pessoa precisa ainda continuar a passar
pela sua própria necessidade de aprendizado
espiritual, pois ainda não está madura em abandonar
a crença de que só sofrendo (culpa) terá condições
de ser feliz.
Veja a seguir o caso de uma paciente que estava
fechada para a vida e que nunca havia se relacionado
amorosamente por conta de seu medo de sofrer caso
viesse a se entregar.
Caso Clínico: Amar sem sofrer
Mulher de 30 anos, solteira
Veio ao meu consultório por conta de seu insucesso
amoroso.
Queria entender o porquê de não ter uma vida social
(não conseguia se relacionar, fazer amizades) e
nunca ter namorado em sua vida. Não conseguia se
relacionar, ficava insegura, não se sentia à vontade
nas reuniões sociais. Ficava aflita querendo que
essas reuniões acabassem logo.
Queria também saber a razão dos homens não se
interessarem por ela. Portanto, sentia-se bastante
frustrada do ponto de vista amoroso. E, desta forma,
não sentia prazer em viver.
Ao regredir a paciente me disse:
"Vejo um padre que se apaixonou por uma mulher. Ele
pecou porque se envolveu com essa mulher".
- Quem é essa mulher? - pergunto à paciente.
"Sou eu. Estamos fazendo sexo na cama (pausa). Fomos
descobertos pelos padres (pausa)".
- Veja o que acontece com você - peço-lhe.
"Eles me mataram. Antes me prenderam, me xingaram e
me espancaram... Fui presa no calabouço. O lugar é
escuro, frio, úmido (pausa).
Estou sozinha neste lugar, sinto vergonha e culpa
por ter feito sexo com o padre. Não podia, era
errado. Eu queria morrer nesse calabouço, não tinha
mais nada, perdi o meu amor".
- O que aconteceu com o padre? - pergunto-lhe.
"Ele fugiu e me deixou sozinha, presa. Eu me senti
totalmente abandonada, perdida (paciente começa a
chorar). Eu acabei morrendo nesse calabouço. No
momento de minha morte, eu decidi que nunca mais
iria amar homem nenhum. Fiquei desesperada com a
fuga dele (padre). Eu o amava, mas passei a odiá-lo
porque ele fugiu. Tive ódio também de mim porque
deixei isso acontecer, acabei me envolvendo
justamente com um padre. Eu era rica, bonita, tinha
tudo. Não podia, não devia ter me envolvido. Agora
percebo que trago na vida atual o medo de amar, a
vergonha de sentir prazer, de me entregar para o
amor por conta dessa experiência dolorosa dessa vida
passada...
Foi criado um trauma, mas eu quero me livrar, deixar
para trás esse acontecimento e amar de novo. Percebo
agora que esse padre que me seduziu e me deixou
sozinha presa naquele calabouço, na verdade nunca me
amou. Os padres me contaram os fatos a respeito
dele. Eu sofri tanto! Eu não quero mais sofrer,
nunca mais! (paciente chora intensamente). Sofri
muito nessa vida passada e hoje, na vida atual, fico
com medo de amar novamente. Para mim, amar equivale
a sofrer como nessa existência passada".
- Pergunte ao seu mentor espiritual se a sua crença
de que "amar equivale a sofrer" vem dessa vida
passada - peço à paciente.
"Ele diz que não, que repeti, cultivei em várias
existências essa crença e que por isso, ao me
entregar, sempre sofri. Ainda me diz que não sei o
que é amar verdadeiramente. Amar - ele explica - é
se dar, se entregar sem sofrer, sem dor. Sofrer e
amar são coisas diferentes, não estão interligadas.
Diz que eu continuo me autopunindo, me achando não
merecedora de ser feliz pelo fato de ter me
entregado para aquele padre. Em verdade, ele diz que
essa experiência dolorosa apenas reforçou essa
crença antiga a respeito do amor, que me marcou para
sempre, mas que pode ser revertida, modificada. Diz
ainda que sempre esteve comigo, mas que eu preciso
me ajudar, acreditar, não desistir, não querer
morrer, acabar com a forma de levar a minha vida.
Fala que ele não pode ajudar quem quer morrer,
desistir de viver. Ele me esclarece que preciso me
amar em primeiro lugar para poder amar sem sofrer.
Não posso me culpar e me castigar, preciso me
perdoar para poder ficar bem comigo mesma. Reafirma
novamente que eu não preciso sofrer para poder amar
de novo. Diz que eu vou conseguir ser feliz, e que
posso acreditar nisso, e que não estou sozinha. Ele
me diz isso e eu acredito, é verdade, sinto a
presença dele aqui no consultório, ele vai me
ajudar, que bom! (paciente fala emocionada)".
Após passar por mais quatro sessões de regressão, a
paciente estava se sentindo mais segura, confiante e
mais aberta nos seus relacionamentos sociais. Estava
também sentindo mais prazer pela vida e se percebia
bastante motivada para se relacionar amorosamente
com os homens.
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