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Amar sem sofrer...
Osvaldo Shimoda
Muitas pessoas, em especial as mulheres, vêm ao
meu consultório por terem medo de amar. Para elas,
amar equivale a sofrer, ou seja, se amarem, acham
que vão sofrer como no passado. Desta forma, não
acreditam no amor, e, em muitos casos, se tornam
secas, amargas e acabam caindo no auto-abandono.
A vida afetiva dessas mulheres inexiste, porque
carregam uma quantidade enorme de desilusão
amorosa do passado e acabam se fechando
emocionalmente.
Sabemos que a ternura tem uma força poderosa sobre
as relações humanas e, com a atrofia ou a falta
dela, homens e mulheres experimentam a dolorosa
sensação de solidão, pois não conseguem
estabelecer uma relação de intimidade com o sexo
oposto. Desilusão é o que muitos carregam dentro
de si e, com isso, vem a crença: “Se eu me
entregar, irei sofrer novamente”.
Na maioria dos casos, essa crença não se originou
na vida atual, mas vem se repetindo em várias
existências passadas, inclusive na de hoje.
Neste aspecto, a TVP (Terapia de Vidas Passadas)
como método psicoterápico, possibilita ao paciente
reviver suas vidas passadas, identificar a raiz do
seu insucesso amoroso, isto é, sua crença nuclear
que o leva a ter esse problema, e a reformulá-la.
Portanto, tal crença é passível de mudança e só se
mantém se a pessoa quiser continuar pensando e
agindo da mesma forma. Tal atitude gera
evidentemente carma.
E o que é o carma?
É conseqüência da lei da ação e reação, de causa e
efeito; uma das leis básicas da vida. É a resposta
que a vida dá às atitudes de cada um. Enquanto
você continuar mantendo as mesmas crenças (ações),
certos acontecimentos (reações) continuarão se
repetindo em sua vida. Nunca é demais frisar que
carma não é o castigo de quem errou no passado,
mas é o preço da resistência em mudar, é a
reprodução - às vezes durante séculos - de idéias
e crenças que você já teria condições de
modificar, mas que ainda teima e insiste em
preservar.
Neste sentido, ao passar pela terapia regressiva (TVP),
o paciente tem a oportunidade de descobrir a
verdadeira causa de seu problema.
Desta forma, a proposta principal da TVP é a
transformação do Ser, promovendo mudanças nos
valores e nas crenças equivocadas, adquiridas em
suas vidas passadas. Por outro lado, em certos
casos, a TVP apenas abranda as dores e os
sofrimentos resultantes das experiências passadas,
sendo que a pessoa precisa ainda continuar a
passar pela sua própria necessidade de aprendizado
espiritual, pois ainda não está madura em
abandonar a crença de que só sofrendo (culpa) terá
condições de ser feliz.
Veja a seguir o caso de uma paciente que estava
fechada para a vida e que nunca havia se
relacionado amorosamente por conta de seu medo de
sofrer caso viesse a se entregar.
Caso Clínico: Amar sem sofrer
Mulher de 30 anos, solteira
Veio ao meu consultório por conta de seu insucesso
amoroso.
Queria entender o porquê de não ter uma vida
social (não conseguia se relacionar, fazer
amizades) e nunca ter namorado em sua vida. Não
conseguia se relacionar, ficava insegura, não se
sentia à vontade nas reuniões sociais. Ficava
aflita querendo que essas reuniões acabassem logo.
Queria também saber a razão dos homens não se
interessarem por ela. Portanto, sentia-se bastante
frustrada do ponto de vista amoroso. E, desta
forma, não sentia prazer em viver.
Ao regredir a paciente me disse:
“Vejo um padre que se apaixonou por uma mulher.
Ele pecou porque se envolveu com essa mulher”.
- Quem é essa mulher? - pergunto à paciente.
“Sou eu. Estamos fazendo sexo na cama (pausa).
Fomos descobertos pelos padres (pausa)”.
- Veja o que acontece com você - peço-lhe.
“Eles me mataram. Antes me prenderam, me xingaram
e me espancaram... Fui presa no calabouço. O lugar
é escuro, frio, úmido (pausa).
Estou sozinha neste lugar, sinto vergonha e culpa
por ter feito sexo com o padre. Não podia, era
errado. Eu queria morrer nesse calabouço, não
tinha mais nada, perdi o meu amor”.
- O que aconteceu com o padre? - pergunto-lhe.
“Ele fugiu e me deixou sozinha, presa. Eu me senti
totalmente abandonada, perdida (paciente começa a
chorar). Eu acabei morrendo nesse calabouço. No
momento de minha morte, eu decidi que nunca mais
iria amar homem nenhum. Fiquei desesperada com a
fuga dele (padre). Eu o amava, mas passei a
odiá-lo porque ele fugiu. Tive ódio também de mim
porque deixei isso acontecer, acabei me envolvendo
justamente com um padre. Eu era rica, bonita,
tinha tudo. Não podia, não devia ter me envolvido.
Agora percebo que trago na vida atual o medo de
amar, a vergonha de sentir prazer, de me entregar
para o amor por conta dessa experiência dolorosa
dessa vida passada...
Foi criado um trauma, mas eu quero me livrar,
deixar para trás esse acontecimento e amar de
novo. Percebo agora que esse padre que me seduziu
e me deixou sozinha presa naquele calabouço, na
verdade nunca me amou. Os padres me contaram os
fatos a respeito dele. Eu sofri tanto! Eu não
quero mais sofrer, nunca mais! (paciente chora
intensamente). Sofri muito nessa vida passada e
hoje, na vida atual, fico com medo de amar
novamente. Para mim, amar equivale a sofrer como
nessa existência passada”.
- Pergunte ao seu mentor espiritual se a sua
crença de que “amar equivale a sofrer” vem dessa
vida passada - peço à paciente.
“Ele diz que não, que repeti, cultivei em várias
existências essa crença e que por isso, ao me
entregar, sempre sofri. Ainda me diz que não sei o
que é amar verdadeiramente. Amar - ele explica - é
se dar, se entregar sem sofrer, sem dor. Sofrer e
amar são coisas diferentes, não estão
interligadas. Diz que eu continuo me autopunindo,
me achando não merecedora de ser feliz pelo fato
de ter me entregado para aquele padre. Em verdade,
ele diz que essa experiência dolorosa apenas
reforçou essa crença antiga a respeito do amor,
que me marcou para sempre, mas que pode ser
revertida, modificada. Diz ainda que sempre esteve
comigo, mas que eu preciso me ajudar, acreditar,
não desistir, não querer morrer, acabar com a
forma de levar a minha vida.
Fala que ele não pode ajudar quem quer morrer,
desistir de viver. Ele me esclarece que preciso me
amar em primeiro lugar para poder amar sem sofrer.
Não posso me culpar e me castigar, preciso me
perdoar para poder ficar bem comigo mesma.
Reafirma novamente que eu não preciso sofrer para
poder amar de novo. Diz que eu vou conseguir ser
feliz, e que posso acreditar nisso, e que não
estou sozinha. Ele me diz isso e eu acredito, é
verdade, sinto a presença dele aqui no
consultório, ele vai me ajudar, que bom! (paciente
fala emocionada)”.
Após passar por mais quatro sessões de regressão,
a paciente estava se sentindo mais segura,
confiante e mais aberta nos seus relacionamentos
sociais. Estava também sentindo mais prazer pela
vida e se percebia bastante motivada para se
relacionar amorosamente com os homens. |