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A barreira da
memória...
Osvaldo Shimoda
Queiram ou não
queiram os homens, com o tempo,
a luz da verdade se fará nos quatro
cantos do mundo".
(Palavras de Razin, guia espiritual).
Do livro: "Os Exilados da Capela".
Muitos pacientes me perguntam na
primeira consulta (entrevista inicial):
"Por que me sinto como uma estranha na
minha família"?
"Por que desde criança sinto uma
tristeza profunda"?
"Por que não consigo me relacionar
afetivamente com os homens"?
"Por que me sinto tão insegura, ansiosa,
depressiva, inferiorizada"?
"Por que não consigo me relacionar com
meus pais, filhos, irmãos, marido"?
"Por que..."
Ao passar pela TVP (Terapia de Vidas
Passadas), o paciente encontra as
respostas para as suas indagações se
libertando das "amarras" (bloqueios) de
seu passado, desta ou de outras vidas.
Desta forma, o objetivo da TVP vai de
encontro coma máxima de Cristo: "A
Verdade vos libertará". Realmente, a
verdade a nosso respeito, nos liberta do
passado. E o que nos aprisiona, nos faz
sofrer, são as nossas ilusões mentais
(mentiras, ignorância, preconceitos,
crenças), isto é, o desconhecimento da
verdade.
No entanto, o grande desafio da terapia
regressiva, é fazer o paciente entrar em
contato com a verdade, isto é, abrir a
"caixa preta" de sua mente inconsciente
e saber o que está registrado, gravado
em seu passado próximo (vida atual), ou
mais remoto (vidas passadas), causador
de seu(s) problema(s). Em outras
palavras, o grande desafio dessa terapia
é romper, transpor a barreira da memória
do paciente que ocorre em forma de
amnésia (esquecimento), e que o impede
de se lembrar de suas experiências
traumáticas, responsáveis pelos seus
problemas.
A natureza é sábia, coloca um véu sobre
o nosso passado da mesma forma que o
sistema imunológico do nosso corpo
biológico é acionado automaticamente
sempre que um corpo estranho (bactérias,
vírus) invade o nosso organismo,
combatendo os invasores; o mesmo ocorre
com a nossa mente. Ou seja, existe
também um mecanismo de defesa psíquico
que - para preservar a nossa integridade
moral, emocional e psicológica - é
acionado automaticamente sempre que algo
nos ameaça, impedindo que a gente lembre
acontecimentos dolorosos ou traumáticos
do nosso passado. Em outras palavras,
tendemos a guardar todos os
acontecimentos do passado que nos
provocaram dor e sofrimento,
reprimindo-os nas profundezas do
inconsciente, "esquecendo-os".
Desta forma, através da regressão, em
estado alterado de consciência (transe
hipnótico), o paciente rompe a barreira
da memória que o impede de lembrar
acontecimentos traumáticos do passado,
causadores de inúmeros problemas
psíquicos, psicossomáticos, orgânicos
(de causa desconhecida pela medicina
oficial) e de relacionamento
interpessoal (aqueles relacionamentos
difíceis, dolorosos e truncados).
O tratamento de TVP ocorre em 2 etapas:
1) Etapa Conscientizadora; 2) Etapa
Transformadora.
1) Etapa Conscientizadora:
Através da regressão, ao romper a
barreira de sua memória (esquecimento),
o paciente acessa o seu passado,
trazendo no nível da consciência algo
que estava inconsciente. Neste sentido,
a TVP é uma terapia de revelação.
2) Etapa Transformadora: Em
muitos casos pelo simples fato do
paciente se conscientizar e revivenciar
a causa verdadeira do seu problema -
observada agora sob um novo ângulo e
mais bem compreendida - por si só,
ocorre a cura, a libertação de seus
bloqueios.
Em certa ocasião, um paciente me
procurou querendo saber o porquê de ser
uma pessoa fechada. Embora fosse
socialmente aberto, comunicativo no seu
trabalho e no convívio social, tinha
muita dificuldade de se abrir, falar de
si, ou seja, falar de seus problemas
íntimos. Sua esposa se queixava e lhe
dizia que convivia com um "estranho",
porque ele não compartilhava com ela os
seus problemas mais íntimos. Conversava
com ela apenas dos assunto triviais do
dia-a-dia, mas jamais falava a seu
próprio respeito.
Ao regredir, surpreso, trouxe no nível
da consciência algo que estava reprimido
em seu inconsciente e que jamais
imaginava ser a causa de sua dificuldade
de se abrir. Em outras palavras, era a
causa de seu medo da intimidade, de não
conseguir confiar em ninguém. Aos 8
anos, fora abusado sexualmente pelo
padre da igreja em que era coroinha. O
padre pedófilo, após o ato, o chantageou
dizendo que se ele contasse para alguém
a respeito do ocorrido, Deus iria
castigá-lo. Pelo fato dos pais serem
repressores e punitivos, ficou com muito
medo de contar o abuso e, com isso,
acabou não contando o abuso a ninguém.
Após o incidente, o paciente reprimiu em
seu inconsciente essa experiência
traumática, tornando-se uma criança
fechada, tristonha e desconfiada.
Após 8 sessões de regressão, o paciente
conseguiu se libertar de seu passado
reconquistando a confiança em si e nos
outros. Quero ressaltar, por outro lado,
que na maioria dos casos, a causa
primária do problema de um paciente se
encontra em uma época remota, ou seja,
em suas vidas passadas.
Veja a seguir o caso clínico de uma
paciente que desde criança sentia uma
tristeza profunda e não se sentia
pertencente à sua família, não queria
ter nascido nessa família; não eram
esses pais que ela queria.
Caso Clínico: Tristeza Profunda
Mulher de 28 anos, solteira.
Veio ao meu consultório por conta de sua
tristeza profunda. Desde criança se
isolava de sua família, não aceitava ter
vindo a esse mundo. Sentia que estava
aqui a contragosto e, em não se sentia
pertencer à sua família, não queria
estar nessa família, se sentia perdida,
como uma estranha. Não eram esses pais
que queria, sentia-se completamente
distante, alienada deles.
Não conseguia se aproximar, ser íntima
dos pais, principalmente de seu pai
(sentia ódio dele) sem ele ter feito
nada para ela. Por outro lado, sentia-se
muito responsável pelos irmãos, como que
na obrigação de ajudá-los, de cuidar de
todos eles.
Ao regredir me relatou: "Estou numa das
pontas dessa estrela em
Capela.
É uma cidade, cada ponta dessa estrela é
um departamento que cuida de um
determinado assunto".
- Em que departamento você está? -
pergunto à paciente.
"Vejo um prédio com salas amplas,
claras. Estou numa sala de projeção,
meus pés e as minhas mãos estão
acorrentados, sou homem. Sinto que sou
um espírito endurecido e sou um
prisioneiro. Eu me vejo acorrentada
pelos pés num corredor, enfileirada com
outras pessoas que também estão
acorrentadas. Somos homens, estamos em
tratamento, somos espíritos rebeldes,
por isso estamos presos para não fugir.
Por sermos espíritos endurecidos,
precisamos aprender alguma coisa antes
de reencarnarmos".
- O que você precisa aprender? -
pergunto-lhe.
"Aprender a amar, a respeitar os outros,
sou muito enérgico, dono da verdade, das
pessoas".
- Volte para antes dessa experiência a
fim de ver o que aconteceu para você
parar nessa estrela - peço-lhe.
"Estou num campo de batalha, sou líder
de uma tropa e sou muito respeitado. É
na Grécia antiga, eu não precisava ir
para a batalha, poderia mandar somente
as pessoas que trabalham para mim, mas
eu preciso mostrar o meu poder, a minha
liderança. Sou admirado até pelos
inimigos. Tenho muito dinheiro e poder
(pausa). Estou me vendo numa tribuna,
tenho o poder de tomar decisões, de
mandar matar. Eu castigo inocentes,
mando castigar também homens que não me
obedecem, eles são aprisionados.
Vem agora a imagem do meu pai da vida
atual.
Ele faz parte do grupo inimigo; meu pai
me mata com um punhal, é uma batalha e
ele precisava se defender".
- Quais foram os seus últimos
pensamentos e sentimentos no momento sua
morte - peço-lhe.
"Vem um pensamento de que não sou nada,
todo o poder que tinha sob as pessoas,
caiu por terra, fui vencido".
- Veja o que aconteceu após sua morte
física - peço-lhe.
"Estou olhando de cima, pairando sobre
os estragos que foram feitos, os corpos
dos mortos. Penso que poderia ter feito
diferente, não precisava usar sempre a
força, eu me sinto arrependido. Tenho
consciência que estou em espírito. Eu
vim nessa vida passada para lidar com o
poder, governar, e eu fracassei. Fui um
péssimo líder, cometi muitas injustiças.
Sou recolhido pelos amigos espirituais,
usam um roupão verde, são dois homens,
eles me levam para Capela. Vou ficar em
tratamento, estou num hospital, tenho
que ficar em repouso; estou num quarto
de enfermaria com outras pessoas.
Vejo agora uma luz muito forte, branca,
na porta do quarto. Ando em direção a
essa luz. Sou levado para a sala de
projeção. Eu não quero ver nada, não
quero ver o meu passado. Eles querem
esclarecer o meu passado, mas eu não
quero. Sei das minhas imperfeições, eu
bloqueio, me recuso vê-las. Não consigo
ler o que está escrito. É uma tela de
projeção que mostra imagens e escritas.
Eu só vejo as escritas, mas eu não quero
ler. É uma tela grande, branca, é um
computador do tamanho de uma lousa
enorme. Nessa sala, tem uma pessoa que
me acompanha. É uma mulher. Ela é
morena, simpática, usa um vestido
comprido, branco. Ela é responsável para
mostrar o passado das pessoas. O arquivo
geral delas".
- Escute o que essa mulher tem a dizer
para você - peço-lhe.
"Ela diz que os espíritos superiores vão
me mandar reencarnar porque eu não quero
saber do meu passado. Ela diz que eu
preciso tomar consciência dos fatos das
minhas vidas passadas".
- Veja se você consegue ver o seu mentor
espiritual - peço-lhe.
"Não o vejo, mas ele me diz que a pessoa
que me matou nessa vida passada vai vir
como meu pai. Vamos vir juntos nessa
vida atual. Ele diz também que preciso
amar as pessoas desinteressadamente".
- Pergunte-lhe o porquê de você ter
vindo na sua família da vida atual -
peço-lhe.
"Eu preciso ajudá-los com conhecimentos,
exemplos, tenho muita coisa para passar
para eles: pregar o amor, a paz. Eu
ainda não aprendi a ser um verdadeiro
líder. É muito difícil. Eu não estou
pronto para passar os ensinamentos, o
propósito de vida a que eu vim. Ainda
tem coisas bloqueadas. Vim para ajudar
com palavras, com a cura, ajudar os
desamparados com palavras. Os meus
familiares esperam muito de mim, o que
eu falo tem um significado muito
importante para eles. A minha mãe é um
espírito de luz, meus pais são espíritos
muito diferentes, em grau de evolução.
Ela veio para ajudar o meu pai e
principalmente os filhos dela que são os
espíritos que fizeram parte da tropa que
eu comandava. Eles vieram agora na vida
atual como os meus irmãos".
- Por que você não quis vir nessa
família - pergunte-lhe.
"O meu mentor espiritual diz que eu
queria uma família que tivesse um
desenvolvimento de consciência maior. No
entanto, vejo agora que a minha mãe tem
essa evolução. Ela é o grande divisor de
água da minha família. Ela veio junto
comigo para ajudá-los. Ela veio antes de
mim como exemplo, só que mesmo assim eu
ainda fiquei perdida pelo peso da
responsabilidade de ajudá-los".
- Pergunte para o seu mentor de onde vem
sua tristeza profunda - peço-lhe.
"Vem de eu não querer assumir
responsabilidades com a minha família da
vida atual. Afinal, naquela vida
passada, eu fui um péssimo líder. Os
meus irmãos da vida atual eram meus
subordinados lá atrás e agora preciso
ajudá-los, estender-lhes as mãos. Minha
mãe é a única que não faz parte daquela
vida passada. Ela é de uma hierarquia
espiritual mais adiantada e eu estou um
pouco abaixo dela".
Após encerrarmos a sessão de regressão,
a paciente me disse que antes de me
procurar em meu consultório, em sonho,
uma entidade espiritual sugeriu que
lesse o livro "Os exilados da Capela".
Leu o 1º capítulo, mas sentiu muita
angústia e não quis continuar a ler.
Após essa primeira sessão de regressão,
a paciente conseguiu lê-lo todo. Desta
vez, a leitura foi tranqüila. Após
passar por mais quatro sessões, a
paciente me disse haver desaparecido
aquela tristeza profunda que sentia
desde criança, pois compreendera seu
verdadeiro propósito de vida: exercitar
o amor e perdoar a pessoa que lhe tirara
a vida na existência passada e que hoje
tinha vindo como seu pai. Disse-me que a
regressão de memória lhe permitiu mudar
a percepção a seu respeito e de seus
familiares, vendo-os agora sob uma outra
ótica, com mais carinho e compreensão.
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