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Mediunidade não é
loucura...
Osvaldo Shimoda
A ciência sem a religião é manca;
a religião sem a ciência é fanatismo".
- Einstein.
O dicionário Aurélio define
"mediunidade" como a condição de
médium; e "médium" como o intermediário
entre os vivos e as almas dos mortos.
Potencialmente, todos somos médiuns. Ou
seja, a mediunidade é condição natural
do ser humano, pois se trata de uma
faculdade inerente ao espírito. Neste
sentido, a mediunidade faz parte da
natureza do homem e, portanto, não há
nada de sobrenatural. Em verdade, a
mediunidade é um tipo de transe que pode
ser provocado de forma mediúnica por
espíritos bons ou maus e pela indução
hipnótica. Alguns a possuem em estado
bastante aflorado; são pessoas muitos
sensíveis, pois receberam uma preparação
em seu corpo espiritual (perispírito)
antes de reencarnar para exercerem sua
mediunidade; outras, a possuem em estado
latente e, portanto, precisam
desenvolvê-la.
Não obstante, a ciência médica e a
psicológica ainda associam as
manifestações mediúnicas a distúrbios
psiquiátricos. Desta forma, os médiuns
que incorporam seres "invisíveis" e/ou
ouvem suas vozes, são diagnosticados
como esquizofrênicos.
No entanto, nas últimas décadas, muitos
pesquisadores têm demonstrado que
vivências mediúnicas não estão
necessariamente associadas a quadros
patológicos. O Dr. Mauro Kwitko,
psiquiatra de Porto Alegre e também
colaborador do Site Somos Todos Um, é
autor do livro "Doutor, Eu Ouço Vozes!"
Neste livro, Kwitko busca fazer um
diagnóstico diferencial entre distúrbios
psiquiátricos e mediunidade.
Um outro médico psiquiatra, o Dr.
Alexandre Moreira de Almeida, defendeu a
tese: "Fenomenologia de Médiuns
Espíritas" no Instituto de Psiquiatria
do Hospital das Clínicas, da Faculdade
de Medicina da USP. Almeida traçou o
perfil de saúde mental de 115 médiuns.
No final do trabalho, o psiquiatra
concluiu que todos apresentavam uma boa
saúde mental, apesar de terem visões e
ouvirem vozes alheias aos seus
pensamentos. A banca à qual o psiquiatra
defendeu sua tese foi composta por
pesquisadores destacados e de renome
internacional que fizeram elogios e
críticas ao seu trabalho. Sua tese foi
aprovada pela banca.
Na minha prática clínica, em meu
consultório, é comum os pacientes
entrarem em transe mediúnico (estado
alterado de consciência) após a indução
ao relaxamento profundo e pela ação dos
espíritos de elevada (ou de pouca)
evolução. É por isso que na entrevista
inicial de avaliação (anamnese), fico
atento às queixas de dores e doenças
relatados por eles, cujas causas, apesar
de se submeterem a todos os exames
médicos, não foram encontradas. Essas
queixas e doenças podem ser um indicador
de que alguns pacientes têm uma
mediunidade "aberta".
Observei ainda o seguinte quadro clínico
frequentemente apresentado por eles:
- Dores pelo corpo que se manifestam ora
em um lugar, ora em outro;
- Frio nas extremidades das mãos e dos
pés;
- Sintomas de doenças; queda de pressão,
falta de ar, arrepios;
- Dor na nuca, enjôo e cabeça pesada;
- Calafrios no corpo todo, chegando a
apresentar febre;
- Instabilidade emocional, que vai da
euforia, agitação, ansiedade,
instabilidade e nervosismo à depressão
sem causa aparente, bem como choro
fácil;
- Pensamentos negativos, pessimismo.
Veja a seguir o caso de uma paciente
que, por conta de sua mediunidade
aflorada, desenvolveu uma doença (queda
de cabelos) e uma série de problemas de
ordem emocional.
Caso Clínico:
Mulher de 40 anos, solteira.
A paciente veio ao meu consultório se
queixando dos seguintes problemas:
1 - Instabilidade emocional que ia da
euforia, agitação, ansiedade,
irritabilidade e nervosismo à depressão
sem causa aparente. Portanto, ria e
chorava facilmente;
2 - Síndrome do Pânico (sensação de
desmaio, falta de ar, sudorese nas
palmas das mãos, ansiedade intensa) e
Agorafobia (medo de espaços abertos, de
sair de casa);
3 - Manifestações de TOC (Transtorno
Obsessivo Compulsivo): a mania de várias
vezes se certificar se deixou a porta
trancada, se fechou a torneira, o
botijão de gás e se desligou o
interruptor de luz;
4 - Queda de cabelo (falhas pela cabeça
toda);
5 - Pensamentos negativos, pessimismo;
6 - Ouvia permanentemente uma criança
chorando muito;
7 - Sentia calafrios pelo corpo todo.
Todos esses sintomas se manifestaram
quando a paciente foi trabalhar no Japão
(paciente é descendente de japoneses).
Antes era calma, tranqüila e não
apresentava, portanto, nenhum desses
problemas.
Ao regredir me relatou: "Vejo uma
casinha de palha. Dentro, vejo um velho
de barba que veste uma roupa velha. Está
sozinho e se apóia numa bengala. Ele
está sentado na cadeira. Estou vendo-o
na porta da casa dele que fica num campo
cheio de árvores. Ele também é japonês.
Sinto que esse homem é muito ruim".
- Veja o que ele fez para você -
pergunto-lhe.
"Para mim ele não fez nada, mas para os
outros sim... Eu estou na porta, não
quero entrar, não quero conversar com
esse velho (Pausa).
Vejo agora cenas horríveis de seu
passado. Ele trabalha para o Imperador
do Japão, numa época muito antiga, do
tempo dos samurais. Ele era cobrador de
impostos e com os camponeses que não
pagavam os impostos, ele mesmo fazia
justiça com as suas próprias mãos,
cortando a cabeça deles com sua espada.
É horrível!!! Eu o vejo cortando as
cabeças (paciente chora intensamente).
Em muitos casos, ele chegava a executar
cortando a cabeça de todos os membros da
família que não pagava os impostos. Ele
não se arrepende e ainda dá gargalhadas.
Ele fala consigo mesmo em japonês
dizendo que foi somente mais uma morte e
sai correndo cobrando os impostos de
casa em casa (pausa).
Vejo agora o filho de um homem de quem
ele decepou a cabeça indo atrás dele
para tentar se vingar da morte do pai.
Ele matou toda a família do velho e, em
seguida, ateou fogo em sua casa. Só não
o matou propositadamente para ele sentir
na própria pele o sofrimento de perder
uma família.
Ele queria era matar as pessoas que não
o pagavam.
Toda a sua economia estava guardada em
sua casa. Como no fim ficou sem
dinheiro, ele cortou todas as árvores de
sua propriedade para vendê-las.
Na verdade, o Imperador não sabia das
dívidas desses camponeses. Quando ficou
sabendo o mandou prender porque era
proibido fazer isso na época. Ele só
podia fazê-lo com a ordem do Imperador.
Como era amigo do Imperador, achou que
não iria acontecer nada com ele. Mas o
velho acabou fugindo, não quis pedir
perdão e clemência ao Imperador porque
era muito orgulhoso.
Vejo-o correndo pela floresta - há dias
passando muita fome - até que encontrou
uma casinha de palha no meio de um
matagal".
- Avance mais para frente nessa cena,
anos depois - peço-lhe.
"Ele foi envelhecendo, vejo-o de cabelos
grisalhos e bem compridos. Até chegar à
velhice, sofreu muito. Vivia com medo
que os soldados do Imperador o
encontrassem, pois se fosse encontrado,
iria ser executado. Os espíritos
daquelas pessoas que ele matou, aparecem
para ele sem as cabeças". (pausa).
- Vá prosseguindo nessa cena - peço-lhe.
"Ele está doente, quer pedir perdão, tem
necessidade de confessar seus pecados a
um monge".
- Vá para o momento de sua morte -
peço-lhe.
"Ele está deitado na cama, bem magro.
Quer confessar o que fez nessa vida
passada para mim, quer que eu o escute.
Mas digo a ele que não sou monge para
escutá-lo. Ele está deitado na cama
gemendo, com a boca aberta querendo que
eu o ajude. Digo para ele que nem me
conhece. Ele responde que me conhece,
que é da minha família, se identifica
como sendo o meu tataravô paterno. Diz
que estava me esperando para falar
comigo. Diz também que por influência
dele os meus cabelos caíram; foi ele que
me deixou careca. Ele dá risadas".
- Pergunte-lhe por que ele ri - peço à
paciente.
"Ele fala que não queria que isso
acontecesse, mas era a única forma que
encontrou para me pedir ajuda, porque
ele queria se redimir dos seus pecados.
Diz que morreu sem ter ninguém a quem
pudesse confessar os seus pecados. Ele
me pede desculpas por ter me deixado
careca, pede perdão por tudo que fez em
seu passado porque quer descansar em
paz. Diz ainda que ficou vagando por
muito tempo após a sua morte (mais de um
século). Ele faleceu naquela casinha.
Eu o desculpo, apesar de tudo que ele
cometeu. Fala que antes de mim se
manifestou em uma outra parenta (tia do
meu pai). Ela também perdeu os cabelos,
mas como não acreditava em espíritos,
achou que a queda de cabelos fosse
alguma doença. Ele me procurou porque eu
tenho uma mediunidade aflorada. Diz que
está contente por me ver, por isso ri.
Precisava conversar com alguém, estava
vagando sozinho, e sente ainda muita
fome".
- Pergunte-lhe se ele quer ser ajudado -
peço à paciente.
"Diz que sim. (pausa).
Estou vendo-o agora sendo carregado por
uma entidade de luz que o leva a um
lugar cheio de flores e borboletas
brancas. Ele está feliz, me agradece por
ter procurado a TVP (Terapia de Vidas
Passadas). Está se despedindo de mim e
agradece ao senhor também", referindo-se
a mim.
Ao término da sessão, a paciente estava
visivelmente emocionada, porém com uma
fisionomia serena e tranqüila. Após
passar por mais quatro sessões de
regressão, estava se sentindo muito bem,
mais centrada e calma, e todos os seus
sintomas do TOC (Transtorno Obsessivo
Compulsivo) haviam desaparecido.
Seu medo de sair de casa havia sumido
também, não apresentava mais a Síndrome
do Pânico, bem como os pensamentos
negativos e pessimistas.
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