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O
Poder do Perdão como Instrumento de Cura...
Osvaldo Shimoda
No catolicismo, o perdão está nas orações
repetidas pelos fiéis: ”Perdoar as nossas ofensas
assim como nos perdoamos a quem nos tenha
ofendido”.
No entanto, na prática do dia-a-dia é mais fácil
pedir perdão a Deus do que perdoar a si mesmo e
aos outros.
Por que quando falamos em perdão, falamos em
fechar feridas: mágoas, ressentimentos, ódio e
desejo de vingança, seja desta vida, ou muito mais
antigas, de vidas passadas.
Desta forma, para se perdoar de verdade, não é
“esquecer”, simplesmente “deixar para lá”, mas
compreender a verdadeira causa e superar a
agressão sofrida no passado.
Quando se consegue isso, fecha-se uma ferida e
ambos, agressor e agredido, rompem os “laços
energéticos” que os impedem de se libertarem das
amarras do passado.
É por isso que logo no início da Sutra Sagrada da
Seita filosófica da Seicho no Ie está escrito:
“Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da
terra. Quando se efetivar a reconciliação com
todas as coisas do céu e da terra, tudo será teu
amigo. Quando todo o Universo se tornar teu amigo,
coisa alguma do Universo poderá causar-te dano. Se
és ferido por algo ou se és atingido por micróbios
ou por espíritos baixos, é prova de que não estás
reconciliado com todas as coisas do céu e da
terra. Reflexiona e reconcilia-te”.
Céu significa o mundo espiritual e a terra o mundo
terreno, o planeta Terra.
Felizardo é aquele que não tem nenhum inimigo,
seja encarnado (mundo terreno) como desencarnado
(mundo espiritual).
Mas o pior inimigo é aquele que habita o mundo
espiritual das trevas (astral inferior), pois nós
não o vemos, são os inimigos ocultos, invisíveis à
maioria dos encarnados. A obsessão espiritual,
ainda não catalogada nos compêndios médicos e
psicológicos (tanto a medicina como a psicologia
oficial ainda não aceitam a existência do
espírito, isto é, de uma vida após a morte),
revela-se como um dos grandes flagelos da
humanidade.
Muitos espíritos obsessores, aproveitando-se do
estado de invisibilidade, desejosos de se
vingarem, exercem um malefício inimaginável na
vida de seus desafetos.
No meu consultório, muitos pacientes não conseguem
regredir inicialmente nas sessões de regressão por
interferência desses espíritos obsessores, que
sabotam o tratamento, não deixando que os mesmos
regridam porque sabem que a TVP (Terapia de Vidas
Passadas) irá ajudá-los a se libertarem de seus
problemas.
Muitos se manifestam (aparecem de frente ao
paciente) nas primeiras sessões de regressão,
acusando o paciente dos malefícios que este lhes
provocou numa vida passada.
Não obstante, vencidos pelo cansaço, enfraquecidos
pelo sofrimento de viverem nas trevas, na
escuridão (umbral) - por séculos até - a maioria
desses espíritos obsessores aceita ser ajudada
pelos espíritos amparadores de luz que os levam
para tratamento no astral superior.
Costumo esclarecer aos meus pacientes, que a TVP
propicia a ambos, obsessor e obsediado, uma grande
oportunidade de se libertarem das amarras do
passado para que cada um possa seguir o caminho de
sua evolução.
Mas, para isso, as duas partes (paciente e
obsessor) precisam se entregar ao perdão mútuo,
único antídoto para se libertarem. Neste sentido,
a TVP é muito mais do que uma regressão de
memória, mas é - sobretudo - um ato de amor.
Caso Clínico:
Calafrios e barulhos no quarto.
Mulher de 28 anos, solteira, veio ao meu
consultório se queixando de não conseguir dormir
direito porque acordava de madrugada, assustada,
sentindo calafrios e escutava barulhos em seu
quarto.
Ao acender a luz e se certificar de onde vinha o
barulho, não encontrava nada.
Os calafrios e os barulhos se intensificaram e,
não agüentando mais, resolveu procurar a minha
ajuda profissional.
Ao regredir me relatou: “Sinto uma pressão na
cabeça (pausa). Sinto um peso na cabeça. Uma
sensação ruim... Tem alguém segurando,
pressionando a minha cabeça”.
- Veja quem pressiona a sua cabeça - pergunto-lhe.
“É um homem. Ele está vestido de preto, rindo de
mim”.
- Pergunte-lhe o que ele quer de você - peço à
paciente.
“Ele fala que eu não vou me libertar dele tão
facilmente (pausa). Ele volta a pressionar a minha
cabeça; está grudado em mim. É ele que faz aquele
barulho no meu quarto, quer que eu sofra e quer a
minha luz”.
- Veja onde ele está - pergunto-lhe.
“Está na escuridão, nas trevas”. (umbral).
- Pergunte-lhe o que aconteceu para ele parar
nesse lugar - peço à paciente.
“Vejo agora uma mulher com um lenço na cabeça,
carregando no colo uma criança. Essa mulher sou
eu, e carrego a minha filha. É numa vida passada.
Tem um caixão; é um homem que está dentro dele. Eu
me vejo chorando”.
- Volte antes dessa cena para ver o que aconteceu
- peço-lhe.
“Esse homem é o meu marido. Vejo-o entrando num
bar. Eu sou uma garçonete e trabalho nesse bar.
Uso um vestido que deixa os ombros à vista
(pausa). O bar está cheio de gente, estou servindo
às mesas. Eu converso com um rapaz, acho-o
simpático. O meu marido entra e acha que estou
paquerando esse rapaz. Ele me agride na frente de
todos. O rapaz se levanta da cadeira e bate no meu
marido. (pausa).
Meu marido me chama de vagabunda, fala que nossa
filha não é dele. Ele está alterado, bêbado. Ele
bebe muito (pausa).
Estou reconhecendo o meu marido... Ele é o meu pai
da vida atual. Ele faleceu há 14 anos.
- Avance mais para frente nessa cena dessa vida
passada - peço-lhe.
“Estamos na nossa casa, ela é pequena, pobre. Ele
bate em mim, me maltrata. Tenho medo e ódio dele,
desejo que ele morra. Fico rezando a Deus para
levá-lo (pausa). É curioso, na vida atual, eu
fazia a mesma coisa quando o meu pai era vivo.
Ficava rezando e desejando que morresse” (pausa).
- Volte novamente na cena dessa vida passada -
peço-lhe.
“Ele espanca a minha filha também. (pausa). Vejo
agora aquele rapaz do bar entrando na minha casa
porque me escutou gritando. Eles começam a brigar,
o meu marido bateu a cabeça na quina da mesa e
acabou morrendo. Aquele rapaz foge, eu fico
desesperada e ao mesmo tempo aliviada. Fico
chorando, aliviada, porque ele morreu (pausa).
Agora ele está sendo enterrado, vejo entidades
espirituais de capa preta levando-o. Ele está num
lugar frio, escuro, triste. (pausa).
Foi o meu marido que atraiu essas entidades,
porque ele vivia nas sombras, tinha muito ódio no
coração, era violento, agressivo. Ele voltou na
vida atual como meu pai para se redimir das coisas
ruins que tinha feito a mim. Mas não conseguiu,
fracassou no seu propósito de vida. Na vida atual,
o meu pai faleceu de infarto, também bebia muito,
era violento, batia em mim, na minha mãe e nos
meus irmãos. Na minha infância, ele pegou uma arma
e brincou de roleta russa comigo e com os meus
irmãos. Eu devia ter uns 7 anos. Ficamos todos
desesperados. Ele batia na gente por qualquer
motivo”.
- Pergunte ao seu pai o que você pode fazer para
ajudá-lo - peço à paciente.
“Ele fala que, embora eu pense que o perdoei, na
verdade não o perdoei, porque fico falando mal
dele para as pessoas. Diz que eu senti um alivio
pela morte dele na vida atual, exatamente como
ocorrera na vida passada. Ele quer que eu o ajude
a sair de onde ele está (umbral). Fala que está
sofrendo, e me culpa por ele estar nesse lugar.
Fala ainda que nunca o amei de verdade.
Digo a ele que é a consciência dele que está presa
nesse lugar. Agradeço-lhe por ter sido o meu pai,
por ter feito de mim essa pessoa que sou hoje. E
que, por imaturidade, eu não percebia que ele me
amava como filha - do jeito dele. Mas que hoje,
vejo muitas qualidades que não percebia nele, como
a honestidade e o gosto pelo trabalho. Digo-lhe
que eu o perdôo por tudo que ele fez por mim
(pausa). Agora, pego na sua mão e o levo até um
jardim. Eu o tirei do umbral. Estamos sentados num
banco desse jardim. O meu mentor está se
aproximando de nós. Ele usa um roupão branco,
barba e cabelos ralos. Ele fala que está contente
com as minhas atitudes, de ter tirado o meu pai
das trevas, e de aprender a perdoar.
Agora ele sabe que eu aprendi a amar
incondicionalmente, porque, depois de tudo o que
presenciei em meu passado, o que o meu pai me fez,
ainda o tirei do umbral e lhe disse que eu o amava
e o perdoava. Digo ao meu mentor que sempre vou
emitir luz para o meu pai porque agora sei que era
ele que fazia barulho em meu quarto. Foi uma forma
que ele encontrou para eu ajudá-lo. Vejo agora o
meu mentor pegando na mão do meu pai. Ele vai
levá-lo para tratá-lo espiritualmente dos vícios
da bebida e de sua tendência agressiva.
Diz ainda que o meu pai precisa de amor, porque a
minha família ainda nutre muito ódio e rancor
dele. E que esse ódio da família alimenta também o
ódio dele. Fala também que o meu pai é um espírito
ainda muito primitivo - ele não se esforçou muito
para exercitar o amor. Ele deixou ser levado pelos
seus obsessores, e que ainda tem muito a aprender.
Talvez não volte a reencarnar novamente porque na
Terra não vai mais ter espaço para espíritos tão
rudes como ele. Diz ainda que meu pai teve várias
oportunidades reencarnando no passado para
aprender a melhorar, a amar, mas ele não quis”.
- Pergunte para o seu mentor o que mais você pode
fazer para ajudar o seu pai - peço-lhe.
“Ele me diz: ame, ame, ame!
Fala que vou ter que influenciar a minha família,
e que vou saber como fazer isso. Isso vai ajudá-lo
bastante. Estou agora abraçando o meu pai e ele me
pede perdão, diz que está orgulhoso de mim
(pausa).
O meu mentor espiritual está levando-o embora e me
diz que vai estar sempre do meu lado. Eu o
agradeço por tudo que tem feito por mim”.
Após passar por mais quatro sessões de regressão,
a paciente estava dormindo tranqüila, e não
acordava mais de madrugada com calafrios e
barulhos em seu quarto. |