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No catolicismo, o perdão está nas
orações repetidas pelos fiéis: "Perdoar as nossas
ofensas assim como nos perdoamos a quem nos tenha
ofendido".
No entanto, na prática do dia-a-dia é mais fácil
pedir perdão a Deus do que perdoar a si mesmo e aos
outros.
Por que quando falamos em perdão, falamos em fechar
feridas: mágoas, ressentimentos, ódio e desejo de
vingança, seja desta vida, ou muito mais antigas, de
vidas passadas.
Desta forma, para se perdoar de verdade, não é
"esquecer", simplesmente "deixar para lá", mas
compreender a verdadeira causa e superar a agressão
sofrida no passado.
Quando se consegue isso, fecha-se uma ferida e
ambos, agressor e agredido, rompem os "laços
energéticos" que os impedem de se libertarem das
amarras do passado.
É por isso que logo no início da Sutra Sagrada da
Seita filosófica da Seicho no Ie está escrito:
"Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da
terra. Quando se efetivar a reconciliação com todas
as coisas do céu e da terra, tudo será teu amigo.
Quando todo o Universo se tornar teu amigo, coisa
alguma do Universo poderá causar-te dano. Se és
ferido por algo ou se és atingido por micróbios ou
por espíritos baixos, é prova de que não estás
reconciliado com todas as coisas do céu e da terra.
Reflexiona e reconcilia-te".
Céu significa o mundo espiritual e a terra o mundo
terreno, o planeta Terra.
Felizardo é aquele que não tem nenhum inimigo, seja
encarnado (mundo terreno) como desencarnado (mundo
espiritual).
Mas o pior inimigo é aquele que habita o mundo
espiritual das trevas (astral inferior), pois nós
não o vemos, são os inimigos ocultos, invisíveis à
maioria dos encarnados. A obsessão espiritual, ainda
não catalogada nos compêndios médicos e psicológicos
(tanto a medicina como a psicologia oficial ainda
não aceitam a existência do espírito, isto é, de uma
vida após a morte), revela-se como um dos grandes
flagelos da humanidade.
Muitos espíritos obsessores, aproveitando-se do
estado de invisibilidade, desejosos de se vingarem,
exercem um malefício inimaginável na vida de seus
desafetos.
No meu consultório, muitos pacientes não conseguem
regredir inicialmente nas sessões de regressão por
interferência desses espíritos obsessores, que
sabotam o tratamento, não deixando que os mesmos
regridam porque sabem que a TVP (Terapia de Vidas
Passadas) irá ajudá-los a se libertarem de seus
problemas.
Muitos se manifestam (aparecem de frente ao
paciente) nas primeiras sessões de regressão,
acusando o paciente dos malefícios que este lhes
provocou numa vida passada.
Não obstante, vencidos pelo cansaço, enfraquecidos
pelo sofrimento de viverem nas trevas, na escuridão
(umbral) - por séculos até - a maioria desses
espíritos obsessores aceita ser ajudada pelos
espíritos amparadores de luz que os levam para
tratamento no astral superior.
Costumo esclarecer aos meus pacientes, que a TVP
propicia a ambos, obsessor e obsediado, uma grande
oportunidade de se libertarem das amarras do passado
para que cada um possa seguir o caminho de sua
evolução.
Mas, para isso, as duas partes (paciente e obsessor)
precisam se entregar ao perdão mútuo, único antídoto
para se libertarem. Neste sentido, a TVP é muito
mais do que uma regressão de memória, mas é -
sobretudo - um ato de amor.
Caso Clínico:
Calafrios e barulhos no quarto.
Mulher de 28 anos, solteira, veio ao meu consultório
se queixando de não conseguir dormir direito porque
acordava de madrugada, assustada, sentindo calafrios
e escutava barulhos em seu quarto.
Ao acender a luz e se certificar de onde vinha o
barulho, não encontrava nada.
Os calafrios e os barulhos se intensificaram e, não
agüentando mais, resolveu procurar a minha ajuda
profissional.
Ao regredir me relatou: "Sinto uma pressão na cabeça
(pausa). Sinto um peso na cabeça. Uma sensação
ruim... Tem alguém segurando, pressionando a minha
cabeça".
- Veja quem pressiona a sua cabeça - pergunto-lhe.
"É um homem. Ele está vestido de preto, rindo de
mim".
- Pergunte-lhe o que ele quer de você - peço à
paciente.
"Ele fala que eu não vou me libertar dele tão
facilmente (pausa). Ele volta a pressionar a minha
cabeça; está grudado em mim. É ele que faz aquele
barulho no meu quarto, quer que eu sofra e quer a
minha luz".
- Veja onde ele está - pergunto-lhe.
"Está na escuridão, nas trevas". (umbral).
- Pergunte-lhe o que aconteceu para ele parar nesse
lugar - peço à paciente.
"Vejo agora uma mulher com um lenço na cabeça,
carregando no colo uma criança. Essa mulher sou eu,
e carrego a minha filha. É numa vida passada. Tem um
caixão; é um homem que está dentro dele. Eu me vejo
chorando".
- Volte antes dessa cena para ver o que aconteceu -
peço-lhe.
"Esse homem é o meu marido. Vejo-o entrando num bar.
Eu sou uma garçonete e trabalho nesse bar. Uso um
vestido que deixa os ombros à vista (pausa). O bar
está cheio de gente, estou servindo às mesas. Eu
converso com um rapaz, acho-o simpático. O meu
marido entra e acha que estou paquerando esse rapaz.
Ele me agride na frente de todos. O rapaz se levanta
da cadeira e bate no meu marido. (pausa).
Meu marido me chama de vagabunda, fala que nossa
filha não é dele. Ele está alterado, bêbado. Ele
bebe muito (pausa).
Estou reconhecendo o meu marido... Ele é o meu pai
da vida atual. Ele faleceu há 14 anos.
- Avance mais para frente nessa cena dessa vida
passada - peço-lhe.
"Estamos na nossa casa, ela é pequena, pobre. Ele
bate em mim, me maltrata. Tenho medo e ódio dele,
desejo que ele morra. Fico rezando a Deus para
levá-lo (pausa). É curioso, na vida atual, eu fazia
a mesma coisa quando o meu pai era vivo. Ficava
rezando e desejando que morresse" (pausa).
- Volte novamente na cena dessa vida passada -
peço-lhe.
"Ele espanca a minha filha também. (pausa). Vejo
agora aquele rapaz do bar entrando na minha casa
porque me escutou gritando. Eles começam a brigar, o
meu marido bateu a cabeça na quina da mesa e acabou
morrendo. Aquele rapaz foge, eu fico desesperada e
ao mesmo tempo aliviada. Fico chorando, aliviada,
porque ele morreu (pausa). Agora ele está sendo
enterrado, vejo entidades espirituais de capa preta
levando-o. Ele está num lugar frio, escuro, triste.
(pausa).
Foi o meu marido que atraiu essas entidades, porque
ele vivia nas sombras, tinha muito ódio no coração,
era violento, agressivo. Ele voltou na vida atual
como meu pai para se redimir das coisas ruins que
tinha feito a mim. Mas não conseguiu, fracassou no
seu propósito de vida. Na vida atual, o meu pai
faleceu de infarto, também bebia muito, era
violento, batia em mim, na minha mãe e nos meus
irmãos. Na minha infância, ele pegou uma arma e
brincou de roleta russa comigo e com os meus irmãos.
Eu devia ter uns 7 anos. Ficamos todos desesperados.
Ele batia na gente por qualquer motivo".
- Pergunte ao seu pai o que você pode fazer para
ajudá-lo - peço à paciente.
"Ele fala que, embora eu pense que o perdoei, na
verdade não o perdoei, porque fico falando mal dele
para as pessoas. Diz que eu senti um alivio pela
morte dele na vida atual, exatamente como ocorrera
na vida passada. Ele quer que eu o ajude a sair de
onde ele está (umbral). Fala que está sofrendo, e me
culpa por ele estar nesse lugar. Fala ainda que
nunca o amei de verdade.
Digo a ele que é a consciência dele que está presa
nesse lugar. Agradeço-lhe por ter sido o meu pai,
por ter feito de mim essa pessoa que sou hoje. E
que, por imaturidade, eu não percebia que ele me
amava como filha - do jeito dele. Mas que hoje, vejo
muitas qualidades que não percebia nele, como a
honestidade e o gosto pelo trabalho. Digo-lhe que eu
o perdôo por tudo que ele fez por mim (pausa).
Agora, pego na sua mão e o levo até um jardim. Eu o
tirei do umbral. Estamos sentados num banco desse
jardim. O meu mentor está se aproximando de nós. Ele
usa um roupão branco, barba e cabelos ralos. Ele
fala que está contente com as minhas atitudes, de
ter tirado o meu pai das trevas, e de aprender a
perdoar.
Agora ele sabe que eu aprendi a amar
incondicionalmente, porque, depois de tudo o que
presenciei em meu passado, o que o meu pai me fez,
ainda o tirei do umbral e lhe disse que eu o amava e
o perdoava. Digo ao meu mentor que sempre vou emitir
luz para o meu pai porque agora sei que era ele que
fazia barulho em meu quarto. Foi uma forma que ele
encontrou para eu ajudá-lo. Vejo agora o meu mentor
pegando na mão do meu pai. Ele vai levá-lo para
tratá-lo espiritualmente dos vícios da bebida e de
sua tendência agressiva.
Diz ainda que o meu pai precisa de amor, porque a
minha família ainda nutre muito ódio e rancor dele.
E que esse ódio da família alimenta também o ódio
dele. Fala também que o meu pai é um espírito ainda
muito primitivo - ele não se esforçou muito para
exercitar o amor. Ele deixou ser levado pelos seus
obsessores, e que ainda tem muito a aprender.
Talvez não volte a reencarnar novamente porque na
Terra não vai mais ter espaço para espíritos tão
rudes como ele. Diz ainda que meu pai teve várias
oportunidades reencarnando no passado para aprender
a melhorar, a amar, mas ele não quis".
- Pergunte para o seu mentor o que mais você pode
fazer para ajudar o seu pai - peço-lhe.
"Ele me diz: ame, ame, ame!
Fala que vou ter que influenciar a minha família, e
que vou saber como fazer isso. Isso vai ajudá-lo
bastante. Estou agora abraçando o meu pai e ele me
pede perdão, diz que está orgulhoso de mim (pausa).
O meu mentor espiritual está levando-o embora e me
diz que vai estar sempre do meu lado. Eu o agradeço
por tudo que tem feito por mim".
Após passar por mais quatro sessões de regressão, a
paciente estava dormindo tranqüila, e não acordava
mais de madrugada com calafrios e barulhos em seu
quarto.
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