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A vida tem as suas razões
Osvaldo Shimoda
Pela reencarnação o que se afigura injustiça se
torna admiravelmente justo, o que parece
inexplicável se explica racionalmente”.
- Allan Kardec.
Tudo tem o seu tempo de maturidade.
Assim também ocorre com a regressão de memória. Ao
passar pela Terapia Regressiva Evolutiva (TRE),
pode ocorrer do paciente ainda não estar
suficientemente maduro emocional e espiritualmente
para “descortinar o véu” de seu passado (barreira
da memória que ocorre em forma de Amnésia, e que o
impede de saber a origem de seus problemas). Em
vista disso, a Espiritualidade (espíritos
superiores do Plano Maior) ou mesmo a alma do
paciente, não permitem que ele saiba a respeito de
seu passado para poupá-lo psicologicamente, por
entenderem que o mesmo não teria estrutura
emocional para suportar o impacto de uma revelação
brusca de seu passado.
Este é o motivo pelo qual as experiências
traumáticas do passado, sejam desta (infância,
nascimento, útero materno) ou de outras vidas -
causadoras dos problemas do paciente - em muitos
casos sejam reveladas gradativamente, a cada
sessão. Há que se considerar também que romper a
barreira de memória (amnésia), implica em remexer
em feridas antigas do paciente.
Neste sentido, a TRE equivale a um “tratamento
cirúrgico” para curar as feridas da alma, do
espírito.
É por isso que nunca é demais dizer que fazer a
regressão de memória somente para satisfazer uma
mera curiosidade fútil, de querer saber se foi uma
personalidade histórica, famosa, tipo rei ou
rainha, não cabe como motivo para utilizar-se
dessa terapia.
Em verdade, o objetivo da TRE se traduz na máxima
secular de Cristo: “A verdade vos libertará”,
ou seja, a verdade a respeito do passado do
paciente, causador de seus problemas. Sem dúvida
alguma, a verdade liberta, mas somente para os que
estão preparados, maduros emocional e
espiritualmente, pois é preciso dizer aqui que a
Terapia Regressiva Evolutiva é uma terapia de
revelação.
Há pacientes que me perguntam se com essa terapia
elas irão se curar; esclareço que a efetividade da
TRE vai depender de dois fatores:
1°) Maturidade emocional e espiritual - já
mencionados acima;
2º) Merecimento - o mentor espiritual de um
paciente - numa das sessões de regressão - me
disse: “A cada um será dado segundo suas obras”
. Ele me explicou que, de acordo com os nossos
feitos praticados, seja desta ou de vidas
passadas, iremos colher os resultados.
Portanto, de acordo com o merecimento do paciente,
ele será auxiliado no que for possível no momento
pela Espiritualidade. Desta forma, é fundamental
afirmar aqui que a cura do paciente vai depender
muito mais dele - dos seus próprios méritos, do
que semeou - do que de mim enquanto terapeuta, e
das presenças espirituais amigas que auxiliam no
processo de autoconhecimento e cura do paciente.
Nunca é demais ressaltar também que tanto o
terapeuta quanto as forças espirituais amigas
(mentores espirituais) são apenas facilitadores,
meios para ajudar o paciente no seu processo de
cura.
Em alguns casos, o mentor espiritual do paciente
chega a dizer na sessão de regressão que ele ainda
não está pronto para se libertar de seus
bloqueios, porque precisa passar por outras
experiências de vida para sua aprendizagem e, só
assim, terá condições de se libertar das amarras
de seu passado. Mas esclarece que o paciente deu
um grande passo no seu processo de libertação ao
passar pela TRE.
Caso Clínico: Gagueira.
Homem, 25 anos, solteiro.
O paciente me procurou por conta de sua gagueira,
pois quando ficava muito ansioso e nervoso, as
palavras saiam com muita dificuldade. Sua gagueira
se acentuava mais ao ter que expor suas idéias em
seu trabalho. Desta forma, ao ter que se expor em
grupo, ou diante de uma pessoa mais autoritária e
incisiva, e, principalmente, quando esta o
interrompia em sua exposição, este fato o deixava
muito inseguro e nervoso, levando-o a gaguejar.
Antes de me consultar, procurou uma fonoaudióloga,
mas não obteve nenhum resultado.
Ao regredir me relatou:
“A impressão é de que estou a cavalo correndo
atrás de um homem negro; ele é um escravo. Tenho a
sensação de estar usando um chapéu e tenho um
bigode. Na minha mão, seguro um chicote, sou meio
gordo (pausa).
Estou agora açoitando o negro. Ele está sem
camisa, usa uma calça amarrada com um cordão, que
vai até as canelas.
Após açoitá-lo, eu o enforquei. Ele tentou pegar
alguma coisa minha. Sou rico, dono de uma
fazenda”. (pausa).
- Avance mais para frente nessa cena - peço ao
paciente.
“Estou agora dentro de minha casa, é tudo de
madeira, é bonita. Estou na sala de espera. Vejo
uma senhora sentada numa poltrona desta sala, me
aguardando. Ela é uma senhora negra, gorda, e usa
um lenço na cabeça. Está toda vestida de branco.
Ela se identifica dizendo ser a mãe daquele negro
que açoitei. Ela me pergunta por que tirei a vida
de seu filho, enforçando-o.
Eu respondo dizendo que ele roubou algo meu. A
impressão que tenho é que ele pegou uma fruta, uma
manga da fruteira. Ela me disse que ele pegou
porque estava com fome. Digo que ele pegou algo
que era meu e não dele.
Ela continua me afirmando que ele pegou para
saciar a fome dele.
Eu grito e falo para ela que não lhe devia nenhuma
satisfação e ordeno que ela saia de minha casa.
Ela sai e fico pensando “quem ela pensa que é”. Eu
mando em tudo aqui, e as terras são todas minha.
Sento na poltrona onde ela estava. Vejo que calço
botas bem lustradas e seguro um chicote na mão”.
(pausa).
- Prossiga nessa cena e avance mais para frente -
peço ao paciente.
“A impressão é de que essa senhora negra me matou.
Ela me deu uma facada no peito. Vejo-a com uma
faca grande na mão. Quando eu a mandei se retirar
de minha casa, ela pegou uma faca na cozinha. Vejo
a faca toda ensangüentada. Estou na frente dela e
me vejo colocando as mãos ensangüentadas sobre o
meu peito, caindo”.
- Quais foram seus últimos pensamentos e
sentimentos no momento de sua morte? -
pergunto-lhe.
“Fico sem saber o que está acontecendo comigo.
Vejo o meu corpo caído, estou meio de lado e com
as pernas dobradas. Estou em espírito ao lado de
meu corpo, e aquela senhora negra continua no
local.
Ela olha para o meu corpo e diz: “Isso é para você
nunca mais maltratar, açoitar, maltratar e matar
alguém!”.
Ela fala com muito ódio e rancor. Em espírito, ao
romper a barreira da memória (esquecimento)
lembrei, isto é, reconheci que a senhora negra não
me era estranha. Em várias encarnações já
estivemos juntos, alternando os papéis de algoz e
vítima, um prejudicando sempre o outro. Vem em
pensamento que falhei mais uma vez em quebrar o
ciclo cármico entre nós. Lembrei que o meu
propósito de vida nessa encarnação passada era me
reconciliar com ela. Era para eu ter me
arrependido e pedir desculpas por ter tirado a
vida de seu filho. Sinto tristeza por ter falhando
mais uma vez, por não ter cumprido o meu propósito
de vida. Tenho a sensação de que essa senhora
negra e o seu filho ainda estão desencarnados.
Peço perdão e desculpas para ela e para o seu
filho, e que Deus nos auxilie em nossa
reconciliação”. (paciente começa a chorar).
- Pergunte ao seu mentor espiritual se ele tem
alguma coisa a lhe dizer? - Peço ao paciente.
“Ele me diz que agora as coisas estão mais claras
em minha mente. Fala que a gagueira é resultado de
meu sentimento de culpa na hora que vim a falecer
naquela vida passada. Em espírito, ao lado de meu
corpo caído, eu tomei consciência de que não podia
ter tirado uma vida pelo simples fato daquele
escravo ter roubado uma manga. Também falhei em
não me reconciliar com aquela senhora negra. Essa
sensação de impotência, de fracasso, de não ter
comprido o meu propósito, trago ainda na vida
atual, me sentido muito inseguro, com muito medo
de errar, de falhar novamente. Desta forma, o meu
mentor espiritual esclarece que a minha gagueira -
que é uma falha em me comunicar -, é resultado de
meu medo em falhar novamente, de minha insegurança
em agir. Diz que a gagueira é o meu medo de expor
as minhas idéias e de ser julgado pelas pessoas.
Esclarece também que esse medo e a insegurança em
falar, estão sendo influenciados negativamente por
aquela senhora negra e o seu filho que ainda não
me perdoaram. Mas diz que nas próximas sessões de
regressão, iremos conseguir a reconciliação”.
Após o paciente passar por mais quatro sessões de
regressão, a senhora negra e o seu filho o
perdoaram. Paciente me disse que estava sentindo
uma leveza, um contentamento muito grande. Estava
também se sentindo mais autoconfiante, não se
sentia mais culpado pelo seu passado. Seu mentor
lhe disse espiritualmente que agora ele tinha
aprendido a lição de ser humilde e não ser mais
autoritário e arrogante como na vida passada.
Tinha aprendido a respeitar mais as pessoas. Em
relação à sua gagueira, ainda precisava eliminar
os vícios de linguagem. Neste sentido, precisava
agora novamente procurar uma fonoaudióloga para
reeducar a sua fala. Seu mentor lhe esclareceu que
desta vez a reeducação da fala lhe seria muito
útil. |