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O Portal da Espiritualidade II
Osvaldo Shimoda
"A
criança poderá tornar-se consciente
somente se, na sua vida anterior, houver
meditado o suficiente, se houver criado
suficiente energia meditativa para lutar
contra a escuridão que a morte traz.
O indivíduo encontra-se simplesmente
perdido em um esquecimento e, então,
de repente, encontra um novo útero e
esquece complemente do corpo antigo.
Essa escuridão, essa inconsciência gera
a descontinuidade. O oriente tem
trabalhado arduamente para penetrar
essas barreiras. Todos podem
adentrar sua vida anterior, e até muitas
vidas passadas. Conquanto possa ser
divertido fantasiar a respeito de vidas
passadas famosas, isso não passa de uma
distração. O importante é enxergar e
entender os padrões kármicos das
nossas vidas e as suas raízes, em um
ciclo repetitivo sem fim que nos
aprisiona em um comportamento
inconsciente".
Osho Hyakujo: The Everest of Zen chapter
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No artigo anterior (O Portal da
Espiritualidade 1) eu expliquei que na
Terapia Regressiva Evolutiva (TRE)
, método psicoterápico por mim
desenvolvido, utilizo um portão que é um
artifício para facilitar o acesso do
paciente às memórias passadas de seu
inconsciente, (experiências
traumáticas), seja desta vida (infância,
nascimento, útero materno) ou de suas
vidas passadas, causadoras de seus
problemas atuais.
Esse portão funciona como um portal que
separa o passado do presente, o mundo
espiritual do mundo físico.
É nesse portal que costumam ocorrer
acontecimentos inusitados, e que daria
para escrever um livro, tal a riqueza
das experiências relatadas pelos
pacientes que passaram comigo pela TRE.
Em verdade, é esse portal que propicia
ao paciente adentrar o seu passado.
"Enxergar e entender os padrões Kármicos
das nossas vidas (passadas) e as suas
raízes, em um ciclo repetitivo sem fim
que nos aprisiona em um comportamento
inconsciente"; parafraseando as palavras
do mestre oriental Osho que expôs
sabiamente sua visão acerca dos padrões
Kármicos (crenças) que trazemos de vidas
passadas na introdução desse artigo.
Portanto, atravessar esse portal, na
regressão de memória, significa romper
a barreira da memória (esquecimento)
que nos impede de lembrar acontecimentos
dolorosos de nosso passado (desta ou de
outras vidas). Fatos causadores de
inúmeros distúrbios psíquicos,
psicossomáticos, orgânicos (doenças
orgânicas de causa desconhecida pela
medicina oficial) e de relacionamento
interpessoal (relacionamentos dolorosos,
truncados, difíceis que não "atam e nem
desatam" entre marido e mulher, pais e
filhos, entre irmãos, etc.)
São, portanto, distúrbios kármicos
que nos aprisionam e nos infelicitam.
Quero esclarecer aqui que Karma não é
castigo, punição de quem pecou em vidas
passadas, mas o preço que pagamos pela
resistência em mudar. É a repetição, às
vezes por séculos, em várias
encarnações, de crenças, idéias que o
paciente teria condições de modificar,
mas que ainda reluta em mudar.
Por exemplo, se você em várias
encarnações cultivou a crença no
desvalor, sentimento de inferioridade,
de que não merece ser feliz, não é digno
de respeito, de consideração, e continua
cultivando na encarnação atual esses
sentimentos de desvalorização e
desapreço, irá certamente atrair
situações e pessoas arrogantes,
prepotentes que o humilharão, o
destratarão.
Portanto, são os pensamentos e as
crenças que criam o nosso destino (Karma).
Através de nossas crenças, as profissões
são escolhidas, os relacionamentos são
formados e as vidas são vividas. Quando
as modificamos para melhor, tudo se
transforma. É comum o paciente, ao
atravessar o portal, descobrir que em
várias encarnações sempre passou por
situações humilhantes e servis (escravo,
prostituta, mendigo, serviçal, criança
abandonada, espancada, etc.).
Desta forma, são as nossas crenças que
geram nossas atitudes, criam o nosso
destino. Somos nós, com o nosso
arbítrio, quem o programamos. É
fundamental afirmar nesse artigo, que
podemos mudar e reprogramar o nosso
destino. Em verdade, não existe
fatalismo, uma vez que os acontecimentos
mudam conforme mudamos as nossas
atitudes.
Você cultiva um padrão de pensamento -
embora não tenha consciência -, que
atraiu determinados acontecimentos em
sua vida atual. É possível que o venha
cultivando em várias encarnações.
Com essa atitude, criou seu Karma que se
repetirá enquanto você não descobrir a
verdadeira causa que se oculta atrás de
sua maneira de pensar.
A TRE, como instrumento de
autoconhecimento e cura, propicia ao
paciente - quando este rompe a barreira
da memória, atravessando o portal - uma
grande oportunidade de rever suas
crenças antigas e quebrar o seu ciclo
Kármico.
Caso Clínico:
Dificuldade de Engravidar
Mulher de 32 anos, casada.
Veio com o marido ao meu consultório.
Queria saber o motivo de não conseguir
engravidar.
Há dois anos o casal tentava sem sucesso
ter uma criança.
Buscaram ajuda até no exterior (EUA),
nas melhores clínicas de reprodução
humana, mas a paciente não conseguia
engravidar. Por recomendação de um
renovado médico obstetra de São Paulo,
especialista em reprodução humana - que
conhecia o meu trabalho - o casal me
procurou.
Ao regredir a paciente me relatou:
"Vejo uma árvore e, ao lado, um pequeno
baú de madeira. Tenho a sensação de
estar na Itália, no séc. XIX. Meus
cabelos são lisos e compridos, calço um
sapatinho marrom, bico fino. Minhas mãos
são brancas, uso um vestido longo,
simples, as mangas são fofas. Ele é
apertado na cintura.
Eu me sinto atormentada...
Sei que aquele baú de madeira que vi no
início da regressão, ao lado daquela
árvore, contém aquilo que me atormenta.
Eu não quero que ninguém saiba o que tem
dentro daquele baú. Também não quero me
desfazer do que tem dentro dele"
(pausa).
- Volte mais no tempo, retroceda para
ver o que você guarda nesse baú - peço à
paciente.
"Estou numa casa rica, é a minha casa,
moro com os meus pais. Tenho a impressão
de ser uma florentina, nasci na cidade
de Florença, na Itália. Mas essa bela
cidade me faz mal, odeio essa cidade,
apesar de sua beleza.
Existe muita podridão aqui. É tudo pelo
dinheiro, poder e prazer.
Temos a arte mais desenvolvida do mundo,
as abóbadas das nossas construções são
de uma perfeição que nenhum grego é
capaz de imaginar. Mas o veneno corre
solto, as pessoas adoram matar os seus
desafetos, os envenenando. A lei aqui é
uma piada. As pessoas de poder fazem o
que bem entendem, podem tudo. Agora, um
cidadão comum, por um deslize menor, é
severamente julgado" (pausa).
- Vá prosseguindo nessa cena - peço à
paciente.
"Eu me vejo debruçada na janela de minha
casa. Vejo a cidade do alto, é uma vista
magnífica" (pausa).
- Avance agora bem mais para frente
nessa cena - peço à paciente novamente.
"Eu volto naquela árvore, estou sentada,
encostada no tronco da árvore. Eu me
sinto doente, febril, minha existência
foi em vão. Não consegui mudar nada".
- O que você queria mudar? -
pergunto-lhe.
"Eu queria que todos aqueles florentinos
safados com poder fossem à forca, que o
povo os julgasse e os condenasse como eu
fui condenada. Mas a minha condenação
foi só moral; porém, pesada".
- Você foi condenada por quê? -
pergunto-lhe.
"Eu matei o meu próprio filho, assim que
o pari. Eu fui expulsa de casa pelos
meus pais, assim que eles descobriram
que eu estava grávida. Fui viver uma
vida simples, após a minha expulsão.
Assim que eu pari o meu filho, fiquei
desesperada, não tinha recursos, apoio
de ninguém.Após matá-lo, eu me recusei a
enterrá-lo. Eu o carrego dentro daquele
baú. Eu não me separo dele nunca, lá
estão os seus ossos.
É muito cruel o que fiz! (paciente chora
intensamente). Eu tentei esconder a
gravidez de meus pais, mas eles acabaram
descobrindo. Todos da cidade ficaram
sabendo. Era uma desonra para o meu pai,
sua filha grávida não ser casada. Fui
apedrejada pelos moradores, tive que
fugir da cidade, fui morar numa outra
cidade, bem longe da minha terra natal.
Eu me apresentava como Marieta, mas o
meu nome verdadeiro era Giuliana.
As pessoas me perguntavam o que tinha
dentro do baú. Não enterrei o meu filho
porque a culpa era muito grande. Além do
que fiz, meu pai tinha grandes planos
para mim. Ele queria me ver bem casada"
(pausa).
- Vá para o momento de sua morte nessa
vida passada - peço à paciente.
"Eu acho que morri de uma estranha
doença, uma febre intensa que dava
naquela época".
- Que pensamentos e sentimentos lhe
vieram no momento de sua morte -
pergunto-lhe.
"Eu chorei, pedi perdão a Deus e àquele
filho (paciente chora copiosamente).
Foi muito doloroso não deixá-lo viver.
Mas a minha desonra, não era nada perto
da sujeira, da imundice daquela cidade.
As prostitutas eram respeitadas pelos
homens de poder, pois eles freqüentavam
os prostíbulos.
No desespero, eu matei o meu filho, pois
iria ser um filho bastardo e eu me
acovardei. Durante a gravidez, eu
conversava com ele passando a mão na
barriga. A minha consciência me
perturbava. Na verdade, eu queria ser
mãe, mas no fim fiquei com medo de meus
pais e da sociedade. Na época, uma
mulher grávida fora do casamento, podia
ser morta pelo pai. Mas ele preferiu me
expulsar de casa.
Eu não me separava daquele baú; onde eu
ia, carregava-o comigo.
À noite, eu o embalava em meu colo;
morri segurando-o próximo de meu corpo".
Após a sessão de regressão, a paciente
compreendeu que ainda trazia na vida
atual, a culpa, o remorso de ter tirado
a vida de seu filho daquela vida
passada. Em verdade, entendeu que não
conseguia engravidar porque
inconscientemente estava se autopunindo,
pois não se sentia digna, merecedora de
engravidar, de ser mãe.
Após passar por mais quatro sessões de
regressão, a paciente conseguiu se
perdoar e se libertar, portanto, dessa
culpa. Seis meses após o tratamento,
recebi um telefonema da paciente me
comunicando que estava grávida.
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