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"A criança poderá tornar-se
consciente somente se, na sua vida anterior, houver
meditado o suficiente, se houver criado suficiente
energia meditativa para lutar contra a escuridão que
a morte traz.
O indivíduo encontra-se simplesmente perdido em um
esquecimento e, então, de repente, encontra um novo
útero e esquece complemente do corpo antigo. Essa
escuridão, essa inconsciência gera a
descontinuidade. O oriente tem trabalhado arduamente
para penetrar essas barreiras. Todos podem adentrar
sua vida anterior, e até muitas vidas passadas.
Conquanto possa ser divertido fantasiar a respeito
de vidas passadas famosas, isso não passa de uma
distração. O importante é enxergar e entender os
padrões kármicos das nossas vidas e as suas raízes,
em um ciclo repetitivo sem fim que nos aprisiona em
um comportamento inconsciente".
Osho Hyakujo: The Everest of Zen chapter 7
No artigo anterior (O Portal da Espiritualidade 1)
eu expliquei que na Terapia Regressiva Evolutiva
(TRE) , método psicoterápico por mim desenvolvido,
utilizo um portão que é um artifício para facilitar
o acesso do paciente às memórias passadas de seu
inconsciente, (experiências traumáticas), seja desta
vida (infância, nascimento, útero materno) ou de
suas vidas passadas, causadoras de seus problemas
atuais.
Esse portão funciona como um portal que separa o
passado do presente, o mundo espiritual do mundo
físico.
É nesse portal que costumam ocorrer acontecimentos
inusitados, e que daria para escrever um livro, tal
a riqueza das experiências relatadas pelos pacientes
que passaram comigo pela TRE.
Em verdade, é esse portal que propicia ao paciente
adentrar o seu passado. "Enxergar e entender os
padrões Kármicos das nossas vidas (passadas) e as
suas raízes, em um ciclo repetitivo sem fim que nos
aprisiona em um comportamento inconsciente";
parafraseando as palavras do mestre oriental Osho
que expôs sabiamente sua visão acerca dos padrões
Kármicos (crenças) que trazemos de vidas passadas na
introdução desse artigo.
Portanto, atravessar esse portal, na regressão de
memória, significa romper a barreira da memória
(esquecimento) que nos impede de lembrar
acontecimentos dolorosos de nosso passado (desta ou
de outras vidas). Fatos causadores de inúmeros
distúrbios psíquicos, psicossomáticos, orgânicos
(doenças orgânicas de causa desconhecida pela
medicina oficial) e de relacionamento interpessoal
(relacionamentos dolorosos, truncados, difíceis que
não "atam e nem desatam" entre marido e mulher, pais
e filhos, entre irmãos, etc.)
São, portanto, distúrbios kármicos que nos
aprisionam e nos infelicitam.
Quero esclarecer aqui que Karma não é castigo,
punição de quem pecou em vidas passadas, mas o preço
que pagamos pela resistência em mudar. É a
repetição, às vezes por séculos, em várias
encarnações, de crenças, idéias que o paciente teria
condições de modificar, mas que ainda reluta em
mudar.
Por exemplo, se você em várias encarnações cultivou
a crença no desvalor, sentimento de inferioridade,
de que não merece ser feliz, não é digno de
respeito, de consideração, e continua cultivando na
encarnação atual esses sentimentos de desvalorização
e desapreço, irá certamente atrair situações e
pessoas arrogantes, prepotentes que o humilharão, o
destratarão.
Portanto, são os pensamentos e as crenças que criam
o nosso destino (Karma). Através de nossas crenças,
as profissões são escolhidas, os relacionamentos são
formados e as vidas são vividas. Quando as
modificamos para melhor, tudo se transforma. É comum
o paciente, ao atravessar o portal, descobrir que em
várias encarnações sempre passou por situações
humilhantes e servis (escravo, prostituta, mendigo,
serviçal, criança abandonada, espancada, etc.).
Desta forma, são as nossas crenças que geram nossas
atitudes, criam o nosso destino. Somos nós, com o
nosso arbítrio, quem o programamos. É fundamental
afirmar nesse artigo, que podemos mudar e
reprogramar o nosso destino. Em verdade, não existe
fatalismo, uma vez que os acontecimentos mudam
conforme mudamos as nossas atitudes.
Você cultiva um padrão de pensamento - embora não
tenha consciência -, que atraiu determinados
acontecimentos em sua vida atual. É possível que o
venha cultivando em várias encarnações.
Com essa atitude, criou seu Karma que se repetirá
enquanto você não descobrir a verdadeira causa que
se oculta atrás de sua maneira de pensar.
A TRE, como instrumento de autoconhecimento e cura,
propicia ao paciente - quando este rompe a barreira
da memória, atravessando o portal - uma grande
oportunidade de rever suas crenças antigas e quebrar
o seu ciclo Kármico.
Caso Clínico:
Dificuldade de Engravidar
Mulher de 32 anos, casada.
Veio com o marido ao meu consultório. Queria saber o
motivo de não conseguir engravidar.
Há dois anos o casal tentava sem sucesso ter uma
criança.
Buscaram ajuda até no exterior (EUA), nas melhores
clínicas de reprodução humana, mas a paciente não
conseguia engravidar. Por recomendação de um
renovado médico obstetra de São Paulo, especialista
em reprodução humana - que conhecia o meu trabalho -
o casal me procurou.
Ao regredir a paciente me relatou:
"Vejo uma árvore e, ao lado, um pequeno baú de
madeira. Tenho a sensação de estar na Itália, no
séc. XIX. Meus cabelos são lisos e compridos, calço
um sapatinho marrom, bico fino. Minhas mãos são
brancas, uso um vestido longo, simples, as mangas
são fofas. Ele é apertado na cintura.
Eu me sinto atormentada...
Sei que aquele baú de madeira que vi no início da
regressão, ao lado daquela árvore, contém aquilo que
me atormenta. Eu não quero que ninguém saiba o que
tem dentro daquele baú. Também não quero me desfazer
do que tem dentro dele" (pausa).
- Volte mais no tempo, retroceda para ver o que você
guarda nesse baú - peço à paciente.
"Estou numa casa rica, é a minha casa, moro com os
meus pais. Tenho a impressão de ser uma florentina,
nasci na cidade de Florença, na Itália. Mas essa
bela cidade me faz mal, odeio essa cidade, apesar de
sua beleza.
Existe muita podridão aqui. É tudo pelo dinheiro,
poder e prazer.
Temos a arte mais desenvolvida do mundo, as abóbadas
das nossas construções são de uma perfeição que
nenhum grego é capaz de imaginar. Mas o veneno corre
solto, as pessoas adoram matar os seus desafetos, os
envenenando. A lei aqui é uma piada. As pessoas de
poder fazem o que bem entendem, podem tudo. Agora,
um cidadão comum, por um deslize menor, é
severamente julgado" (pausa).
- Vá prosseguindo nessa cena - peço à paciente.
"Eu me vejo debruçada na janela de minha casa. Vejo
a cidade do alto, é uma vista magnífica" (pausa).
- Avance agora bem mais para frente nessa cena -
peço à paciente novamente.
"Eu volto naquela árvore, estou sentada, encostada
no tronco da árvore. Eu me sinto doente, febril,
minha existência foi em vão. Não consegui mudar
nada".
- O que você queria mudar? - pergunto-lhe.
"Eu queria que todos aqueles florentinos safados com
poder fossem à forca, que o povo os julgasse e os
condenasse como eu fui condenada. Mas a minha
condenação foi só moral; porém, pesada".
- Você foi condenada por quê? - pergunto-lhe.
"Eu matei o meu próprio filho, assim que o pari. Eu
fui expulsa de casa pelos meus pais, assim que eles
descobriram que eu estava grávida. Fui viver uma
vida simples, após a minha expulsão. Assim que eu
pari o meu filho, fiquei desesperada, não tinha
recursos, apoio de ninguém.Após matá-lo, eu me
recusei a enterrá-lo. Eu o carrego dentro daquele
baú. Eu não me separo dele nunca, lá estão os seus
ossos.
É muito cruel o que fiz! (paciente chora
intensamente). Eu tentei esconder a gravidez de meus
pais, mas eles acabaram descobrindo. Todos da cidade
ficaram sabendo. Era uma desonra para o meu pai, sua
filha grávida não ser casada. Fui apedrejada pelos
moradores, tive que fugir da cidade, fui morar numa
outra cidade, bem longe da minha terra natal.
Eu me apresentava como Marieta, mas o meu nome
verdadeiro era Giuliana.
As pessoas me perguntavam o que tinha dentro do baú.
Não enterrei o meu filho porque a culpa era muito
grande. Além do que fiz, meu pai tinha grandes
planos para mim. Ele queria me ver bem casada"
(pausa).
- Vá para o momento de sua morte nessa vida passada
- peço à paciente.
"Eu acho que morri de uma estranha doença, uma febre
intensa que dava naquela época".
- Que pensamentos e sentimentos lhe vieram no
momento de sua morte - pergunto-lhe.
"Eu chorei, pedi perdão a Deus e àquele filho
(paciente chora copiosamente).
Foi muito doloroso não deixá-lo viver.
Mas a minha desonra, não era nada perto da sujeira,
da imundice daquela cidade. As prostitutas eram
respeitadas pelos homens de poder, pois eles
freqüentavam os prostíbulos.
No desespero, eu matei o meu filho, pois iria ser um
filho bastardo e eu me acovardei. Durante a
gravidez, eu conversava com ele passando a mão na
barriga. A minha consciência me perturbava. Na
verdade, eu queria ser mãe, mas no fim fiquei com
medo de meus pais e da sociedade. Na época, uma
mulher grávida fora do casamento, podia ser morta
pelo pai. Mas ele preferiu me expulsar de casa.
Eu não me separava daquele baú; onde eu ia,
carregava-o comigo.
À noite, eu o embalava em meu colo; morri
segurando-o próximo de meu corpo".
Após a sessão de regressão, a paciente compreendeu
que ainda trazia na vida atual, a culpa, o remorso
de ter tirado a vida de seu filho daquela vida
passada. Em verdade, entendeu que não conseguia
engravidar porque inconscientemente estava se
autopunindo, pois não se sentia digna, merecedora de
engravidar, de ser mãe.
Após passar por mais quatro sessões de regressão, a
paciente conseguiu se perdoar e se libertar,
portanto, dessa culpa. Seis meses após o tratamento,
recebi um telefonema da paciente me comunicando que
estava grávida.
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