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O
Portal da Espiritualidade III
Osvaldo Shimoda
“Eu
não sou contra o materialismo. Eles são
necessários. Nenhum tibetano quer uma vida pobre.
Nós precisamos da modernidade, do desenvolvimento.
Mas só pensar em bens materiais está errado.
Facilidades materiais nos trazem conforto físico.
Bens matérias, dinheiro ou poder não podem nos
trazer tranqüilidade mental. Além das facilidades
materiais, precisamos de espiritualidade.
Ela nos traz paz. Nós não somos animais que nos
contentamos com abrigo e comida.
Temos inteligência e, às vezes, ela cria
necessidades adicionais”.
- Dalai Lama
(Entrevista concedida ao repórter da
Folha de São Paulo em 30/04/06 quando
este lhe questionou que estava sendo
contraditório ao pregar ser contra o materialismo
e, no entanto, hospedar-se em hotel caro
em São Paulo e mais as pessoas terem que pagar
para assistir às suas palestras).
Na Terapia Regressiva Evolutiva (TRE) ,
método psicoterápico desenvolvido por mim, fruto
dos meus 21 anos (desde 1985) trabalhando com a
Terapia de Vida Passada (TVP), mencionei nos
artigos anteriores (Portal da Espiritualidade 1 e
2) que me utilizo de um portão (peço para o
paciente visualizá-lo em estado alterado de
consciência) para que ele possa romper sua
barreira da memória (Esquecimento do Passado) e,
com isso, acessar o inconsciente onde estão
registrados os acontecimentos dolorosos,
traumáticos de seu passado, seja desta vida
(infância, nascimento, útero materno) ou de vidas
passadas, responsáveis pelas suas fobias,
depressão, ansiedade, angústia, crises de pânico,
doenças orgânicas de causa desconhecida pela
medicina oficial e problemas de relacionamentos
truncados, difíceis, que não “atam e nem desatam”
entre pais e filhos, cônjuges, irmãos, parentes,
chefes , colegas de trabalho, etc.
Esse portão imaginário funciona como um
portal que separa o passado do presente, o mundo
espiritual do mundo físico.
Em verdade, o meu consultório é um Portal da
Espiritualidade onde o paciente tem a
oportunidade de acessar o seu passado através da
regressão de memória para se libertar das amarras
(bloqueios emocionais) que o prendem ao seu
passado, ‘revivenciando’ a origem de seu problema.
O Portal propicia também ao paciente, um contato
amplo e direto com os espíritos superiores -
mentor(a) espiritual - que irá lhe revelar aquilo
que é necessário saber em relação aos seus
problema e sua resolução, bem como de
acontecimentos futuros - se for necessário - e de
seu propósito de vida.
É importante salientar aqui, que nem sempre nessa
terapia o paciente regride ao seu passado, ao
atravessar o portal. Em muitos casos, seu(sua)
mentor(a) espiritual o poupa de regredir por
várias razões, mas a causa principal está no fato
de achar que o paciente não tem ainda estrutura
emocional suficiente para ‘revivenciar’
acontecimentos traumáticos, portanto, bastante
dolorosos. Sabe que se ele revivenciar o seu
passado, ao invés de ajudá-lo, poderá, pelo
contrário, prejudicá-lo com a regressão de
memória. Portanto, muitos mentores espirituais
preferem fazer revelações ao paciente, dizendo-lhe
as causas de seus problemas, ao invés de deixá-lo
revivenciar o seu passado traumático.
Veja o caso de uma paciente que ilustra bem essa
preocupação acima referida.
A paciente me procurou por conta de sua baixa
auto-estima, dificuldade de dizer não às pessoas,
e medo de confiar nelas e de criar vínculos
afetivos.
Caso Clínico:
Baixa Auto-Estima
Mulher de 25 anos, casada.
A paciente veio ao meu consultório por não ter
confiança em si (insegurança), baixa auto-estima
(sentimento de desvalorização e incapacidade),
dificuldade de se vincular afetivamente às pessoas
(mesmo com o marido) e muito medo de enfrentar a
vida, de fracassar. Tinha também dificuldade em
dizer não, de desagradar as pessoas. Não conseguia
se vincular afetivamente a ninguém por não confiar
nele. Não se permitia afeiçoar-se às pessoas. Teve
um aborto espontâneo após o primeiro filho, e isso
a incomodava muito, pois sentia muita culpa por
ter perdido a criança. Queria entender também por
que sua mãe a abandonou quando ainda era criança.
Isso fez com que guardasse muita mágoa dela.
Ao regredir a paciente me disse:
“Ao atravessar o portão (Portal), vejo uma luz
dourada. É o meu Mentor Espiritual! (pausa). Ele
me diz que é comum a gente passar por problemas e
achar que é ruim, mas que é para eu tirar uma
lição, extrair uma aprendizagem de cada problema.
Ele diz que eu posso superar todos os meus
obstáculos, mas, para isso, eu preciso aprender a
ver os aspectos positivos nos acontecimentos
dolorosos da vida. Diz ainda que eu tenho muito
que aprender e ensinar também. Fala que eu tenho
medo de enfrentar a vida e fracassar porque em
vidas passadas, nascido como homem, num episodio
dramático liderei um grupo de pessoas e todas
morreram massacradas.
Ele esclarece que, na verdade, eu não queria
liderar a revolução, mas acabei comandando a
pedido daquelas pessoas que confiavam muito em
mim. Por isso, na vida atual, continuo tendo
dificuldade de dizer não às pessoas, de
desagradá-las. Diz que ainda me sinto culpada pela
morte de todos”.
- Pergunte ao seu mentor espiritual de onde vem a
sua baixa auto-estima - peço à paciente.
“Ele diz que vem mesmo dessa revolução nessa vida
passada. Fala que ao morrer nessa revolução fiquei
totalmente desfigurado (pausa)”.
- O que foi que aconteceu para você ficar
desfigurada? - sugiro que a paciente pergunte ao
seu mentor.
“Os inimigos me capturaram e me torturaram porque
eu era o líder do grupo. Eles queimaram o meu
rosto, deceparam a minha cabeça e todos os meus
membros, ou seja, depois de me torturarem, me
esquartejaram (paciente chora).
O meu mentor diz que essa revolução eu liderei
contra o meu próprio pai, que era o Rei. Eu não
concordava com a brutalidade dele, pois ele
torturava os seus opositores e depois os matava.
Diz ainda que eu tenho uma baixa auto-estima, uma
auto-imagem negativa na vida atual porque naquela
vida passada meu rosto ficou todo deformado ao ser
queimado.
O Rei, que era o meu pai, na vida atual é o meu
marido (pausa)”.
- Pergunte ao seu mentor por que vocês vieram
agora como marido e mulher? - peço à paciente.
“É para nós - desta vez - resgatar o verdadeiro
amor. Vindo como cônjuges, vamos poder exercitar,
expressar o amor”.
- Pergunte-lhe de onde vem sua desconfiança nas
pessoas na vida atual - peço à paciente.
“Nessa revolução, um amigo me traiu. Tudo o que
planejava com o grupo, ele ia e falava para o meu
pai. É por isso que o meu pai nos armou uma
emboscada e me capturou (pausa). O meu mentor me
fala que eu preciso aprender a perdoar as pessoas,
ser mais tolerante, mas que tudo nessa vida tem o
tempo certo para acontecer. Agora ele me abraça,
sinto uma sensação de paz, aconchego e
tranqüilidade. Diz ainda que vou ser muito feliz,
mas primeiro vou ter que aprender a controlar meus
impulsos. Quando fico com raiva, quero xingar as
pessoas, principalmente o meu filho. Fala para eu
ter paciência com ele, para eu nunca bater nele,
pois ele já é um espírito elevado (pausa).
Diz também que não preciso me sentir culpada por
ter perdido aquele bebê (aborto espontâneo). Ele
foi abortado porque precisava somente daquele
curto espaço de vida para se purificar (pausa; a
paciente começa a chorar copiosamente).
- Pergunto-lhe por que ela está chorando...
“O meu mentor espiritual me diz que aquele bebê
que eu perdi era ele. Me fala que sabe que eu
sofri muito naquela ocasião. Diz ainda que se
sente muito grato por mim porque eu o amava
(pausa). Ele fala que minha mãe me abandonou
porque eu também a abandonei numa vida passada.
Ele está agora se despedindo e pede para quando
for me deitar à noite, me conecte com ele através
da meditação.
Diz que se eu me conectar mais com ele, vai poder
me ajudar.
Diz também que nunca vai me dar respostas para
tudo porque se eu tiver respostas para todas as
questões da vida, não vou mais precisar viver
nesta jornada. Fala que muitas vezes preciso
resolver os problemas por mim mesma, mas que nos
problemas mais difíceis, ele estará sempre do meu
lado para me orientar”.
- Pergunte-lhe por que ele só veio a se manifestar
na quarta sessão de regressão - peço à paciente.
“Ele diz que nas primeiras sessões eu ainda estava
confusa, insegura, sem saber se podia confiar no
senhor (referindo-se a mim como terapeuta). Isso
dificultou a minha comunicação com ele, pois a
minha desconfiança impediu de me entregar ao
processo terapêutico. Mas diz que agora estou
reaprendendo a confiar nas pessoas. Ele fala que
agora eu confio no senhor”.
Após passar por mais 4 sessões de regressão, a
paciente estava se sentido mais autoconfiante,
estava se valorizando mais, se vinculando às
pessoas, exercitando sua capacidade de amar, em
especial com o marido e o filho.
Estava exercitando também sua capacidade de impor
limites, aprendendo a dizer não às pessoas. |