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O
Poder Transformador das Experiências de
Quase-Morte (E.Q.M.)
Osvaldo Shimoda
“Eu não acredito que a mente humana morra, porque
está provado que a mente humana não conhece
passado, nem presente, nem futuro; contudo, se ela
pode prever acontecimentos futuros, está acima do
tempo, e se está acima do tempo, não pode ficar
trancafiada num corpo”.
C. G. Jung
O termo “Experiências de Quase-Morte” (EQM)
, tradução de “Near-death experiences”, cunhado
pelo psiquiatra americano Raymond Moody Jr.,
surgiu com a publicação de seu livro “A Vida
Depois da Vida”, em 1975 (Butterfly Editora).
Depois da publicação desse livro, o Dr. Moody
investigou mais de mil casos de relatos de
pacientes que tiveram uma Experiência de
Quase-Morte, ou seja, de pacientes que tiveram uma
parada cardio-respiratoria (morte clínica) e que
foram ressuscitados pelos médicos no hospital. Os
relatos desses pacientes que passaram pela E.Q.M.,
segundo o psiquiatra, são muito similares. Relatam
que ouviram a notícia dada pelo médico de que
estavam mortos, passaram rapidamente através de
uma espécie de túnel em direção a uma luz e
encontraram-se com seres de luz, sendo tomados por
um sentimento indescritível de paz e serenidade.
Ao entrar no túnel - no fim dele -, quase sempre
há uma luz. E ao entrar nessa luz, o ambiente é
paradisíaco e lá se encontram com os espíritos de
parentes desencarnados. Nesse lugar, ocorre uma
recapitulação rápida, porém nítida, de toda sua
vida atual como se tivessem vendo o filme de sua
vida. A maioria desses pacientes se recusa a
querer voltar para o seu corpo físico no hospital,
porque as experiências de E.Q.M.realmente são
muito agradáveis. Muitos ficaram bravos com seus
médicos por trazê-los de volta.
A maioria dos pacientes chegou a relatar ao Dr.
Moody que só voltaram porque tinham filhos para
criar ou porque os cônjuges ou pais podiam sentir
sua falta. Mas o que mais intrigou o Dr. Moody nos
relatos desses pacientes foi que a maioria deles
voltou profundamente modificada, transformada em
sua visão a seu respeito, com relação às pessoas e
ao mundo, perdendo o medo da morte e passando a
viver com mais alegria, ética e destemor.
Na revista The Lancet (renomada revista
médica internacional) foi publicado um relato de
um médico que participou de uma pesquisa
científica holandesa sobre E.Q.M. O médico que
estava de plantão noturno na unidade coronariana,
atendeu um paciente de 44 anos na porta do
pronto-socorro (a ambulância trouxe o paciente),
em coma, cianótico (extremidades arroxeadas) e em
parada cardíaca. Ele recebeu ventilação
artificial, massagem cardíaca e desfibrilação.
Quando o médico foi encubá-lo, a sua dentadura
caiu e o médico a apanhou do chão e a colocou
rapidamente sobre o carrinho de atendimento. Após
uma semana - depois de conseguir ressuscitar o seu
coração - o médico se encontrou novamente com o
paciente, desta vez restabelecido no leito de seu
quarto do hospital.
O paciente ao ver o médico perguntou: “Doutor,
onde está a minha dentadura? Quando a ambulância
me trouxe para o hospital e o senhor foi me
entubar, a dentadura caiu e o senhor rapidamente a
pegou e a colocou em cima do carrinho”.
Estupefato, o médico questionou o paciente
querendo saber como ele sabia desses detalhes,
estando em coma profundo, com o coração parado...
O paciente lhe informou que vira a si próprio na
maca - de uma perspectiva de cima -, viu a equipe
médica tentando reanimar o seu coração. Descreveu
corretamente, em detalhes, a pequena sala em que
fora atendido.
Disse que tentou desesperadamente e sem sucesso
mostrar que ainda estava vivo e que a equipe
médica deveria prosseguir com as manobras de
ressuscitação. O paciente relatou ao médico que
estava profundamente impressionado pela sua
experiência e que não tinha mais medo de morrer.
Quatro semanas depois, teve alta hospitalar em
boas condições de saúde.
Pesquisa realizada em 1982 pelo Instituto Gallup
dos EUA apontou que cerca de oito milhões de
norte-americanos passaram pela experiência da
morte súbita interrompida, a EQM.
No Brasil, ainda não existe nenhum tipo de
estatística de EQM.
Apesar das inúmeras pesquisas realizadas com
relação às Experiências de Quase-Morte, muitos
médicos e cientistas afirmam que a EQM, na
verdade, é causada pela insuficiência de oxigênio
no cérebro (hipóxia). Portanto, para eles, a EQM é
um fenômeno fisiológico cerebral, e isso
explicaria as imagens que os pacientes têm de
seres de luz, túneis, experiências extra-corpóreas
(saída do corpo), etc.
Vê-se que é uma teoria que não tem lógica. Como um
paciente que sofreu uma parada cardíaca por vários
minutos, em estado de coma descreveu
detalhadamente as manobras feitas pela equipe
médica mencionada acima? Será que uma mera
alucinação visual decorrente de uma falta de
oxigenação cerebral seria capaz de provocar na
maioria dos pacientes uma mudança tão profunda em
seus valores de vida e crença?
Quero aqui reiterar o meu apoio à pesquisa do Dr.
Raymond Moody Jr. sobre a EQM como uma experiência
enriquecedora e transformadora, porque vai de
encontro aos relatos de meus pacientes que se
submeteram à Terapia Regressiva Evolutiva (TRE) e
que tiveram muitas das experiências similares às
dos pacientes que se aproximavam da morte
entrevistados pelo Dr. Moody.
Os leitores que vêm acompanhando os relatos dos
meus pacientes (casos clínicos) no site Somos
Todos Um podem perceber que nas sessões de
regressão eles passam por alguns dos sintomas da
EQM (sensação de estar fora do corpo, sensação
real de paz, região escura ou enevoada, seres de
luz - mentores espirituais -, parentes
desencarnados, revisão da vida (mentor mostra suas
vidas passadas e a atual como num filme), ascensão
rápida ao céu (após revivenciar sua morte numa
vida passada, muitos pacientes sentem-se flutuar e
sobem rapidamente aos céus, ao mundo espiritual de
luz - região bucólica, paradisíaca e de muito
verde).
Nos relatos dos pacientes do Dr. Moody que
passaram pela EQM, todos narram encontros com uma
entidade bondosa e acolhedora que irradia amor e
compreensão, que os ajuda revendo sua vida atual.
Na Terapia Regressiva Evolutiva (TRE) esse ser de
luz se identifica como o(a) mentor(a) espiritual
do paciente, que é uma entidade espiritual
diretamente responsável pela evolução espiritual
dele e que o conhece profundamente, pois vem
acompanhando-o em várias encarnações. Seu(sua)
mentor(a) espiritual o faz regredir para
compreender os seus acertos e erros de suas vidas
passadas e, com isso, compreender melhor sua vida
atual e a origem de seus problemas.
Mas, tanto nos relatos dos pacientes que passaram
pela EQM, como nos dos meus pacientes, o encontro
com esses seres de luz - na maioria desses
pacientes -, provocou profundas mudanças em sua
vida atual.
Veja o caso de um paciente que, após ter revivido
na TRE sua morte numa vida passada e de ter
conversado com o seu mentor espiritual,
transformou sua visão a seu respeito, com relação
aos outros e à vida.
Caso Clínico: Secura de afeto
Homem de 30 anos, solteiro.
Veio ao meu consultório por conta de sua
dificuldade de se relacionar com as pessoas, isto
é, era muito agressivo, ansioso, impaciente,
impulsivo e temperamental (explosivo, “pavio
curto”). Não tinha muita paciência em lidar com os
seus pacientes e colegas de trabalho - é médico
obstetra -, chegando a destratá-los.
Evidentemente, tais comportamentos lhe traziam
muitos dissabores e desafetos. Era também uma
pessoa muito tímida, fechada e sisuda.
Desde criança sentia uma solidão (mesmo rodeado de
gente) e uma tristeza profunda sem ter um motivo,
uma causa real que justificasse tais sentimentos.
Ao regredir, me relatou:
“Vejo uma ponte de pedra, é noite, o lugar é muito
frio (paciente começa a tremer bastante). Tem um
rio embaixo, eu tenho que andar e atravessar a
ponte. Estou sozinho, ahiii, que frio! (paciente
fala tremendo todo).
Vejo uma casa grande, enorme, é um castelo. Estou
entrando na casa, é muito iluminada, está quente,
a casa tem uma lareira. Vou me aquecer, estou com
muito frio.
Estou me aproximando da lareira, vou esquentar as
minhas mãos... Estranho! Vejo minhas mãos escuras,
como se fossem sombras”...
- Olhe para o seu corpo - peço ao paciente.
Não tenho um corpo definido, só vejo minha
silhueta, sou como um vulto escuro”...
- Você sente os seus pés apoiados no chão? -
Pergunto-lhe.
“Não, eu flutuo” - Paciente me responde.
- Então, você está em espírito, você está
desencarnado! Só os espíritos flutuam, pairam no
ar - explico ao paciente.
“Meu Deus, então eu estou morto?! (paciente chora
copiosamente).
Agora, estou me vendo melhor, estou sujo, muito
feio”.
- Vá para o momento de sua morte nessa vida
passada e veja como você morreu - peço ao
paciente.
“Sou gordo, forte, branco, alto. Meu rosto é
redondo, bochechudo, nariz afilado, cabelos
pretos, calço sapatos com fivelas. Devo ter uns 40
anos.
Vejo muitas mulheres conversando comigo, sou
médico parteiro, faço muitos abortos. Minhas mãos
estão cheias de sangue, fiz muitos abortos. Eram
prostitutas, me davam muito dinheiro, moedas de
ouro. Não tenho família, sou uma pessoa muito
solitária e triste (pausa).
Agora estou vendo uma moça, deve ter 16, 17 anos.
Ela é linda, meiga, dócil!
É de uma família muito rica - o pai dela é o dono
daquele castelo que vi no começo da regressão.
A moça veio ao meu consultório para se
consultar... Na verdade, veio para se insinuar...
Eu confundi as coisas porque além de ser seu
médico, sou bem mais velho do que ela. Eu me
empolgo, coloco-a no meu colo e a beijo. Ela
também corresponde.
Mas na hora de fazer sexo, ela fica assustada e se
recusa.
Eu a forço e ela começa a chorar, fica
desesperada, começa a gritar, mas acabo
obrigando-a a fazer sexo comigo. Ela contou para o
pai dela.
Ele armou uma emboscada para mim. Recebi uma
chamada falsa para atender uma gestante. Eu estava
atravessando aquela ponte e me pegaram. São homens
muito fortes, me amarraram com uma corda bem
grossa, as minhas mãos estão amarradas para trás,
presas a uma pedra grande, e me jogaram no rio”.
- Vá para o momento de sua morte nessa vida
passada e perceba quais foram seus últimos
pensamentos e sentimentos - peço ao paciente.
“Eu grito, penso que joguei fora a minha vida por
nada. Ela se insinuou, eu me sentia só, carente, e
ela era muito linda, graciosa...
Sinto muito frio, meu espírito está saindo da
água, estou flutuando.
Chego na porta daquele castelo... Entro e me
aqueço naquela lareira (pausa). Esse castelo é
onde mora aquela garota.
Eu vou até o quarto dela, passo a mão em seu
cabelo. Ela está dormindo, olho para ela e lhe
pergunto: “Por que você fez isso comigo”?
Chega um Ser de Luz, irradia uma luz muito clara,
intensa, e me tira desse quarto, me leva para um
lugar paradisíaco, um jardim muito bonito (plano
espiritual de luz).
Agora estou numa cama, é um lugar muito claro.
Vejo seres vestidos de branco (roupão branco), me
colocam numa cama e estão me limpando, começam a
tirar toda a sujeira do rio. Estou vomitando algo
preto que saí pela minha boca, mas o lugar é muito
limpo e branco. Estou deitado, vestindo também um
roupão branco (pausa).
Agora estou em pé, sozinho nesse quarto... aquele
Ser de luz aparece. Vejo-o melhor, é uma mulher.
Ela me abraça, estou muito triste.
Ela põe a mão no meu coração e diz em pensamento (telepaticamente)
para eu ficar calmo. Eu a abraço, chorando muito.
Ela me fala (na verdade, eu leio o pensamento
dela, pois ela não articula os lábios, não escuto
a voz dela) que preciso reencarnar, pois tenho que
aprender a amar por conta dessa vida passada.
Era muito tímido, muito fechado nessa existência
passada, e tinha dificuldade de expressar
afetividade, amor (paciente percebe que traz as
mesmas dificuldades na vida atual). Falo que não
quero reencarnar, mas ela diz que preciso voltar.
Esclarece que muitos dos que matei - tirei suas
vidas nessa vida passada pelos abortos que
pratiquei -, vou precisar ajudar. Esclarece que
irei ajudá-los, reencarnando novamente como médico
obstetra, mas, desta vez, não para tirar vidas, e
sim para gerá-las, ajudá-los a reencarnar através
dos partos. Ela me diz: “Calma, relaxa, tira essa
ruga da testa, não se preocupe, você vai conseguir
cumprir seu propósito de vida nessa nova
encarnação (vida atual)”.
Esse Ser de luz é uma senhora muito bonita,
irradia muita luz, parece uma santa (chora
emocionado).
Fala para ir com Deus, e que irei cumprir as
minhas obrigações, mas tudo a seu tempo; reitera
novamente para não me preocupar (pausa).
Estou sozinho agora, vejo uma luz dourada banhando
o meu corpo. Vejo sair fótons (quantum de luz,
partículas elementares - NDR) dos meus poros”.
- Como você se sente? - Pergunto ao paciente.
“Reconfortado, em paz, bastante sereno”.
Após essa sessão de regressão (era a 4ª sessão),
paciente me disse que estava se sentindo mais
tranqüilo, calmo. Antes do tratamento era tenso,
irritadiço, estressado. Estava se sentindo mais
solto, sereno, mudou até sua forma de respirar
(respirava com dificuldade), agora respirava
tranqüilamente, sem esforço.
Estava também menos ansioso, comendo mais devagar,
degustando os alimentos (antes não mastigava,
“engolia” a comida sem sentir o seu sabor).
Estava vendo a si e às pessoas com outros olhos.
Percebeu que estava tratando os colegas de
trabalho e seus pacientes com mais carinho e
respeito, não mais de forma rude, agressiva.
Seus colegas de trabalho estavam estranhando seu
comportamento respeitoso e calmo, antes agressivo
e explosivo.
Em relação aos seus pacientes, se surpreendeu
dando abraços acalorados - antes era seco -, quase
não os olhava direito.
Disse-me que tinha resgatado sua capacidade de
amar, não sabia que era disfuncional do ponto de
vista amoroso, que não funcionava bem nessa área
da ternura. Não sentia mais aquela tristeza e
solidão, estava se sentindo muito bem. |