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Loucura ou Obsessão Espiritual?
Osvaldo Shimoda
“Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em
nossos atos?
- Muito mais do que imaginais. Influem a tal
ponto, que, de ordinário, são eles que vos
dirigem”.
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Questão
459).
Recentemente, foi manchete nos jornais e na mídia
televisiva o caso de uma mulher que ateou fogo
numa aposentada idosa em uma agência bancária no
Rio de Janeiro.
A aposentada foi internada em estado grave com 60%
do corpo queimado e veio a falecer posteriormente.
A agressora justificou à polícia o seu ato por
conta da raiva que sentiu ao não conseguir receber
a sua pensão na agência bancária. Mas, de acordo
com o banco, ela não recebeu o benefício porque
veio na data errada (não era o dia certo de seu
recebimento).
Confessou ainda à polícia que praticou tal ato
porque estava fora do seu normal e se sentia
perseguida por uma luz que a “esfaqueava por
dentro”. Essa luz dizia que ia matá-la e aos seus
filhos também. Apesar de ter praticado um ato tão
bárbaro, disse que não estava arrependida.
Eu pergunto: “É um caso de loucura ou obsessão
espiritual?”.
Como pode se diferenciar a loucura propriamente
dita de uma interferência espiritual obsessora? No
caso dessa mulher, é difícil de responder com
certeza até porque cada caso é um caso. É muito
tênue a linha divisória que separa a loucura da
obsessão espiritual. Mas, sem a menor sombra de
dúvida, a obsessão espiritual pode ser a causa de
um processo de loucura.
Na psicogênese de inúmeros casos de loucura, é
freqüente a existência de um fator obsessivo, ou
seja, a interferência de espíritos que têm por
objetivo causar irritação para prejudicar o
obsediado.
Pode ser o caso dessa mulher que estava irritada,
aborrecida, e que se sentia perseguida por uma luz
que a “esfaqueava por dentro” (na minha prática
clínica, é comum na regressão de memória o
paciente ver o seu obsessor como uma luz cinza ou
um vulto escuro, uma sombra).
Não obstante, é importante dizer aqui que inúmeros
pacientes em hospitais ou clínicas psiquiátricas
não são loucos no sentido da palavra. São apenas
obsediados.
Portanto, há que se diferenciar um distúrbio
mediúnico, espiritual, de um distúrbio
psiquiátrico propriamente dito.
Allan Kardec, o codificador do Espiritismo dizia:
“Há loucura que não é loucura, é apenas obsessão.
Mas há loucura que não passa de um transtorno
eminentemente psiquiátrico”.
No entanto, é importante esclarecer que um
distúrbio mediúnico, caso se prolongue por muito
tempo, pode ocasionar um dano no cérebro e
provocar a loucura psiquiátrica.
Desta forma, se de um lado existem os espíritos
obsessores que prejudicam o obsediado
influenciando-o negativamente em seus pensamentos
e ações, existem também os espíritos protetores a
nos guiar e orientar diante das adversidades da
vida. Portanto, não é um exagero dizer que a todo
o momento estamos sendo guiados ou influenciados
por bons ou maus espíritos.
Mas é através de nossos pensamentos, sentimentos e
atitudes no dia-a-dia, que determinamos ao lado de
quem estaremos: bons ou maus espíritos.
É bom lembrar que os espíritos se ligam a nós pela
afinidade de nossos padrões vibratórios de
pensamentos, sentimentos e atitudes.
Se você vibra negativamente, cultivando no
cotidiano ódio, ira, rancor, desesperança,
tristeza, medos, vingança, amargura, é óbvio que
irá atrair os maus espíritos.
Lembre-se que é você que atrái os bons ou maus
espíritos, de acordo com a Lei da Afinidade (os
semelhantes se atraem).
Entre o bem e o mal é você quem escolhe de que
lado quer ficar.
Ligue-se com a luz, evoque a presença dos
espíritos superiores cultivando bons pensamentos,
sentimentos e atitudes, que assim será protegido
por eles, mesmo não percebendo.
Caso Clínico:
Depressão e sentimento de incapacidade
Homem de 35 anos, solteiro.
O paciente me procurou por conta de seu sentimento
de incapacidade e inferioridade. Cultivava
constantemente pensamentos críticos - se
desvalorizando - do tipo: “Você é burro,
retardado”; “Você é um fracasso, é melhor desistir
porque não vai dar certo”.
Tudo que começava não terminava, pois tinha
auto-estima muito baixa. Acordava depressivo, pois
era comum se sentir atormentado por esses
pensamentos.
Desta forma, queria saber o porquê de ser tão
critico, exigente consigo mesmo e que o levava a
se sentir incapaz.
Ao regredir, me relatou: “Sinto algo pressionando
o meu rosto... a impressão é que alguém está
empurrando, afundando o meu rosto no divã (pausa).
Vejo agora na minha frente uma luz cinza, meio
escura...
Estou sentindo um calafrio muito forte pelo corpo
todo com a presença dessa luz aqui no
consultório”.
- Pergunte a essa luz (entidade espiritual) se ela
teria algo a lhe dizer - peço ao paciente.
“Ela me diz: ‘Você vai morrer!’. ‘Você não tem
nada na vida porque é um desgraçado!’.
- Pergunte-lhe o que você fez para ela no passado?
“Está me dando tontura porque o divã está girando
rapidamente (é comum em meu consultório a entidade
obsessora fazer o divã ”rodopiar” para agredir e
amedrontar o paciente. Em verdade, é tudo uma
ilusão, uma falsa sensação, pois em nenhum momento
o divã sai do lugar). Agora parou, não sinto mais
o divã girando...
Olhando bem para essa luz cinza, percebo que é uma
mulher (pausa)”.
- Pergunte-lhe que relação vocês tiveram no
passado - peço ao paciente.
“Ela me diz que fomos casados e que desgracei a
vida dela”.
- O que você fez para ela?
“Ela fala que eu tirei a vida dela, que não a
deixei viver. Por isso, qualquer deslize, erro que
eu cometo na vida atual, me cobra, condena, não me
deixa viver também (paciente entende agora que
aqueles pensamentos negativos, críticos,
condenatórios, que o fazem se sentir
inferiorizado, depressivo e com baixa auto-estima
não são dele, mas provocados por essa entidade
espiritual)”.
- Pergunte se ela sabe há quanto tempo está
desencarnada, em espírito na escuridão, nas
trevas?
“Diz chorando que não sabe ao certo, mas é
provável que se trate de mais de 100 anos”.
- Você gostaria de lhe dizer alguma coisa? -
Pergunto ao paciente.
“Eu peço perdão, de coração pelo que lhe fiz, e
que hoje jamais tiraria a sua vida” (paciente fala
emocionado).
- Pergunte se ela quer ser ajudada, se deseja sair
desse lugar escuro?
“Ela diz que sim”.
- Então, pede para ela evocar os espíritos
amparadores, benevolentes, para sair desse lugar -
peço ao paciente (pausa).
“Vejo um ser de luz - é uma luz muito intensa,
clara - se aproximando dela (pausa).
Eles estão agora entrando por um túnel
iluminado... sumiram.
Uma outra luz clara, bem intensa, vindo de cima se
aproxima de mim. Sinto uma paz muito grande, é
incrível!”.
- Pede para ela se identificar...
“Diz que é a minha mentora espiritual (entidade
espiritual diretamente responsável pela evolução
do paciente que o guia, protege e o aconselha).
Sinto uma paz e tranqüilidade vindo dela e uma luz
bem clara que ela irradia e que me ilumina também.
Ela me diz que preciso ser forte, não ter medo, e
que está sempre me ajudando em todos os momentos
difíceis de minha vida. Diz para eu fazer tudo na
vida com amor e dedicação.
Sinto uma paz enorme, pois ela emana uma energia
muito boa. Sua luz está irradiando a sala toda”.
(Paciente se refere ao consultório).
- Veja se sua mentora espiritual teria mais alguma
coisa a lhe dizer - peço ao paciente.
“Ela só pede para eu cultivar o amor em meu
coração e agradece ao senhor (referindo-se a mim
como terapeuta) por essa oportunidade de poder se
comunicar comigo”.
Após ter passado por mais quatro sessões de
regressão, o paciente estava se sentindo muito
bem, mais animado e motivado. Não vinham mais em
sua mente aqueles pensamentos críticos, negativos
e desqualificadores que o deixavam deprimido,
desesperançoso e inseguro.
Antes do tratamento, por qualquer deslize ou erro
que cometesse, vinham muito forte esses
pensamentos que ficavam martelando em sua mente, e
que o levavam a se sentir deprimido e desmotivado.
Sentia que tinha tirado um peso enorme de suas
costas, bem como resgatado sua auto-estima. |