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Insucesso Amoroso
Osvaldo Shimoda
Certa ocasião, uma paciente me procurou
pelo fato de seus relacionamentos
amorosos não darem certo. Veio ao meu
consultório com muita culpa por achar
que seus padrões mentais negativos é que
estavam atraindo homens desfavoráveis.
Em verdade, ela percebeu que dois
fatores colaboraram para cultivar essa
culpa:
A igreja católica e os livros de
auto-ajuda.
A igreja católica ainda hoje prega a
idéia de que o casamento é indissolúvel
perante Deus. Desta forma, ela se sentia
duplamente culpada, isto é, por ter
dissolvido o seu casamento com o seu
marido, e por sentir-se responsável pelo
seu fracasso.
Expliquei-lhe que nem sempre homens e
mulheres vêm à vida terrena para se
relacionarem com uma única pessoa e
ficarem para o resto de suas vidas
juntos.
Procurei esclarecê-la que, dentro da
visão reencarnacionista, tudo vai
depender de seu programa reencarnatório,
ou seja, de seu propósito de vida. Se no
seu programa reencarnatório o objetivo é
de se reencontrar com uma determinada
pessoa apenas para resgatar pendências
cármicas de uma vida passada e, cada um
seguir o seu caminho, após suas
respectivas aprendizagens, não há porque
continuar juntos até o final de suas
vidas. Neste sentido, há pessoas que não
vieram para casar ou constituir uma
família nesta vida. Seu propósito de
vida, de aprendizagem, portanto, é
outro.
Sua culpa também foi reforçada pelos
livros de auto-ajuda que dizem que
atraímos parceiros(as) desfavoráveis
pelo fato de cultivarmos padrões mentais
negativos (crenças) a nível inconsciente
do sexo oposto, ou pelo medo da
intimidade, ou seja, medo de se entregar
num relacionamento afetivo por conta de
uma desilusão amorosa que sofrera. Daí
atrair inconscientemente parceiros(as)
desfavoráveis para não se envolverem
afetivamente.
Desta forma, homens e mulheres buscam se
auto-sabotar, portanto, para evitarem
seus temores em se envolver e virem a
sofrer novamente.
Disse-lhe que concordava plenamente com
essas idéias que explicam as causas do
insucesso amoroso. No entanto, procurei
alertá-la sobre o perigo de se
generalizar a causa de um problema, pois
cada pessoa é única, singular e,
portanto, também apresenta uma história
de vida única. Mesmo irmãos gêmeos
univitelinos, ainda que semelhantes
entre si, não têm - em absoluto - uma
personalidade idêntica.
Se partirmos do pressuposto que somos
seres imortais, que já existíamos antes
de nascermos neste mundo, e que trazemos
atitudes negativas e positivas, frutos
de experiências adquiridas em vidas
passadas, é evidente que a nossa
história de vida será única também.
Neste sentido, muitos livros de
auto-ajuda incorrem no erro de adotar
uma visão simplista, de "rotular" a
causa de um problema, generalizando-a.
Exemplificando: Se uma pessoa tem
problemas nas articulações, esses livros
atribuem a causa a personalidades
inflexíveis e rígidas que se recusam a
mudar, que resistem, portanto, ao
processo de transformação. Realmente,
isso é um fato na minha prática clínica,
mas nem sempre a causa é essa.
No meu trabalho em regressão, com os
meus pacientes, nem sempre a causa advém
de sua rigidez em querer mudar. Muitos
regrediram e recordaram que, em vidas
passadas, foram amarrados pelos braços e
pernas a um aparelho de tortura pelos
seus algozes que esticavam seus membros
para torturá-los. Após revivenciarem e
compreenderem a causa que gerou o
problema, liberando a experiência
traumática com forte conteúdo emocional,
muitos desses pacientes soltaram o seu
passado, não apresentando mais problemas
nas articulações. Portanto, influenciada
pela literatura de auto-ajuda, a
paciente veio ao meu consultório se
sentindo culpada por achar que o seu
pessimismo e negativismo a faziam atrair
homens 'desfavoráveis'.
No entanto, ao regredir, descobriu que a
causa de seu problema amoroso não era o
que pensava inicialmente.
A seguir, leia o caso clinico dessa
paciente trazida em sua sessão de
regressão em TVP (Terapia de Vida
Passada).
Caso Clínico: Insucesso Amoroso
Mulher de 30 anos, separada.
Veio ao meu consultório por se sentir
culpada de atrair homens inidôneos.
Embora se achasse uma pessoa bastante
positiva, não tinha êxito em seus
relacionamentos amorosos.
Todos os seus relacionamentos eram
problemáticos e de curta duração. O
primeiro durou um mês; o 2º três meses,
o 3º teve um envolvimento maior e ela
acabou engravidando. Assumiu essa
gravidez sozinha, pois o pai não se
sentia preparado para exercer a
paternidade.
Anos depois, conheceu um rapaz na
Internet e veio a se casar com ele. Mas
com a convivência, suas divergências
foram se acentuando, o marido não era
participativo nas tarefas de casa e isso
foi se agravando cada vez mais. Tudo o
que ela queria, ele não concordava e
ficava impulsivo e agressivo.
Como não queria discutir, acabou se
fechando. Tinha muito medo de ser
rejeitada por ele e, por conta disso,
concordava em tudo o que ele queria.
Desta forma, buscava sempre agradá-lo.
No entanto, ao longo dos anos, começou a
mudar, isto é, decidiu se abrir com o
marido, ser mais sincera, procurando
expressar os seus verdadeiros
pensamentos e sentimentos e isso o
assustou porque percebera que as idéias
dela destoavam muito das dele. Por conta
dessas divergências, o casal resolveu
buscar ajuda profissional de uma
terapeuta de casal.
Na terapia, a paciente percebeu com
clareza que não o amava mais. Desta
forma, ela resolver se separar dele.
Amargurada e se sentindo muito culpada
pela separação, me procurou querendo
entender o porquê desse insucesso com os
homens.
Ao regredir me relatou:
"Vejo uma luz meio transparente, branca
e tem um pouco de amarelo e azul"
(pausa).
- Peça ajuda para essa luz lhe dizer de
onde vem o seu insucesso amoroso -
peço-lhe.
"A luz diz que eu preciso resolver
pendências de relacionamentos do
passado" (pausa).
- Pergunte à luz que pendências você
precisa resolver - peço-lhe.
"Eu precisava me reencontrar com os
homens que se relacionaram comigo para
dissolver laços de dor, culpa de
experiências que tivemos em outras
vidas. Precisava ajudá-los com muita
paciência para que eles se desprendessem
de mim. Eu também estava muito presa a
eles, tentando provar que eu sou uma boa
pessoa. Ela diz que eu brinquei com os
sentimentos deles em vidas passadas. Não
soube entender e valorizar os seus
sentimentos por mim. Eu os desprezei.
A Luz diz ainda que hoje eu tenho muita
necessidade de querer agradar às
pessoas, principalmente os homens, em
vista do que fiz em vidas passadas.
Eu sinto muita carência afetiva. É como
se essa carência me ajudasse a entender
melhor os sentimentos dos outros, já que
em vidas passadas, não respeitei os
sentimentos das pessoas. Ela diz,
portanto, que essa minha grande
necessidade de ser amada na vida atual,
tem a função de eu aprender a valorizar
os sentimentos das pessoas e, em
especial, dos homens. Daí explica também
o motivo deles me rejeitarem na vida
atual. Precisava passar por essas
experiências de rejeição para meu
processo de aprendizagem e entender
melhor os sentimentos das pessoas que eu
rejeitei e desprezei em vidas passadas.
Diz ainda que eu preciso exercitar a
humildade, me desfocar, sair de
meu egocentrismo e olhar para os outros,
sem criar altas expectativas, ou seja,
não colocar minhas carências em primeiro
plano. Diz também que nenhum desses
homens com que me envolvi, representou
um relacionamento de amor verdadeiro.
Foram pendências cármicas e não amor. Eu
precisava me reencontrar com esses
homens para dissolver rancores do
passado, pois eu ainda estava presa a
essas pessoas e que eu precisava me
desvincular deles. A luz esclarece que
só assim vou estar livre para encontrar
o homem certo, que seja um companheiro,
com os mesmos objetivos de vida ".
Após essa sessão de regressão, a
paciente passou por mais quatro sessões
e, no final delas, me disse que estava
se sentindo mais leve, não se sentia
mais culpada pelo fato de seus
relacionamentos não terem dado certo.
Compreendeu que não tinha encontrado
ainda um companheiro certo porque
precisava antes resolver suas pendências
cármicas com os homens que ela
prejudicou em vidas passadas.
Sentia-se agora livre para um
relacionamento verdadeiro, de amor.
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