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Benefícios da Terapia de Vidas
Passadas
Osvaldo Shimoda
Muitas pessoas me perguntam
via e-mail se todas as pessoas podem se submeter à
TVP (Terapia de Vida Passada).
Desta forma, quero esclarecer nesse artigo que a
regressão de memória como instrumento terapêutico
tem suas indicações, contra-indicações e
limitações.
De um modo geral, a TVP é bastante indicada em
casos de distúrbios psíquicos, psicossomáticos,
orgânicos (doenças cuja causa não foi constada
pela medicina oficial) e de relacionamento
interpessoal.
Gostaria de especificar mais detalhadamente suas
indicações.
Indicações:
- Todos os tipos de
fobias, ou seja, todos os tipos de medos intensos
como: medo de lugares fechados (metrô, elevador,
dirigir em túneis); medo de altura; de falar em
público; medo excessivo de contrair doenças
incuráveis como o câncer e a AIDS; medo da solidão
pelo fato de ter sofrido sucessivas decepções
amorosas;
- Problemas de relacionamento familiar, conjugal,
social e no trabalho (aqueles relacionamentos
difíceis, dolorosos, truncados entre pais e
filhos, irmãos, marido e mulher, figuras de
autoridade - chefes e/ou colegas de trabalho);
- Problemas sexuais (impotência, ejaculação
precoce, anorgasmia - falta de orgasmo, perda da
libido - diminuição ou ausência de desejo sexual,
etc.);
- Transtornos de ansiedade (síndrome do pânico,
ansiedade generalizada, tiques nervosos);
- Transtornos de humor (depressão, angústia,
instabilidade de humor);
- Medo excessivo da morte;
- Doenças psicossomáticas - doenças orgânicas de
origem emocional como: Alergias, vitiligo,
psoríase, ictiose, asmas, enxaquecas, dores, etc.;
- Dificuldades financeiras e profissionais
decorrentes de bloqueios emocionais e
interferência de seres extrafísicos (obsessores).
Contra-indicações:
- Gestantes (pode induzir
o trabalho de parto e conseqüências emocionais
sobre a criança e formação);
- Cardiopatas (pode trazer o risco de infarto caso
venha a liberar na regressão uma carga emocional
intensa ao recordar e revivenciar experiências
traumáticas do passado);
- Deficientes mentais e auditivos (relação
terapeuta-paciente se torna dificultosa no
processo de comunicação);
- Distúrbios psiquiátricos graves (pacientes
psicóticos e pré-psicóticos - podem levar o
paciente ao surto psicótico).
Limitações:
- Pacientes
excessivamente céticos, incrédulos em relação à
regressão e a reencarnação (não é recomendável,
pois vão bloquear, não permitem se entregar no
processo regressivo). Fica evidente neste caso que
uma pessoa de mente fechada é incapaz de
revivenciar experiências de seu passado,
principalmente de suas vidas passadas. Daí a
importância do paciente querer efetivamente passar
por este tipo de terapia;
- Pacientes hiperativos,
muito ansiosos, vão encontrar dificuldade de se
concentrar. Para que o paciente possa acessar a
memória de seu passado, ele precisa ter um mínimo
de concentração para relaxar e entrar no estado
alterado de consciência (hipnose).
Em muitos casos, o paciente ansioso precisa
primeiro aprender a relaxar através da Yoga, Reiki,
meditação, etc. para controlar a sua ansiedade e
depois passar pelo processo regressivo. Caso
contrário, não irá regredir.
- Pacientes
excessivamente medrosos, desconfiados em relação à
técnica hipnótica, à regressão a vidas passadas e
assuntos ligados aos espíritos; em muitos casos,
seu medo e desconfiança, são frutos de
desinformação e preconceito em relação a esses
temas. É por isso que costumo agendar antes uma
entrevista de avaliação (anamnese) com o paciente
para esclarecer todas as suas dúvidas acerca dessa
terapia. Uma vez sanadas as suas dúvidas,
desmistificando seus conceitos equivocados a
respeito dessa terapia, é suficiente para o
paciente se entregar no processo regressivo. Mas
em outros casos, seu medo e desconfiança têm
raízes mais profundas.
Certa ocasião, um paciente não conseguia regredir
apesar de eu tentar todo o meu arsenal de técnicas
de relaxamento que conhecia. Então, após 3 sessões
de regressão, finalmente ele conseguiu regredir,
se vendo sendo esfaqueado à noite quando estava
dormindo numa vida passada. Ficou evidente,
portanto, a causa de sua dificuldade de se
entregar no processo regressivo. Ao fechar os
olhos e relaxar na sala de meu consultório que
fica na penumbra para facilitar o relaxamento dos
pacientes, isso desencadeou seu temor inconsciente
de vir a ser esfaqueado novamente como ocorrera à
noite naquela existência passada.
- Pacientes
excessivamente rígidos, intolerantes em relação
aos seus valores morais e religiosos. Há pacientes
que encontram dificuldades em regredir devido ao
seu temor em entrar em contato com experiências de
seu passado de cunho sexual e/ou que fira seus
valores morais, tais como: estupro,
homossexualidade, suicídio, assassinato, roubo,
traição, infidelidade, prostituição, que foram
vitimas ou causadores desses incidentes. Desta
forma, como a TVP lida com experiências
traumáticas do passado, causadores do problema do
paciente, é fundamental que o mesmo queira
efetivamente passar pelo processo regressivo e
esteja verdadeiramente disposto a querer resolver
o seu problema.
Caso contrário, sua mente
inconsciente irá bloquear, não permitindo ter
acesso aos registros de memória de acontecimentos
dolorosos de seu passado. Daí explica que, em
muitos casos, as revelações do passado do paciente
que estavam em seu inconsciente só virem à tona -
no nível da consciência - gradativamente, a cada
sessão de regressão. O inconsciente é sábio, ele
sabe quando efetivamente o paciente está pronto
para acessar a causa verdadeira de seu problema.
Caso Clínico:
Transtorno Obsessivo Compulsivo (T.O.C)
Mulher de 25 anos, solteira.
Veio ao meu consultório
por conta de inúmeros problemas de ordem emocional
e orgânica.
Desta forma, quando ficava tensa, apresentava
comportamentos obsessivos, repetitivos, rituais
obsessivos tais como: contar números (e o
resultado sempre tinha que ser par). Contava nos
dedos de uma mão e, em seguida, em outra mão;
tinha a necessidade de contar, conferir quantas
lajotas tinha o piso dos banheiros e a cozinha de
sua casa. Veio a saber que sofria de T.O.C
(Transtorno Obsessivo Compulsivo) com um
neurologista. Em verdade, percebeu que desde os 9
anos de idade apresentava esses rituais
obsessivos. Uma outra manifestação do T.O.C era se
certificar várias vezes que a porta estava
fechada. Geralmente se levantava três vezes à
noite para conferir se tinha fechado as portas de
sua casa.
Após receber a noticia da morte de seu pai,
começou a limpar compulsivamente sua casa, a fazer
faxina feito "louca", a soluçar bem alto, mas sem
cair uma lágrima. Foi parar no pronto-socorro e o
médico disse à família que a paciente estava em
estado de choque.
Apresentava também doenças de pele (vitiligo e
psoríase), problemas sexuais (dores no ato sexual
e dificuldade de atingir orgasmo) e pensamentos
negativos obsessivos como: vir a morrer, ficar
doente, de lhe acontecer um infortúnio ou algo
ruim.
Sentia dores no corpo, principalmente no peito,
angústia, depressão desde criança e uma tristeza
profunda. A paciente me relatou também que sonhava
com um espírito desfigurado que queria fazer sexo
e ela lutava com ele para que isso não ocorresse.
Ao regredir me relatou:
"Dr. Osvaldo, tem alguém segurando os meus ombros,
me impedindo de atravessar o portão para eu saber
a causa verdadeira de meus problemas (o portão é
um artifício que uso que funciona como um "portal"
que separa o passado do presente e após a indução
hipnótica peço ao paciente que atravesse esse
portão para que ele volte ao se passado e traga
suas recordações de experiências traumáticas que
originaram o seu problema). Ele não quer me deixar
atravessar esse portão. Diz que não quer que eu
descubra o meu passado".
- Pergunte-lhe por que
ele não quer? - Peço à paciente.
"Ele diz para não mexer nessas coisas, pois se eu
descobrir o meu passado vou perder os meus medos e
não terei mais medo dele também. Ele quer ter o
meu controle, me dominar. Ele diz que foi meu pai
de uma vida passada (pausa). Vejo-o agora entre
dois espíritos que conversam com ele. Estão
tentando convencê-lo a ir embora com eles. Mas ele
esbraveja, não quer ir. Um dos espíritos diz que
ele está fraco e que precisa de ajuda, de ser
cuidado, mas ele resiste. O outro espírito o faz
agora dormir".
- Veja o que acontece com
ele - pergunto à paciente.
"Os espíritos me dizem que vão levá-lo ao mundo
espiritual para tratamento, pois ele está muito
cansado. Agora eles estão pegando-o pelos braços e
saem flutuando em direção a uma luz".
- Peço então à paciente
que atravesse aquele portão e dê um salto no tempo
e vá à época onde esteja a causa verdadeira de
seus problemas.
"Vejo uma casa de madeira, tem árvores e um campo.
Sou criança, devo ter uns oito anos, uso um
vestido até os joelhos. Sou bonita, meus cabelos
são compridos, uso um laço no cabelo". (pausa)
- Você mora com quem? -
pergunto-lhe.
"Moramos eu e os meus pais. Vejo minha mãe, ela é
bonita, magra, usa uma roupa longa, apertada na
cintura. O meu pai não está em casa. Gosto de
ficar olhando para minha mãe".
- Prossiga nessa cena -
peço-lhe.
"Ela fica olhando para mim, parece que está
preocupada. Ela está triste. Ela me abraça e diz
que vai embora. Peço para ela não ir. Ela se
ajeita, segura a minha mão, me leva até a porta e
me mostra a estrada de terra e me diz algo que eu
não entendo" (pausa).
- Avance mais para frente
nessa cena - peço-lhe.
"A casa está vazia. Estou perto da escada. Eu
quero a minha mãe, a quero de volta". (começa a
chorar).
- O que aconteceu com a
sua mãe - pergunto-lhe.
"Ela foi embora. Vejo-a na estrada com duas malas
nas mãos. Minha mãe foi embora antes que o me pai
voltasse para casa. Ele tinha ido até a cidade. A
casa está vazia, eu fico sozinha" (chora
copiosamente).
E o seu pai? -
Pergunto-lhe.
"Ele não chega. Agora anoitece, estou sozinha. Eu
olho pela janela, está escuro, não vejo nada lá
fora. A casa está às escuras também, tenho medo de
bicho. Eu fico na escuridão" (pausa).
- Avance mais para frente
nessa cena e veja o que aconteceu com você -
peço-lhe.
"Vejo agora o meu pai. É aquele homem que não
queria que eu atravessasse o portão no inicio da
regressão. Ele é branco e usa bigode. Agora estou
com 18 anos, ele mostra a estrada de terra. Ele me
lembra quando minha mãe foi embora. Meu pai tem
raiva dela e desconta a sua raiva em mim. Ele me
trata como se eu fosse a minha mãe. Eu não posso
chamá-lo de pai. Eu tenho raiva dele, ele me
machuca, me faz mulher dele. Eu não gosto disso.
Ele não quer que eu vá à cidade. Ele me esconde
das pessoas. Eu não uso sapato, ele não deixa
porque senão eu vou para longe. Ele construiu uma
casa de pedra que fica bem isolada no campo, mas
continua morando na casa onde morávamos. Eu fico
na casa de pedra, não vejo ninguém. Ele só vem
nessa casa para me trazer comida. Eu sinto muita
solidão, tenho medo de sair, não conheço nada. A
cidade é bem longe" (pausa).
- Avance bem mais para
frente nessa cena, anos depois - peço-lhe.
"O meu pai agora está mais velho, deve ter uns 65
anos. Ele tem pouco cabelo, usa um chapéu branco,
bigode grisalho. Ele vem me visitar no sanatório.
Estou com uma camisa de força".
- O que aconteceu para
você parar no sanatório? - Pergunto-lhe.
"Eu não sou louca. Ele me colocou num hospital
para obedecê-lo".
- Mas por que a camisa de
força? - Pergunto-lhe.
"Ele disse que eu estava louca porque tive uma
crise. Eu me revoltei, bati muito no rosto dele.
Eu queria que ele me deixasse em paz. Aí ele falou
para o médico que eu estava louca. Ele me levou à
força para o hospital, cheguei lá gritando para o
médico que eu não era louca. Sou branca, meu rosto
é bonito, devo ter por volta de 25 anos; sou muito
parecida com a minha mãe".
- Você nunca mais viu sua
mãe? - pergunto-lhe.
"Nunca mais. Meu pai era muito violento com ela".
- O que aconteceu para a
sua mãe não levá-la junto? - Pergunto-lhe.
"Eu ia atrasá-la caso me levasse junto. Ela achava
que não iria conseguir fugir de meu pai se me
levasse".
- Avance mais para frente
nessa cena - peço-lhe.
"Acho que eu consegui fugir do sanatório. Ao
anoitecer, fugi e fui para a floresta. Estou
escondida no mato. Mas eu fui encontrada. Estou
abaixada e sinto alguém se aproximando. Olho para
cima e sei que fui descoberta. A pessoa me pega e
me puxa".
- Quem te puxou pela
roupa? - pergunto-lhe.
"É o meu pai. O olhar dele é de ódio. Ele está a
cavalo, começa a me espancar e me leva à casa de
pedra. Entra comigo e fala para eu vestir a roupa
de minha mãe. É uma roupa longa, preta. Ele me
obriga a deitar na cama e amarra as minhas mãos e
pernas por cima do vestido. O meu corpo está todo
ferido e ensangüentado devido ao espancamento que
sofri. Ele fala: "Agora você não foge mais". Eu
sinto frio, a temperatura do meu corpo cai. Vejo
os meus pés, eles estão ficando roxos. Estou
perdendo as forças, sinto muito tremor no corpo.
Estou sozinha agora, ele foi embora (pausa). Vejo
agora um homem de túnica, chega e senta ao meu
lado. Estou tremendo muito. Olho para ele e sinto
uma bondade muito grande no rosto dele. Ele veio
me ajudar".
- Quem é esse homem? -
pergunto-lhe.
"É o meu mentor espiritual. Estou sentindo muito
frio, tremo muito (pausa). Vejo agora uma luz
amarela sair do meu estômago. Acho que é a minha
alma, ela sai pelo meu abdômen. Mas ela demora
para sair. Por isso ele fica comigo para me
auxiliar. Sinto muito medo, não quero sair do meu
corpo físico. Ele fala para eu não ter medo. Diz
para eu sair do meu corpo, para eu não ter medo
que ele está ali para me pegar. Quando a minha
alma sai, ele me pega no colo. Fico como se eu
fosse em bebê (paciente chora intensamente).
Sinto-me segura e acabei dormindo no colo dele
(pausa). Agora ele se levanta me carregando,
caminha e atravessa a porta e o ambiente fica todo
iluminado.
- Pergunte para o seu
mentor de onde vem o T.O.C. - pergunto-lhe.
"Ele diz que vem dessa vida passada porque o
espírito do meu pai veio junto comigo na vida
atual. A presença de meu pai em espírito me fez
trazer esta doença. Ele diz que o T.O.C é uma
espécie de tique nervoso que trago dessa
existência passada porque eu era muito sozinha,
vivia presa naquela casa. Vivia contando os
tijolos das paredes. Verificava também várias
vezes se a porta estava trancada para o meu pai
não entrar no meu quarto. Eu me sentia suja por
causa dos abusos sexuais que sofri do meu pai. Mas
ele diz para eu ter calma, porque eu achei um
caminho que é bom para mim".
- Que caminho? -
Perguntei à paciente.
"Ele está se referindo à TVP (Terapia de Vida
Passada). Essa regressão está sendo boa para mim
porque eu precisava mexer nas coisas do passado
para eu entender a causa dos meus problemas".
- Pergunte a ele de onde
vem essa mania de limpeza - pedi à paciente.
"Ele diz que vem dessa
relação incestuosa com o meu pai nessa vida
passada. Eu trago à vida atual a crença de que sou
suja pelos abusos sexuais que sofri e então tenho
necessidade de limpar tudo que está ao meu redor.
Diz ainda que todas as manifestações do T.O.C vem
dessa existência passada".
Após passar por mais 8
sessões de regressão, a paciente me disse que
estava se sentindo muito bem, mais solta, mais
leve. Não sentia mais aquela tristeza profunda,
depressão. Disse que o seu sono estava mais
tranqüilo. Antes, acordava de madrugada assustada
e, pela manhã, despertava cansada, irritada e
depressiva. Hoje, acorda bem disposta. Disse ainda
que os pensamentos negativos destrutivos tinham
ido embora.
O vitiligo estacionou e a
psoríase melhorou bastante, bem como os seus
rituais obsessivos de contar números, lajotas e
sua mania de limpeza. Seu mentor espiritual
esclareceu também que o vitiligo e a psoríase,
como doenças de pele, a paciente trouxe na
existência atual devido às feridas internas
(mágoas, humilhações, culpa) e externas (agressões
físicas) provocadas pelo pai ao morrer por
espancamento naquela existência passada. |