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Solidão: Incapacidade de Amar
Osvaldo Shimoda -
osvaldo.shimoda@uol.com.br |
Existem
três coisas às quais corremos atrás durante toda
nossa vida: felicidade, amor e paz interior.
Felicidade no final de cada experiência; amor em
nossos relacionamentos e paz de espírito. Mas
estamos fadados ao fracasso. E por quê?
Porque buscamos essas três coisas fora e não dentro
de nós.
Sendo assim, a solidão é um estado de alma, um vazio
interior, uma insatisfação que muitos buscam
preencher externamente, através de bens materiais
(carros, roupas, aquisição de uma casa, etc.),
trabalho (muitos se tornam workaholics, viciados em
trabalho), comida, sexo, jogos, etc.
Daí as queixas mais comuns de pacientes que me
procuram no consultório por sofrerem de solidão: Sou
fechado, sério, me isolo das pessoas, não tenho
amigos e nem uma vida social; Sou casada, mas
infeliz em meu casamento, sinto solidão, pois não me
sinto amada, compreendida; Gostaria de casar,
constituir uma família, mas não tenho sorte no amor,
meus relacionamentos amorosos não dão certo; Tenho
tudo: marido bom, filhos saudáveis, um ótimo
emprego, mas sinto muita solidão.
Portanto, há pessoas que, mesmo rodeadas de gente,
sentem uma solidão profunda. Há ainda casais que
sofrem do que chamo de solidão a dois: apesar de
estarem juntos, sentem-se sós, há um vazio, um tédio
interminável.
Em muitos casos, por mais que a pessoa solitária
busque preencher esse vazio da alma fora, não
resolve sua solidão, pois o vazio continua presente.
Isso é uma prova do quanto a pessoa está alienada,
distante de si mesma, de sua essência divina, de sua
verdadeira natureza.
Na TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – a Terapia do
Mentor Espiritual, abordagem psicológica e
espiritual breve, criada por mim, o mentor
espiritual (ser desencarnado diretamente responsável
pela nossa evolução espiritual) do paciente irá lhe
revelar a causa verdadeira de sua solidão, bem como
solucionar o problema. Nessa terapia, muitos
pacientes descobrem que estão fechados à vida, ao
amor, por ainda estarem presos pelos laços do
passado (são bloqueios emocionais oriundos de vidas
passadas).
Ao passar pela regressão de memória, a causa da
solidão é desvendada, rompendo a barreira da memória
que o impedia de entrar em contato com a experiência
traumática, causadora de seu sintoma. É importante
informar aqui que o mentor espiritual do paciente o
conhece profundamente, pois vem acompanhando-o em
várias encarnações, sabendo se o mesmo tem -ou não-,
estrutura emocional para regredir ao seu passado e
revivenciar aquela experiência traumática. Desta
forma, se tiver condições, o mentor irá lhe revelar;
caso contrário, não permitirá que regrida.
Nunca é demais lembrar a máxima secular de Cristo
Conhecereis a Verdade e a Verdade Vos Libertará. Sem
dúvida alguma, ela se aplica perfeitamente a essa
terapia.
Certa ocasião, uma paciente veio a descobrir na TRE
–através de seu mentor espiritual-, que seu estilo
de vida solitário na verdade vinha acompanhando-a em
várias encarnações, inclusive na existência atual,
porque não conseguia se desligar de uma experiência
traumática de uma existência passada: fora
abandonada pelo marido e acabou morrendo louca e
sozinha. Portanto, a causa de sua solidão, além do
desamor, estava em seu auto-abandono que trazia
dessa vida passada.
Outros ainda descobrem na regressão de memória que a
dificuldade de fazer amizade, ou mesmo de se
envolver afetivamente é conseqüência do medo da
intimidade, da entrega. Portanto, o medo de se
entregar advém do temor de vir a sofrer novamente
por ter confiado no sexo oposto. O abandono e a
traição são as principais causas que levam as
pessoas a não confiarem em ninguém.
Resultado: solidão e permanente estado de déficit de
amor. Sendo assim, o desamor por si mesmo e pelos
outros diz que essa pessoa é disfuncional do ponto
de vista amoroso, ou seja, sua capacidade de dar e
receber amor está comprometida.
Não foi por acaso que Freud, o pai da psicanálise,
definiu Felicidade como sexualidade e sociabilidade
naturais, espontânea satisfação pelo trabalho e
capacidade de amar.
Neste aspecto, a TRE, através do mentor espiritual,
busca resgatar ao paciente sua capacidade de amar,
ou seja, ser funcional do ponto de vista amoroso.
Quero finalizar esse artigo com um lembrete às
pessoas solitárias: Se você está sendo ruim consigo
mesmo há muito tempo, um pingo de amor faz uma
diferença enorme. Experimente e verá!
Caso Clínico:
Reencontro com a família
Homem de 52 anos, separado, uma filha
O paciente veio ao meu consultório se queixando de
depressão, pois se sentia só, num vazio e tristeza
profundos. Tinha muita dificuldade de expressar, de
compartilhar seus verdadeiros sentimentos e não
conseguia chorar. Sentia também uma dor muito aguda
no peito, achando que tinha problemas cardíacos; no
entanto, ao fazer todos os exames médicos, os
resultados deram todos normais.
Na entrevista de avaliação, o paciente assim me
relatou:
Dr. Osvaldo, o motivo pelo qual estou procurando o
senhor é o seguinte: vim de uma família muito pobre,
meus pais eram da roça, trabalhávamos dia após dia,
sem parar, não tínhamos descanso. Eu sou o mais
velho de seis filhos. Quando a minha mãe teve o
último filho, o médico disse que ela não podia mais
ter filhos, pois se isso acontecesse poderia correr
risco de vida por conta de sua saúde debilitada. O
médico falou isso para o meu pai na minha frente. Um
dia, vindo da escola, vi meu pai embriagado
violentando minha mãe; recordo-me dos gritos dela
pedindo para ele parar. Eu era pequeno, tinha uns
oito anos quando isso aconteceu, não pude fazer nada
para ajudar a minha mãe. Não demorou muito, a
barriga da minha mãe começou a crescer. Fiquei
apavorado, pois ela era tudo o que tínhamos de bom,
minha mãezinha era uma pessoa dócil, muito boa,
gentil, cantava para mim e para meus irmãos, nos
dava carinho. Mas com essa gravidez, acredito que
ela sabia que iria morrer. Meu pai era um covarde,
um maníaco, um bêbado. Aqueles meses foram tão bons
e ao mesmo tempo eu sofria tanto, pois pressentia
que ia perder a minha mãe.
Ela falava assim para mim: ‘fiquem sempre juntos,
nunca abandone seus irmãos, não se preocupe, vocês
são meus anjinhos, sempre estarei por perto.
Ainda escuto a voz dela’...
Chegou o dia do nascimento do bebê, ela estava muito
fraca e como o médico havia dito, ela não agüentou.
Lembro da última cena, antes dela morrer, dentro de
uma carroça dando adeus para mim, eu correndo atrás
e meus irmãos chorando. No dia seguinte, o
desgraçado de meu pai chegou com o caixão e a minha
mãe dentro. Ele dizia que eu tinha que ser homem,
que não tinha que chorar. Que ódio, quem era ele
para me dizer sobre atitudes de homem. Minha mãe
tinha ido por causa dele e eu não tive coragem de
enfrentá-lo.
Seis meses depois, meu pai pediu para que
arrumássemos as nossas coisas que íamos sair.
Arrumei os meus irmãos e seguimos o meu pai por uma
estrada de terra. Andamos por um bom tempo até
chegarmos a uma construção com um muro bem alto.
Veio uma freira e nos colocou para dentro, meu pai
deu as costas e foi embora nos deixando lá.
Nunca mais vi aquele desgraçado. Vinha na minha
mente o que a minha mãe me disse: “Nunca se
separem!”. Era um orfanato. Tentava ao máximo deixar
meus irmãos perto de mim, mas logo o bebezinho foi
adotado. Daí os dois mais novos também foram, depois
o outro, e outro; acabei ficando sozinho, pois
ninguém queria adotar um menino com quase 10 anos.
Fiquei no orfanato até os 18 anos, sempre muito
triste e depressivo, não conseguia sentir alegria,
sentia muita raiva, revolta de tudo, do que estava
passando e, principalmente, por não ter conseguido
ficar com meus irmãos, nem sabia onde eles estavam.
Sentia um vazio, uma mágoa, mas, o pior de tudo, não
conseguia e até hoje não consigo chorar. É por isso,
doutor, que vim procurar o senhor, pois sou um homem
triste, não consigo sorrir, demonstrar afeto. Vivo
numa solidão que parece a imensidão do mar.
Entrei no mercado de trabalho, e só no trabalho não
encontro problemas. Tive alguns relacionamentos e de
um deles veio a minha filha, mas não consigo sentir
nada por ela. Já me chamaram de frio, calculista,
sem sentimento, não consigo chorar, não consigo me
entregar em nenhum relacionamento. Não consigo
sorrir, sentir alegria. Hoje vivo só, tenho 52
anos”.
Ao passar pelas sessões de regressão, o paciente não
via nem ouvia nada, foram três sessões sem resultado
algum, nada. Foi frustrante para todos. Pedi então
que fizéssemos uma nova tentativa na semana
seguinte.
Para minha surpresa, quando comecei o relaxamento o
paciente me interrompeu e relatou:
- “Doutor, estou vendo uma luz amarela e ela me diz
algo”.
Perguntei o que ela dizia. Paciente me respondeu:
- “Não pode ser, deve ser uma fantasia, fruto de
minha imaginação... essa voz está me falando dos
meus irmãos e também de minha mãe”.
Falando o quê? - Perguntei.
- “Falando onde meus irmãos estão, e que a minha mãe
está encarnada. Diz que minha mãe nasceu novamente,
reencarnou dois anos depois de sua morte, e que ela
também sofre muito, vive uma grande busca, há um
grande vazio nela. Ela veio novamente, casou, mas
não teve filhos. Adotou várias crianças e está
envolvida com trabalhos sociais, mas é também uma
pessoa triste”. (pausa).
Prossiga - Pedi ao paciente.
- “Essa luz está mostrando os meus irmãos... Vejo o
Zezinho, a Catarina, Rosa, Venâncio e o Assis. Estão
como eu, velhos. Vejo cada um em locais
diferentes... Doutor Osvaldo, a luz revela onde meus
irmãos estão, revela também que a minha mãe nos
procura, só não sabe onde. Ela sempre sonha com as
seis crianças perdidas; é por isso que ela adotou
aquelas crianças. A luz diz que vamos nos encontrar
em breve. Sinto agora que a luz toca meu peito”...
(Paciente começa a chorar sem parar, copiosamente,
um choro sentido, intenso, como estivesse se lavando
com as próprias lágrimas).
Três meses após o término da terapia, recebo este
e-mail:
“Para o Doutor Osvaldo e toda a sua equipe terrena e
espiritual,
É com muita alegria e felicidade que mando este
e-mail. Confesso que no dia em que saí do seu
consultório estava atordoado, tinha conseguido o que
queria, ou seja, chorar, sentir emoção, mas saí
também muito ansioso. Com os nomes das cidades que a
luz havia me revelado, tirei férias do trabalho e
saí em busca de meus irmãos.
Doutor Osvaldo, por incrível que pareça, encontrei
todos os meus irmãos, todos! Confesso que não foi
fácil encontrá-los, pois tinham mudado de nome, mas
a luz havia me dito que eu iria reconhecer seus
rostos. O nosso encontro foi muito emocionante, com
muita alegria e felicidade. Fiquei sabendo que tenho
sobrinhos, sou tio avô, uma família linda! Mas não é
só isso, o senhor deve se recordar que na última
sessão de regressão, a luz me mostrou uma mulher que
tinha por volta de 40 e poucos anos. Uma mulher
muito bonita e com os nossos traços; pois é, eu a
encontrei, quer dizer ela me encontrou, pois resolvi
fazer um trabalho voluntário com crianças carentes e
logo ficamos amigos, houve uma grande amizade,
parecia que já nos conhecíamos. Um dia quando ela me
falou que sonhava sempre com seis crianças perdidas,
meus olhos se encheram de lágrimas, ela não entendeu
o motivo de eu estar chorando; então, contei toda a
minha história, inclusive a minha ida ao seu
consultório e como a luz me falou dos meus irmãos e
de minha mãe, que agora estava encarnada nos
procurando. Doutor, que emoção, de novo chorei feito
uma criança, pedi perdão a essa mulher, a minha mãe,
por não ter conseguido ficar com meus irmãos. Ela me
abraçou do mesmo jeito que fazia quando eu era
garoto. E disse: - te amo, meu filho! Ficamos um bom
tempo em silêncio olhando um para o outro,
emocionados, felizes. Ansiosa, chorando, ela me
pediu para ver meus irmãos. O senhor pode imaginar a
festa que houve com o reencontro de todos.
Dr. Osvaldo, quero agradecer do fundo de meu coração
a Deus, a essa luz e ao senhor, através dessa
terapia, por terem me propiciado essa bênção, que
foi o reencontro que tive com a minha família. Sou
profundamente grato por isso!”.
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